Reminiscências de pai

O segundo domingo de agosto é sempre uma data muito aguardada. Nele rendemos homenagens aos nossos Pais e avós e para alguns pouquíssimos bisavós. Alguns, como eu que tive a bênção de Deus de ter filhos, recebem parabéns e presentes.

Não tenho mais avós paternos ou maternos, tampouco bisavós vivos. Tenho pai e é para ele que dedico este ensaio.

Durante boa parte da minha vida eu tive um grande objetivo e este era crescer aos olhos dos meus pais, notadamente dele, meu grande ídolo.

Foi com ele que aprendi a amar o futebol, o que fez de mim um destacado atleta de minha geração. Nossas brincadeiras de passe ao gol em nossa casa do ipase ou as peladas na praia do olho d’água nas tardes de sábado marcam o início de tudo. Defendi por 10 anos a seleção maranhense de FUTSAL, mas todos esses anos de incontáveis vitórias e poucas derrotas não me deixaram mais feliz do que no dia em que joguei contra o SUMOV do Ceará como capitão da seleção maranhense e tive a alegria de vê-lo pela primeira e única vez na arquibancada do Ginásio Costa Rodrigues me vendo jogar. Nem mesmo o sofrimento para conseguir jogar os Jogos Estudantis Brasileiros de 1987 e as memoráveis partidas que fiz em Campo Grande-MS e que me renderam o reconhecimento como melhor goleiro da competição ficaram tão marcadas na minha memória quanto aquele dia em que os campeões brasileiros categoria adulto tiveram que suar a camisa para conseguir empatar com nossa Seleção Juvenil em 2 x 2.

Nunca o recriminei por não acompanhar de perto minhas façanhas futebolísticas. Sempre soube entender que suas ausências estavam ligadas às incontáveis horas de trabalho dedicadas ao crescimento do nosso Estado.

Sim, o garoto de origem humilde do povoado Carema em Santa Rita se tornara, pela força do seu estudo em escola pública e de sua competência, o maior técnico em administração governamental que este Estado já produziu, consoante o imortal Bernardo Coelho de Almeida em sua obra ‘Éramos felizes e não sabíamos ‘.

O aluno de maior nota do Colégio Liceu Maranhense foi aprovado em primeiro lugar para o vestibular da faculdade de direito. O tote de Carema se tornou o Dr. Muniz. O datilógrafo da SUDEMA se tornou o Chefe da Casa Civil do Governo do Estado do Maranhão. O filho de José Bonifácio se tornou o patriarca, orientador e arrimo da Família Muniz.

Meu pai foi muito mais de outros maranhenses que meu. Foi e é de muitos. Sinto indisfarçável orgulho em ver o respeito e admiração de tantos por sua pessoa.

Para mim, restou acompanhar seus passos e tentar ser uma pequena porcentagem do grande homem que ele é.

Por seus exemplos me tornei advogado. Pra distribuir seu espírito de justiça me tornei Juiz eleitoral. Em homenagem a sua dedicação ao trabalho me tornei o juiz que mais julgou na história do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão.

Neste momento em que as lágrimas me banham a face pelas incontáveis lembranças dos momentos especiais vividos, homenageio meu pai em nome de todos os pais e digo muito obrigado por ter feito de mim um homem de bem e um pai amoroso. Estivemos juntos no último domingo. Toda a família reunida em torno de uma grande mesa. Rimos muito e relembramos bons momentos. Do meu lugar eu lhe observava (quantos filhos gostariam de poder estar mais um segundo ao lado dos seus pais). De mim transbordava orgulho. Espero um dia ser para os meus filhos o exemplo de correção que o senhor é para mim e que um dia eles possam ter, de mim, também boas recordações.

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