MAMÃE

Sempre que volto os olhos para o passado encontro em algum registo fonográfico as lembranças que procuro. Hoje lembrei que em 1978 meu pai adquiriu de seu grande amigo Benedito Buzar um chevete bege com toca-fitas e nele, a primeira a tocar era uma coletânea de Roberto Carlos. Foi a primeira vez que eu escutei a música Lady Laura. Seus versos, arrancados do fundo d’alma do autor, refletem como poucos o sentimento único de amor de um filho para com sua mãe.

“Tenho às vezes vontade de ser
Novamente um menino
E na hora do meu desespero
Gritar por você
Te pedir que me abrace
E me leve de volta pra casa
Que me conte uma história bonita
E me faça dormir

Só queria ouvir sua voz.
Me dizendo sorrindo:
Aproveite o seu tempo
Você ainda é um menino

Apesar da distância e do tempo
Eu não posso esconder
Tudo isso eu às vezes preciso
Escutar de você

Quantas vezes me sinto perdido
No meio da noite
Com problemas e angústias
Que só gente grande é que tem

Me afagando os cabelos
Você certamente diria:
Amanhã de manhã
Você vai se sair muito bem

Quando eu era criança
Podia chorar nos seus braços
E ouvir tanta coisa bonita
Na minha aflição

Nos momentos alegres
Sentado ao seu lado sorria
E nas horas difíceis podia
Apertar sua mão

Tenho às vezes vontade
De ser novamente um menino
Muito embora você sempre ache
Que eu ainda sou

Toda vez que te abraço
E te beijo sem nada dizer
Você diz tudo que eu preciso
Escutar de você”

Sempre que escuto essa música tenho a certeza de que o autor foi tocado por Deus. Quanta sabedoria e realidade em tão poucos versos! Quantos de nós não clamamos por elas nos momentos de aflição? Quantos não tiveram em seu colo afetuoso e na voz doce a segurança para um sono tranquilo? Quantos ainda hoje adultos procuram refúgio em seu ombro e encontram respostas às suas perguntas?

Penso naqueles que tem algum tipo de dificuldade e encontram nas mães uma fortaleza. Mesmo cansadas pela longa jornada diária são incansáveis no propósito de lhes trabalhar o caminho.

Tive a bênção de poder acompanhar o nascimento dos meus filhos. É impossível negar o vínculo maior entre mãe e filho. Elas lhes dão a vida. Carregam em seu ventre durante a gestação sendo com eles ligadas pelo cordão umbilical e mesmo após o nascimento é para os seus braços que primeiro retornam pro alimento inicial. Enfim, mãe é mãe.

Nos meus tempos de atleta, sempre que estávamos retornando de algum campeonato, eu costumava cantar a música fogão de lenha, imortalizada na voz de Chitãozinho e Xororó. Ela bem retrata o retorno para o carinho maternal.

“Espere minha mãe estou voltando
Que falta faz pra mim um beijo seu
O orvalho das manhãs cobrindo as flores
Um raio de luar que era tão meu
O sonho de grandeza, ó mãe querida
Um dia separou você e eu
Queria tanto ser alguém na vida
Apenas sou mais um que se perdeu

Pegue a viola, e a sanfona que eu tocava
Deixe um bule de café em cima do fogão
Fogão de lenha, e uma rede na varanda
Arrume tudo mãe querida, que seu filho vai voltar

Mãe eu lembro tanto a nossa casa
As coisas que falou quando eu saí
Lembro do meu pai que ficou triste
E nunca mais cantou depois que eu partí
Hoje eu já sei, ó mãe querida
Nas lições da vida eu aprendi
O que eu vim procurar aqui distante
Eu sempre tive tudo e tudo está ai”

Sei que não são eternas a não ser na lembrança e no amor. Sei que hoje, quando estiver ao lado da minha, inúmeros não terão a mesma sorte. Hoje abraçarei minha mãe de forma diferente. O farei na convicção da reflexão de hoje. Abraçarei a ela pelos amigos e parentes que já não podem abraçar as suas. Peço que aqueles que podem não percam a oportunidade. Abrace a sua e lhe diga: eu te amo, mamãe.

Feliz dia das mães.

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Tutóia(MA): sol, belezas e sabores

O vento não cessa. É fim de tarde e a brisa do mar invade o ambiente que lhe margeia. Olho pro horizonte distante e relembro, com alegria, momentos da minha vida e carreira que me deixaram com a sensação plena de realização que vivencio agora. Estou a trabalho em Tutóia (MA), de frente para o mar na Pousada Jagatá, local que merece o nome que tem: é um pouso do qual não se tem a menor vontade de sair. Na verdade, o desejo de todo o corpo é ali permanecer, entregue à sonoridade do mar, ao seu cheiro, ao bem estar proporcionado pelo ambiente e o bom atendimento da equipe capitaneada pelo Marcos Jagatá, um pernambucano Boa praça proprietário do lugar e por Samara, uma funcionária nota mil. A Jagatá esbanja conforto e não deixa nada a dever aos hotéis do litoral maranhense, sem contar com o delicioso e farto café matinal. Para almoço ou jantar, é possível se deliciar com os grelhados do restaurante vizinho Sarapó, o qual disponibiliza servir os pratos em suas agradáveis instalações (ótimas para fotografias panorâmicas) ou na própria Pousada.

