Fibra de lutador

Era por volta das 23h de um dos meus últimos momentos como membro titular do Tribunal Eleitoral do Maranhão quando meu celular tocou. Do outro lado da linha uma voz cansada, rouca e arrastada, porém marcante e inesquecível, se anunciava como o Senador Cafeteira. Surpreso com a ligação inédita, o atendi com o devido respeito que merece uma autoridade daquela envergadura. Ao desligar, um filme me veio à memória, o mesmo que vivencio hoje ao saber que ele, contra sua vontade, descansou.

Despertei para a política muito cedo. Lembro da figura do Governador Nunes Freire; de João Castelo e seu Governo de realizações de 1979 a 1982; de Luís Rocha governando para a produção rural de 1982 a 1986; lembro do Senador Castelo tentar retornar ao Governo do Estado em 86 e ser derrotado. Foi naquele ano que escutei, aos meus 16 anos, pela primeira vez o jingle que considero o mais emblemáticos da nossa política: “🎶“Cafeteira tem a fibra de um lutador. Cafeteira é povo unido, meu governador”🎶. Esse expressivo refrão o conduziu à vitória. Era repetido com entusiasmo nas ruas e nas rodas de debates só se falava que Castelo tinha trabalho pra mostrar e dinheiro, mas carisma quem tinha era o ex-prefeito da capital, o qual tinha a seu lado, pela primeira vez, seu até então adversário José Sarney. Lembro também que naquele ano eu lutava pela eleição do Dr. Mauro Fecury para Deputado Federal, distribuindo santinhos juntamente com meu amigo/irmão Clóvis Fecury.

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Tenho na memória que perto dos exitosos governos anteriores, o dele não deixou a desejar. O assistencialismo foi uma marca e a duplicação e asfaltamento da Avenida dos Holandeses da Ponta Dareia até o final do Olho D’água, bem como o viaduto do Café, a terceira pista da ponte José Sarney, a nova Rodoviária e a reforma do aeroporto, grandes heranças. Já não fosse suficiente, ele legou a São Luís e ao Maranhão o “Projeto Reviver”, o qual garantiu que nossa Capital se tornasse, posteriormente, Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade.  O Governador deixou o governo e se elegeu Senador da República. Foi sucedido pelo Vice-governador João Alberto e este por Edison Lobão, eleito para o mandato de 1991 a 1994.

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Nas eleições de 1994, o Senador Cafeteira reeditou seu maravilhoso jingle para tentar se eleger governador outra vez. Foi derrotado pela diferença de 18 mil votos para Roseana Sarney. Nesse ano eu assisti um comício dele na Cidade Operária. Fiquei impressionado com seu dominio de público. Era um verdadeiro comunicador. Não discursava, conversava com o povo, contava piadas e relembrava suas realizações. Em 1998 tentou outra vez, sendo novamente derrotado. Perdeu a eleição para o Senado em 2002 quando João Alberto se elegeu. Quatro anos depois, em 2006, aliado novamente a José Sarney, se elegeu outra vez para o Senado, sendo esse seu último mandato.

Cafeteira entra pra história como um político carismático, talvez o mais populista que o Maranhão já teve. Por muito tempo ainda ecoará na memória dos amantes da política os versos que embalaram suas jornadas eleitorais. Sem dúvida Cafeteira tinha a fibra de um lutador. Ele uniu o povo e realizou seu sonho: se tornou o seu Governador.

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