Quem será a próxima vítima

Em plena década de 80, na efervescência do movimento cultural que culminou com o fim da ditadura militar e a transição democrática implementada pelo Governo de José Sarney (1985 a 1990), aconteceu a explosão do Rock Nacional e o surgimento de grandes artistas que revolucionaram a nossa música, dentre eles estava a figura emblemática de Lobão. Com uma produção questionadora e letras de conteúdo político, Lobão logo caiu no gosto popular e se firmou como um dos ícones da época. Dentre seus sucessos, Revanche é aquela que efetivamente consolida seu trabalho e ainda se mostra moderna. Em sua estrofe inicial ele vaticina nossa realidade política ao dizer:

“Eu sei que já faz muito tempo que a gente volta aos princípios

Tentando acertar o passo usando mil artifícios

Mas sempre alguém tenta um salto, e a gente é que paga por isso”.

Parece que novamente alguém está tentando dar um novo salto. No dia 01 de julho, setores da imprensa noticiaram que o ex-Deputado Federal Eduardo Cunha vai delatar. Depois de tanto tempo preso e coincidentemente quando faltam 3 (três) meses para o fim do mandato de Rodrigo Janot como Procurador Geral da República, os Advogados de Cunha saíram hoje de uma reunião com os Procuradores afirmando que agora eles iriam juntar os documentos necessários para que ele possa delatar e firmar um bom acordo. Falta ao titular deste blog criatividade para imaginar o que não deve ter sido proposto para que ele entregue qualquer coisa que possa incriminar o desafeto maior do Procurador que ora sai ou outro grande peixe do cardume. O importante agora é sair por cima, afinal, como bem disse o Eliott Ness tupiniquim: “enquanto tiver bambu tem flecha”.

Nos últimos tempos, o que se viu foi uma tentativa constante de alcançar o Presidente com base nas denúncias forjadas por Joesley Batista. A fragilidade da prova se mostrou patente e tendo ficado claro que foi ludibriado, resta agora sair por cima, vez que o afastamento, impedimento ou mesmo cassação do Presidente parece ficar, a cada dia, mais distante.

Tempos atrás tive oportunidade de escrever sobre a verdadeira tortura moderna que mesmo não sendo constitucionalmente permitida no Brasil, vem sendo implementada desde o advento da intocável operação Lava-Jato (aquela sobre a qual ninguém pode falar contra). Esclareci que constitui tortura manter um cidadão preso em uma cela de 3 x 3, dormindo em um colchão de 10 cm de espessura, e tendo um banheiro com vaso sanitário de chão (as necessidades são feitas de cócoras), separado do quarto por uma meia parede, por mais de 30 (trinta) dias, faz o sujeito implorar para dizer o que se quer ouvir, ainda mais quando fica sabendo que aqueles que já delataram vivem nababescamente em suas casas com a anuência do Estado em decorrência dos fantásticos acordos de delação premiada.

Com Eduardo Cunha parece que não será diferente. Ou o todo poderoso ex-Presidente da Câmara está mandando recado ou realmente cansou da tortura institucionalizada e vai falar tudo o quanto alguém quer ouvir. Parece que querem apressar tudo antes que uma nova marca entre na pista e dite o novo rítmo da corrida.

A única dúvida que fica é se o alvo será atingido na mosca ou se outro será o escolhido. Sendo assim, só nos resta perguntar “quem será a próxima vítima”.

 

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