 

 

Nos últimos anos, narrei com alegria infinita os encantos dos Lençóis Maranhenses e do Delta das Américas; de Santo Amaro do Maranhão a Araioses, passando com todo o destaque que merece por nossa querida Barreirinhas. Cheguei agora aquela que é a casa do camaratu ou camarão açú ou ainda camarão lagosta: o famoso camarão gigante de Tutóia. Um animal marinho cujo tamanho ultrapassa as minhas mãos de goleiro do passado e que em muito se assemelha ao camarão Gigante da Malásia, sendo que o nosso tem mais carne.

Tutóia surpreende por inúmeros fatores, sobressaindo a acolhida do povo tutoiense, as belezas naturais e a maravilhosa culinária. Chegar aqui, contudo, não foi nada fácil.

Com efeito, de uma programação que nos permitiria chegar às 21h, tivemos que nos submeter à realidade de sair às 19h de São Luís, o que nos levou a parar prematuramente para jantar no restaurante da Pousada Quebra Anzol de Morros, quase duas horas depois da nossa partida. Duras 1:30 de parada, para, em seguida, encontrar de frente a realidade imposta pelo nosso governo: crateras dignas do solo lunar nos aguardavam na estrada para Barreirinhas, a BR-402. Em alguns casos, chamar de buraco seria um elogio, haja vista o tamanho daqueles. Por pouco não sofri um acidente de grandes proporções. Para quem não sabe, a estrada para Barreirinhas é uma BR encavalada numa MA, o que faz do atual ocupante dos Leões co-responsável pela sua manutenção. É inadmissível um administrador desse quilate pretender ser candidato a Presidente da República se ele não consegue manter trafegável uma via de acesso turístico, gerando a insegurança em todos aqueles que pretendem conhecer os lençóis maranhenses.

Senhor Governador, quem vem aos lençóis e trafega por uma via como essa não volta e nem recomenda. O senhor, nesse pormenor, como governador é um excelente folião de carnaval. Remaneje parte dos 20 milhões que dizem ser hoje o orçamento da comunicação para recuperar essa estrada. Não gastará 50 mil. Converse com seus Secretários Rodrigo Lago e Catulézinho. Eles que não trafegam de helicóptero como o senhor certamente lhe certificarão da necessidade de um tapa-buracos emergencial para não perder de vez a estrada e a vida dos turistas. O turismo é uma das maiores fontes de receita para Estados e Municípios. Faz circular uma fortuna em dinheiro. Temos esses paraísos à disposição. É necessário cuidar bem deles e divulgar cada vez mais as suas existências para atrair recursos, mas para isso é preciso garantir o mínimo de infraestrutura. 

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Ainda bem que a beleza do lugar supera qualquer dificuldade.

Com tudo isso e mesmo após trafegar pela Barreirinhas/Paulino Neves, MA-315 inaugurada em janeiro de 2019 e que simplesmente não existe (São 38 km de puro buraco, lama, alagados, remendos e insegurança), não tem como não chegar nesse paraíso e não exclamar que Deus existe.

Chegamos quase mortos, mas em compensação tivemos uma excelente dormida e um delicioso café da manhã, o que nos garantiu a energia suficiente para explorar as maravilhas do lugar, para o que contamos com o prestimoso auxílio de Rangel,  um guia oriundo de Coelho Neto, ligado ao meu amigo Daniel Gedeon, e radicado em Tutóia a tempo suficiente para dizer-se apaixonado pelo lugar, tanto quanto pelos cavalos de vaquejada que constituem o seu lazer. Foi ele quem nos apresentou, após uma parada estratégica na Global Distribuidora de Bebidas para aquisição de víveres (cerveja, água e refrigerantes), em um passeio de Toyota, as praias da barra, arpoador, dos Félix ou moita verde, do amor e os pequenos lençóis, estes dois últimos  espaços maravilhosos para um banho de mar e para esquecer da vida num bronzeamento natural.

 

 

Seguimos para conhecer os pequenos lençóis após o banho de mar na praia do amor, não sem antes encostar, na passagem, no restaurante do Padinha para deixar encomendado o delicioso almoço com que saciaríamos a fome posteriormente. Topíssimo. Medida adotada, seguimos para nosso espetacular destino. Verdadeiramente impactante. Um oásis no meio de areias tão brancas. É impossível não se emocionar com a grandeza da obra de Deus. No local, a simplicidade e o carinho de nativos como Diego, popularmente conhecido como Dadinha, nos garantiu a certeza de que ainda existem pessoas puras no mundo. Dividiu conosco as tilápias que havia pescado e seu acampamento e ainda, com toda a gentileza do mundo, ainda nos presenteou com dois cocos que fez questão de apanhar mostrando sua habilidade em subir no coqueiro.

