Militares x Civis

1970 foi um dos anos mais duros do regime militar do Brasil iniciado em 1964 e também acabou se tornando um dos mais felizes da época, haja vista que foi nele que se deu a conquista do tri-campeonato de futebol no México com a mítica Seleção comandada por Zagalo e que tinha como astros Carlos Alberto, Gerson, Jairzinho, Rivelino, Tostão e Pelé. Foi o ano em que eu nasci.

Passei todo o período escolar ouvindo que o governo militar era ruim, que não se tinha liberdade, que pessoas morriam a 3 x 4 e que o Brasil só seria uma grande Nação se o povo tivesse o direito de eleger seus representantes e o Governo fosse de civis. Cresci e acompanhei a transição política democraticamente comandada pelo maranhense José Sarney, cuja passagem no Governo destaquei em José Sarney: um vulto da Pátria . Vi o durante e o depois do regime militar e devo confessar que em muito eu gostava mais de como era.

Naquela época se trabalhava a cidadania na escola. Tínhamos Educação Moral e Cívica e depois Organização Social e Política Brasileira; honrávamos os símbolos da Pátria como o Brasão, a Bandeira e o Hino Nacional; aprendíamos a amar o Brasil e a ter o desejo de defende-lo em qualquer circunstância. Vi o Brasil se estruturar para o futuro. Vi as grandes obras se realizarem, vi a garantia da energia que temos hoje, a abertura das estradas, a construção dos grandes hospitais e vi o combate diuturno ao analfabetismo. Com tudo isso só se falava que a economia não estava bem e que os civis precisavam assumir o Poder. Faltando 51 (cinquenta e um) dias para o fim do seu mandato de 6 (seis) anos, o trigésimo Presidente Brasileiro e último do Regime Militar, o General João Batista de Oliveira Figueiredo concedeu uma entrevista de aproximadamente 36 minutos ao Jornalista Alexandre Garcia na Residência Oficial da Granja do Torto em Brasília. Nela, dentre tantos assuntos abordados e respondidos com ampla franqueza, um destaque relevante: Nos quartéis se trabalhava e falava em defesa da Pátria, fora deles somente de interesses pessoais.

 

Screenshot_20170817-094133

Não foi nenhuma novidade para mim. A surpresa foi saber que já naquela época era tudo igual a hoje e o detalhe irônico foi a resposta de um político ao ser perguntado pelo Presidente sobre os interesses do Brasil, ao que o político teria retrucado: ora, Presidente. A resposta nos leva ao entendimento de que ele queria dizer primeiro nós e depois o País. Uma pena.

Nesses dias de lava-jato em que os intocáveis não sabem ou não querem distinguir doação regular de campanha com pagamento de propina e em que a grande maioria dos políticos brasileiros são considerados bandidos, chego a me perguntar se melhor nao estaríamos se os militares tivessem continuado a governar o Brasil.

Para quem tiver interesse em conhecer um pouco da história do nosso País, segue a íntegra da entrevista, a qual está disponível no YouTube. 

O cômico, se não fosse trágico, é saber que foi justamente o Presidente Figueiredo o responsável pela Lei de Anistia e pela devolução do Poder aos Civis. Acredito que estes devem repensar suas práticas, para o bem do Brasil.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s