Quando as luzes da ribalta se apagam

A cada ano, inúmeros desconhecidos e alguns poucos conhecidos se revezam entre galpões e quadras de ensaio para construir o maior espetáculo a céu aberto do Maranhão. Com muito suor, dedicação e poucos recursos se entregam a fabricar a magia do São João. Eles sofrem pro nosso coração se alegrar.

E como alegra.

O  brilho, as cores, o som, a beleza dos conjuntos de caboclos de fita, de pena, de vaqueiros, de índias guerreiras, das coreografias fazem do nosso bumba meu boi uma referência nacional que somados às outras brincadeiras, como cacuriás, quadrilhas, danças portuguesas, do boiadeiro, do Coco e tantas outras, fazem dos nossos festejos juninos uma experiência inesquecível que durante todo o mês de junho e alguns dias de julho nos animam a acreditar que São João, São Pedro e São Marçal irão nos cobrir de glórias e nos ajudar a ter um ano melhor.

Sempre fui um entusiasta da nossa Cultura e sempre procurei trabalhar pelo seu engrandecimento. Nem sempre pude ter dançando pra mim e meus amigos as brincadeiras que quis, mas muitas delas estiveram conosco em grandes arraiais. Este ano foi Novilho Branco e meu querido Brilho da Ilha, capitaneada pelo querido Claudinho Sampaio e oriundo do bairro aonde morei por vinte e um anos, o Ipase. Vi essa brincadeira nascer, sempre soube de sua magia. Esteve comigo na extinta gincana Mirante e este ano deu um colorido especial no arraial do condomínio aonde moro. Devo-lhes um agradecimento especial.

Estou, agora, em um encontro de religiosidade e cultura no Arraial da Igreja São Paulo Apóstolo. Vim ver o grupo que pela primeira vez acreditou em um projeto cultural capitaneado por mim. Vim ver o Boi de Nina Rodrigues e prestigiar minha amiga Concita Braga. Como estava lindo!

Por uma questão de agenda não estivemos juntos outra vez, mas não poderia deixar de registrar a importância desse batalhão de orquestra para o brilho das nossas festas.

Tido como o Boi das mais belas índias do Maranhão, Nina Rodrigues se consolida como um expoente da nossa cultura. O brilho de seus canotilhos e lantejoulas que tomam forma no colorido do  couro do boi e na indumentária dos brincantes, constroem a atmosfera de um evento inigualável.

O mês de junho se foi e julho não demora a findar. Com eles ficarão na memória os momentos maravilhosos vividos por todos quantos se entregaram de corpo e alma ao espetáculo do nosso São João.

Para quem não conhece, ribalta são as luzes que ficam em frente ao palco para iluminar os atores. Pois bem. As luzes da ribalta dos nossos festejos juninos se apagam. Deixam a saudade dos grandes espetáculos, a tristeza do fim, mas a certeza de que no ano que vem estaremos juntos outra vez, fazendo do nosso São João o mais bonito do mundo.

Que no ano que vem as luzes da ribalta possam se acender outra vez, com as graças de São João, São Pedro e São Marçal, para iluminar os artistas e o maior espetáculo da terra.

Até o ano que vem, se Deus quiser.

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