 

 

Hora de retornar para o almoço. Padinha já nos aguardava com um menu classe A (camaroada no leite de Coco e pescada frita) e uma cervejinha trincando de gelada. Bom demais. Retornamos para a Jagatá. Recuperar as energias era a palavra de ordem. Piscina e rede cuidaram de tudo.

Uma noite estrelada nos chamou para conhecer o centro de Tutóia e encontrar um lugar aprazível para o jantar. A bela arquitetura praiana de época contrastando com prédios modernos nos chamou a atenção, bem como a beleza singular da Igreja Matriz. Pausa para a alimentação, afinal nem somente de contemplação vive o homem. Encontramos no Restaurante Jhony muito mais que poderíamos esperar: uma casa com pelo menos quatro ambientes, dentre os quais um com ar-condicionado. Com um cardápio variado que vai do sanduíche aos pratos requintados, passando por tira-gostos, pizzas e até churrasquinhos, o restaurante nos encheu os olhos. Os adultos optaram por uma deliciosa camaroada sem leite de coco e sem creme de leite (fantástica) e as crianças por cheeseburger e churrasquinho. Ponto para a qualidade da comida e para o atendimento. Impecáveis. Vale a pena dedicar parte da noite para esse festim da gula. Dou com louvor 5 estrelas para o cardápio despojado do Jhony. É um local que vale à pena visitar.

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Dia seguinte, Deus ajuda a quem cedo madruga. Trabalho realizado, café tomado, descemos de carro para as praias da barra e arpoador em busca de sardinhas ou arenques para minha sogra Etiene. Vivenciamos uma experiência ímpar junto aos pescadores. Num dado momento me vi ajudando a retirar do mar uma grande e pesada rede de pesca tendo ao lado meu pequeno Sérgio Henrique usando toda sua enorme força para me ajudar na tarefa. Enquanto puxávamos a rede, Sérgio Filho, Vanessa, Janaina e D. Eti fotografavam aquele inusitado contato com estrelas do mar, arraias, siris, camarões e vários tipos de peixes. Simplesmente inesquecível.

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Tutóia nos conquistou. Ficará para sempre em nossa memória. Na cabeça a vontade de retornar em breve. No peito a saudade de momentos únicos vividos. Para vocês que algum dia irão ler esse registro, deixo o convite para vir conhecer os lençóis maranhenses e o nosso Delta das Américas (no mundo existem ainda outros dois, o Delta do Rio Congo e o Delta do Rio Nilo). Conheçam Tutóia e se permitam desfrutar de seu sol, de suas belezas e dos seus sabores. Entreguem-se ao prazer de descansar e amar nesse belo recanto à beira do mar.

Uma prisão temerária

Tenho evitado escrever nas últimas semanas. Não estou a vontade  e se assim me encontro é sinal de que não estou feliz. Observo muito e diante de tanto mimimi nesse primeiro trimestre  achei melhor ficar em silêncio. Afinal, se indispor pra quê? Cada um tem sua opinião sobre tudo o que está ocorrendo no Brasil e, portanto, não serei eu quem vai quebrar ponta de lança para mudar o mundo. Como disse a “música”: “ado, aado, cada um no seu quadrado ” e parafraseando Voltaire: Não concordo com nada do que dizes, mas defenderei até a morte teu direito de dizer o que pensas. Contudo, hoje quebro o meu silêncio para tecer considerações, ainda que breves, acerca da prisão do ex-Presidente Michel Temer e pessoas ligadas a ele.

Com efeito, destaco da ordem de prisão preventiva que esta seria para garantia da ordem pública. Que tristeza. Esperava, pelo menos, um elemento motivacional mais palpável. Esclareço.  Dispõe o artigo 312 do Código de Processo Penal:

“Art. 312. A prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).”

Não basta somente isso.

Trocando em miúdos é necessário que aquele que suportará a prisão esteja praticando atos de obstrução da justiça, como por exemplo que esteja destruindo ou ocultando prova; coagido testemunhas ou praticando qualquer ato que inviabilize a efetivação da justiça. É necessário uma concomitância temporal entre a prática do ato ilícito e as ações voltadas para sua ocultação. No caso em testilha, quer me parecer que essa concomitância não existe (até mesmo por distar mais de cinco anos da prática do pseudo ilícito) bem como que não haveria uma continuidade delitiva.

Não bastasse tudo o quanto aqui apontado, não se tem conhecimento de que o ex-Presidente estaria ocultando ou destruindo provas, nem tampouco coagindo testemunhas. Data vênia, seria verdadeiramente absurdo se imaginar que o ex-Presidente, sabedor que era da investigação em curso, e sendo professor de direito, viesse agora a constranger testemunha ou ocultar ou destruir prova. Se tivesse que fazer já o teria feito, até mesmo por saber a bastante tempo que estava sendo investigado. Assim, por esses elementos não se admitiria a prisão, sem contar que possui bons antecedentes, endereço fixo e local de trabalho definido, não tendo se furtado jamais em atender aos chamamentos do Poder Judiciário.

Analisando por outro prisma, se disse que teria havido uma tentativa de depósito de 20 milhoes na conta de Michel Temer. Creio que o ex-Presidente está ficando velho, mas não doido e nem burro. Sabendo que estava sob investigação, beira o ridículo achar que permitiria que tal depósito fosse efetivado. Seria o mesmo que amarrar cachorro com linguiça. Todo o resto me parece ser indício, mas nada de prova concreta. Portanto,  sob o meu ponto de vista, foi desnecessária a prisão e, para mim, realizada como foi, só serviu para elevar a moral da lava jato após sua tentativa infeliz de retirar da justiça eleitoral a competência para julgamento dos crimes conexos aos crimes eleitorais. Os fins não justificam os meios e por mais que a operação lava jato tenha tido grandes êxitos, não se pode rasgar a Constituição e nem o nosso ordenamento jurídico para substitui-los pelo novel direito de Curitiba.

Prisão não pode ser ao arrepio da lei. É preciso que se entenda que o que se busca é justiça. Parece que estão buscando justiçamento. Passou-se a semana que sucedeu ao julgamento pelo STF dos crimes conexos a jogar o povo contra o Supremo Tribunal Federal sob o argumento de que estavam enfraquecendo a lava jato. Concordo com o voto e até com o desabafo do Ministro Gilmar Mendes.

Não se iluda, povo brasileiro. TUDO não passa de uma luta pelo poder. A lava jato quer manter seu protagonismo. Ocorre que a especializada é a Justiça Eleitoral e, como tal, é preventa. A competência para julgamento dos crimes conexos é da Justiça Eleitoral desde 1932. Não é a Justiça Eleitoral quem quer esvaziar a lava jato. É a lava jato quem quer esvaziar a Justiça Eleitoral. Agora dizer que esta não tem estrutura ou competência para julgá-los beirou o ridículo. Quem investiga e prende para Justiça Eleitoral é a Polícia Federal, a mesma que investiga e prende para a Justiça Federal. Quem denuncia é um Procurador da República, salvo se a competência for do Juiz de direito com função eleitoral em que a competência para denunciar em primeiro grau será do promotor de justiça. Subindo em recurso, quem julga no TRF sediado em Curitiba é uma Câmara do Tribunal respectivo formada por 3 Desembargadores. Na Justiça Eleitoral em 2 grau temos 7 julgadores, sendo 2 Desembargadores; um membro da Justiça Federal; 2 juízes estaduais e 2 juristas e quem denuncia é um Procurador da República. Logo, a possibilidade da justiça eleitoral julgar melhor é maior, sem contar que pode convocar qualquer técnico que eles entendam necessário para investigar e processar determinada causa. É preciso parar de enganar o brasileiro de que tudo vai enfraquecer a Lava Jato e que o combate à corrupção corre risco. Chega a ser covarde divulgações dessa natureza. Portanto e antes que me esqueça, digo aos mosqueteiros “intocáveis” de Curitiba: senhores, me comprem um bode.

Voltando ao caso Temer, eu torço para que o Tribunal Regional Federal da 2. Região (o que tem jurisdição sobre a Justiça Federal do Rio de Janeiro onde foi decretada a medida cautelar), revogue o quanto antes essa prisão e todas as outras que lhe seguiram. Afinal, ninguém merece ser preso quando não concorrerem os requisitos da norma nem tampouco ficar na prisão por mais de um ano quando antes se entendia ser somente por trinta dias a preventiva. Para mim beira a tortura. Se assim não ocorrer, que o Supremo Tribunal Federal o faça em respeito a nossa Constituição após o esgotamento da instância no Tribunal Federal.

Não preciso ir muito longe para encontrar julgados que amparam tudo o quanto disse aqui. O TRF da 1. Região, Tribunal com jurisdição sobre o Maranhão, tem incontáveis decisões nesse sentido, sendo do Desembargador Federal Maranhense Ney de Barros Bello Filho uma das mais bem fundamentadas, prolatada no caso Geddel Vieira Lima. Recomendo que busquem na blogosfera. Nela, ele demonstra que em casos desse jaez a preventiva não é a melhor medida. Espero que o Tribunal Regional Federal da 2. Região adote o mesmo entendimento, até mesmo em homenagem ao princípio da segurança jurídica.

Como tenho dito, quem hoje aplaude a prisão do Temer é o mesmo que amanhã se indignará pelo fato do seu amigo ou parente ter sido preso sem o preenchimento dos requisitos legais. É o mesmo que chorará pelo parente ou amigo que amarga uma prisão preventiva por mais de 30 dias.

Prisão preventiva é exceção e como tal só deve ser decretada em situações excepcionalíssimas. Não me parece ter sido o caso. Não concordo com essa prisão temerária.

Um galo exponencial

10 segundos para vencer é um filme nacional que conta a história de um dos maiores ídolos do esporte nacional, o pugilista Éder Jofre, bi-campeão mundial no peso galo e campeão mundial peso pena. Nesta semana, a película chegou aos lares de todos os brasileiros convertida no formato de minisérie e sendo exibida pela Rede Globo.

No mundo do boxe (luta com os punhos conhecida como ‘a nobre arte’ por ser, no início, permitida a prática apenas por integrantes da nobreza), o brasileiro Éder Jofre é considerado um dos 10 (dez) maiores lutadores de todos os tempos, estando ao lado de ícones como Mohammad Ali, Sugar Ray Robinson, Sugar Ray Leonard, Roberto ‘manos de piedra’ Duran e Júlio César Chaves, somente para citar alguns.

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Éder Jofre com seu pai e treinador Kid Jofre

Em 1960, já ranqueado como o melhor galo sul-americano, Éder Jofre foi levado para lutar nos Estados Unidos da América e sua primeira luta foi contra o segundo colocado no ranking mundial de então, o mexicano Joe Medel. Apesar de ter tido pouco tempo para se preparar para a luta e sofrer muito para atingir o peso da categoria, Éder venceu por nocaute, calando os debochados americanos que diziam ser ele um lutador vindo da selva e pavimentando sua caminhada rumo ao primeiro título mundial que viria meses depois em uma nova vitória por nocaute contra o também mexicano Eloy Sanchez.

Em 1961, Éder Jofre luta e vence o Irlandês Jhonny Caldwell unificando o título mundial dos galos, assim permanecendo como detentor do título unificado até 1965 quando foi derrotado, em decisão controvertida, por Masahiko Harada. Em luta revanche, também no Japão, nova derrota também por pontos, o que faz com que o galo de ouro deixasse os ringues. Somente em 1970 Éder volta a lutar, mas desta feita no Peso Pena.

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Em maio de 1973, o grande pugilista brasileiro conquista o título mundial peso pena ao vencer o Cubano José Legra, assim permanecendo até 1976 quando deixou os ringues sem ser derrotado nessa categoria, ficando o título vago em virtude de não ter havido sua defesa no prazo legal. Lutou 81 vezes, venceu 75 e destas 52 foram por nocaute. Teve 4 empates e apenas 2 derrotas, ambas controvertidas para Harada do Japão.

Até hoje, somente 2 (dois) brasileiros se tornaram campeões mundiais de boxe, quais sejam Éder Jofre e Acelino Popó Freitas. Coincidentemente ambos se tornaram políticos depois da aposentadoria. Popó foi Deputado Federal pela Bahia e Éder foi Vereador Constituinte por São Paulo, sendo signatário da Lei Orgânica daquele município. Dentre suas contribuições como parlamentar está, por exemplo, a Lei que garantiu o transporte gratuito para os idosos. Éder foi, assim, campeão também no parlamento.

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Tive a grata satisfação de assistir, nesta data, pela minisérie, a reprodução da primeira luta de Éder Jofre contra Joe Mendel (primeira porque voltaram a se enfrentar anos depois, sendo o brasileiro novamente vencedor e outra vez por nocaute), esta que é considerada pelos especialista como uma das maiores lutas de todos os tempos. Confesso que me emocionei. Éder está para o nosso boxe como o Pelé está para o nosso futebol ou como Maria Ester Bueno para o tênis feminino e Guga para o masculino. Como Ademar Ferreira da Silva está para o atletismo ou como Airton Senna está para o automobilismo. São verdadeiros extraterrestres. Hehehe.

Como vocês podem ver, gosto muito de boxe. Lembro das últimas lutas de Éder, da famosa luta de Mohammad Ali x Jorge Foreman em Kinshasa, na África quando Ali reconquistou o título mundial; da histórica conquista de Sugar Ray Leonard sobre Marvin Hagler; Rocky Marciano sobre Joe Louis; Homes x Spinks; a sequência avassaladora de vitórias de Mike Tyson; as lutas de Maguila e Popó; vi Julio César Chaves lutar; Roberto Duran; Floyd Mayweather, Manny Pacquiao, etc. Lutar boxe é esguimar com as mãos.

A nós, brasileiros, resta o orgulho de poder dizer que nosso País produziu um dos maiores lutadores de todos os tempos, o galo de ouro.

Éder Jofre foi, é e será sempre um galo exponencial. Um brasileiro que conquistou, literalmente com as mãos, a respeitabilidade mundial. Um grande orgulho para todos os brasileiros. Um verdadeiro herói nacional.

Por um novo amanhã

Desde ontem eu buscava uma forma de expressar esse sentimento que trazia comigo. Voltava os olhos para o passado próximo e revia esse 2018 que finda, mas não conseguia colocar no papel as impressões que tinha e tenho sobre tudo o que vi e vivi. Tempos estranhos. Afinal, foi um ano de arrocho, grandes perdas – algumas irreparáveis – mas também de conquistas historicas. A crise foi controlada, mas não revertida. Muitas empresas fecharam, tivemos aumento de impostos, muito desemprego, fome crescente, mortes a granel, enfim, nada do que se orgulhar. Contudo, dentre tantas coisas ruins, perder o Museu Nacional para as chamas me pareceu ser a de maior significado por tudo o que representa. Tive a sorte de tê-lo conhecido aos 11 anos e de ter podido levar meus filhos para conhecer. Milhões não tiveram e nem terão essa possibilidade.

Nem tudo, entretanto, foram tragédias. Voltei a lecionar em grande estilo – na maior universidade particular do norte, nordeste e centro-oeste do Brasil, a Uniceuma – e conquistei o respeito e o carinho dos meus alunos; vi minha filha Vanessa terminar o ensino médio e ser aprovada no vestibular para Odontologia, meu caçula Sérgio Henrique se alfabetizar e meu Sérgio Filho se desenvolver como atleta e consolidar seu caminho educacional. Momentos de grande alegria que a emoção não permitiu transformar em texto. Quanto aos filhos, méritos pessoais deles e de sua incansável mãe.

No campo político, perdemos as eleições locais para o Governo do Estado, mas impedimos o comunismo de se apoderar da OAB, reelegendo Thiago Diaz Presidente. Vencemos para Presidente da República com Jair Messias Bolsonaro, destinatário das nossas maiores esperanças de um Brasil melhor, mais austero e igualitário, desenvolvimentista, justo e gerador de oportunidades para todos. Brasil acima de tudo e Deus acima de todos é um novo lema a vigorar lado a lado com o nosso Ordem e Progresso.

Não nutro grandes expectativas quanto ao Maranhão num primeiro momento. Transbordo-as quanto ao nosso País e espero que possamos ajudar a fazer um mundo melhor. Tem muita coisa errada acontecendo que precisa ser corrigida. É preciso combater a fome, melhorar a saúde e a educação, reedificar as estruturas do mundo para garantir um amanhã melhor para os nossos filhos e para aqueles que virão depois deles. É chegada a hora de replantar a semente. Como já dizia Olavo Bilac, é preciso desde a infância ir preparando o futuro. Afinal, não nasce a planta perfeita, não nasce o fruto maduro, e para obter a colheita é preciso semear.

Hoje pela manhã, recebi por Whatsapp o vídeo que agora divido com vocês. Trata-se de uma bela canção de Michael Jackson regravada pelo cantor Daniel e por três crianças que ajudam a disseminar esse grito de esperança por dias melhores. Confesso que já não me lembrava dela. Fui em busca da tradução e posto aqui também para o conhecimento de todos o original legendado e a regravação.

Heal The World (tradução)

Michael Jackson

Essential Michael Jackson

 

Cure o Mundo

“Pense sobre as gerações e elas dizem

Nós queremos fazer deste mundo um lugar melhor

Para nossos filhos

E para os filhos dos nossos filhos

Para que eles saibam

Que este é um mundo melhor para eles

E saibam que podem

fazer deste um lugar ainda melhor

Há um lugar no seu coração

E eu sei que é amor

E este lugar pode ser

Muito mais brilhante do que amanhã

E se você realmente tentar

Você descobrirá que não há necessidade de chorar

Neste lugar você vai sentir

Que não há mágoa ou tristeza

Há caminhos para chegar lá

Se você se importa o suficiente com a vida

Faça um pouco de espaço

Faça dele um lugar melhor

Cure o mundo

Faça dele um lugar melhor

Para você e para mim

E toda a raça humana

Há pessoas morrendo

Se você se importa o suficiente com a vida

Faça dele um lugar melhor

Para você e para mim

Se você quer saber porque

O amor não pode mentir

O amor é forte

E só nos dá dádivas alegres

Se nós tentarmos, nós veremos

Nesta benção

Não podemos sentir medo ou temor

Paremos o existir e comecemos o viver

Em seguida, sempre sentiremos

Que o amor é suficiente para nós crescermos

Então faça um mundo melhor

Faça um mundo melhor

Cure o mundo

Faça dele um lugar melhor

Para você e para mim

E toda a raça humana

Há pessoas morrendo

Se você se importa o suficiente com a vida

Faça dele um lugar melhor

Para você e para mim

E o sonho em que fomos concebidos

Revelará um rosto alegre

E o mundo em que sempre acreditamos

Brilhará novamente em graça

Então por que continuamos sufocando a vida?

Ferindo a Terra, crucificando sua alma

Mas é claro ver

Que este mundo é divino, é a luz de Deus

Nós podemos voar tão alto

E nunca deixe nossos espíritos morrerem

No meu coração eu sinto

Vocês todos meus irmãos

Crie um mundo sem medo

Juntos nós choraremos lágrimas de alegria

Veja as nações transformarem suas espadas

Em arados

Nós realmente poderíamos chegar lá

Se você se importou o suficiente com a vida

Faça um pouco de espaço

Para fazer um lugar melhor

Cure o mundo

Faça dele um lugar melhor

Para você e para mim

E toda a raça humana

Há pessoas morrendo

Se você se importa o suficiente com a vida

Faça dele um lugar melhor

Para você e para mim

Há pessoas morrendo

Se você se importa o suficiente com a vida

Faça dele um lugar melhor

Para você e para mim

Para você e para mim

(Faça um lugar melhor)

Para você e para mim

(Cure o mundo em que vivemos)

Para você e para mim

(Salve-o para nossas crianças)

Heal The World

”Think about the generations and they say:

– We want to make it a better place

For our children

Acredito que também podemos dar a nossa contribuição, seja dando bons exemplos para as crianças, orientando a não colar na escola, plantando uma árvore, seja não jogando lixo nas ruas ou nos rios e praias, apenas para citar alguns exemplos. Um pequeno gesto pode representar muito no futuro.

Existem pessoas morrendo, por doenças, pelas drogas ou pela fome. Aprenda a dizer não quando necessário. É preferível ver seu filho chorar hoje pelo que não alcançou do que vocês chorarem pela tragédia que se abateu sobre todos pelo não que você deixou de dizer. A construção de um novo tempo começa em casa, hoje. Vamos ajudar a curar o mundo, por um novo amanhã.

Feliz ano novo.

A Despedida, a lágrima e a política

Confesso que mesmo sabendo que seria inevitável não me preparei espiritualmente para o dia de hoje. Já havia vivido algo próximo a isso anos atrás quando vi e o ouvi o Presidente Sarney comunicar à nação que não voltaria mais ao Senado. Contudo, tal qual ocorrera anos atrás, fui pego de surpresa com o anúncio feito diretamente da tribuna durante a sessão de número 158. Hoje não foi diferente. Me recuperando de uma virose chata que me acompanha a quase uma semana, por acaso sintonizei na TV Senado exatamente no momento em que o Senador Edison Lobão se despedia desta legislatura e do mandato que em breve se encerra. Logo logo será a vez do Senador João Alberto. Que falta farão todos vocês!

Talvez muitos que lerão este texto não saibam que Sarney, Lobão e João Alberto foram e são alguns dos mais honrados e respeitados Senadores da história da República e não por acaso partícipes de alguns dos mais importantes momentos políticos do nosso País. Nesta última legislatura, Lobão e João Alberto estiveram no centro das mais importantes discussões do Brasil, o primeiro por estar pela segunda vez presidindo a Comissão de Constituição e Justiça do Senado e o segundo como Vice-Presidente do Senado e Presidente da Comissão de Ética daquela Casa.

O ano de 1987 marca a chegada de Lobão ao Senado. Antes mesmo de ali chegar já dava importantes contribuições ao País, sendo responsável, por exemplo, pelo retorno do pagamento dos subsídios dos vereadores. Aquele foi o primeiro dos 32 (trinta e dois) anos em que lá esteve honrando e dignificando o Maranhão. Foi ali líder, Presidente e integrante de várias Comissões Técnicas, Presidente do Senado Federal. De lá saiu em três oportunidades. Uma para governar o Maranhão e duas para exercer a função de Ministro das Minas e Energia. No breve discurso que pronunciou hoje da tribuna do Senado deixou sintetizados os 4 (quatro) mandatos que cumpriu e um resumo de sua grandiosa dedicação ao Maranhão e ao Brasil. Não teria eu como deixar de registrar esse momento. Busquei em vídeo e registro aqui para posteridade esse resumo da contribuição de um valoroso maranhense para o Brasil. Assistam com paciência. Testemunharão a marca indelével da competência e do comprometimento em favor da causa do desenvolvimento e da probidade.

Durante essa verdadeira prestação de contas ao Maranhão e ao Brasil, pude observar em um flash de imagem vindo da galeria a presença em lágrimas de alguns de seus assessores, destacando-se a figura do competente Ewandro, por anos a fio seu Chefe de Gabinete no número 54 do anexo 2 da Ala Tancredo Neves do Senado. Tenho certeza de que as gotas ali derramadas eram de invulgar orgulho pela figura altruísta que se despedia. Nas realizações registradas por ele está também a marca da dedicação de toda uma equipe.

Com Lobão tivemos o Pré-sal; afastamos o pesadelo do apagão; desenvolvemos a energia eólica com vários leilões para sua exploração; construímos várias hidrelétricas como Estreito e Girau; tivemos o luz para todos com quinze milhões de domicílios beneficiados com energia elétrica, somente para citar alguns avanços no setor energético.

No Senado, por ele passaram questões e leis de importância ímpar para a Nação, Devemos a Lobão a possibilidade de votar para Governador. Se temos Ministério Público livre e atuante também devemos a ele, dentre tantas outras participações legislativas tão bem destacadas em seu pronunciamento aqui disponibilizado. Sempre digo que são raras as pessoas que podem repetir a frase do general Romano: vim, vi, venci. O Senhor travou o bom combate e para felicidade dos brasileiros foi vitorioso.

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Agora que as cortinas  do mandato que finda se fecham, congratulo-me juntamente com o Senador Cassio Cunha Lima em saber que não deixará a política. Parabenizo-lhe por seu legado como fez em aparte a Senadora Ana Amélia e o Senador Hélio José e finalizo registrando o meu mais profundo respeito e admiração, não sem antes agradecer por tudo que o senhor fez até hoje, pelo Maranhão e pelo Brasil.

Muito obrigado por tudo. Mesmo neste momento de despedida, entre lágrimas se soube que o Senhor permanecerá na política dando sua contribuição para o crescimento do Maranhão e do nosso País. Ganhamos todos nós.

Quando grita o silêncio

Quase não pude acreditar quando me vi assim, sozinho, envolvido em pensamentos desconexos, perdido no vazio da solidão de um minuto, no silêncio que oprime ou alimenta a alma. Reflexão tardia, talvez, poderiam dizer alguns, mas quando saber o momento se o tempo não define o agora, nem o antes e nem o depois? Doce lembrança de um tempo em que o calar da noite significava gravar uma fita do rádio, beber um Campari e sonhar, sozinho, com um futuro que nunca chegou, que jamais chegará.

Já é madrugada quando escrevo este texto. As luzes que vejo ao longe me transportam para um tempo distante e revivem em mim a lembrança de um dia em que, sozinho, 31 (trinta e um) anos atrás, na escuridão do meu quarto na casa 12 da quadra L do conjunto ipase, em São Luis do Maranhão (quebrada apenas pela luz do dial do meu aparelho de som), eu gravava uma fita K7 com as músicas do programa de Fátima de Franco que era transmitido pela Rádio Difusora FM, a partir da meia noite.

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Começo a sorrir. Hehehe. Não estou ficando louco. Apenas achei engraçado imaginar que muitos que terão a oportunidade de ler este texto não saberão do que estou falando. Eles são da era da informação avançada, da internet, do HD, do CD, do DVD e do blue-ray.  Hehehe. Eu e minhas memórias do século passado. Fita K7 (as melhores eram da Basf e da TDK) era aonde gravávamos as músicas para tocar depois nos toca-fitas dos carros, equalizadas nos Tojos que ficavam acoplados a eles. Era contemporânea do disco de vinil, uma bolacha que parecia ser de plástico rígido. Veio antes do CD. Tínhamos lojas desse produto, como a ‘SÓDISCOS’ de seu Augusto Castro, um portuga boa praça, pai do meu amigo de infância Cláudio Castro, o Catatau, um dos primeiros DJ’s do Maranhão e um posterior craque da informática, e de Eduardo, o mata 7, hoje colega advogado. Seu Augusto é avô de uma de minhas alunas do Ceuma III, cujo nome não revelarei para não gerar ciumes entre minhas amadas alunas. Tivemos nessa mesma época a fita de vídeo cassete, precursora do DVD, onde gravávamos os vídeos que registravam os nossos bons momentos. Tempos inesquecíveis.

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Fita K7

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Fita de vídeo cassete

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Toca fitas com Tojo acoplado

Volto ao dia recordado. Tinha me decidido a aprender a tomar Campari, uma bebida que sempre achei de linda cor, mas cujo gosto não me agradava. Comprei uma garrafa para o aprendizado. Lembro como se fosse hoje. Moleque de 17 (dezesete) para 18 (dezoito) anos aprendendo a ser homem. Pense num primeiro gole difícil de descer. Amargo demais. Puro remédio. Nada que umas gotas de limão não resolvessem. Segundo, mais ou menos. Do terceiro em diante só alegria. Boa bebida, um cigarro Carlton, uma boa seleção musical. Tudo o que um jovem poderia querer de bom (?). Naquela época era zero preocupação. Só queria viver, amar e jogar futebol. De responsabilidade apenas a preocupação com o vestibular que não tardaria a chegar. Meu sonho de então era ganhar na loteria, comprar um furgão da furglaine (acho que era esse o nome) e queimar asfalto, viajar muito por terra como sempre gostei.

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Nunca ganhei na loteria, não comprei o furgão e nem viajei com ele. Não me tornei o jogador de futebol que um dia sonhei me tornar. Joguei muito, bem sei, mas não tive o apoio que precisava para tanto. Parei de fumar e de tomar Campari, o que faço muito raramente. Estudei, me tornei advogado, me destaquei na minha profissão, fiquei famoso, virei professor universitário e um esforçado contador de histórias. Hehehe. Continuei liso. Hehehe. 

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Um jovem cabeludo aos 17 anos

Esta semana comecei a me despedir dos meus alunos. Foi uma semana feliz. Senti e li em suas palavras postadas nas redes sociais o seu carinho por mim (sinal que não me sai tão mau). Hehehe. Agora, no ensurdecedor grito que esse silêncio que a madrugada me impõe, sinto saudade do sonho que nunca se realizou, tenho convicção de que estou ajudando a construir o futuro, mas agora sinto falta de algo mais que me complete, como uma quarta dose de Campari e uma boa música gravada do programa da Fátima, para em seguida desligar o rádio, apagar o dial e dormir, acordando na realidade do futuro que chegou, escrito pelas linhas do destino que Deus me reservou.