Um Dourado espetacular

Em novembro de 2000 eu iniciei um novo ciclo profissional quando fui convidado a integrar o prestigiado escritório de advocacia municipalista Sousa & Sousa advogados associados. Meu amigo Lino Osvaldo tinha decidido se submeter ao concurso de Juiz Federal e precisava de alguém que conhecesse de assessoria municipalista para fazer suas vezes a partir de então. Comecava ali em projeto de expansão que culminou com o escritório passando de 7 municípios no inicio de 2001 para 21 no final do ano. Foi nessa época que o conheci.

Uma Secretária e correligionária dele teve um problema jurídico e precisava ser defendida. Ele veio trazer o caso para o escritório. Chegou chegando como era do seu estilo. Era grande, forte, falava e ria alto. Exigentíssimo com a prestação de serviço que recebia. Mostrou a inicial para Dr. Salomão, pai de Lino e foi logo dizendo que queria um craque para defender a causa. Fui chamado para ser apresentado a ele e para tomar pé da situação. Perguntei quando voltaria para seu Município e afirmei que dois dias antes estaria pronto para apresentação, discussão e finalização. Assim foi feito. Ele preferiu levar para ler em casa. Ao terminar a leitura ligou para Dr. Salomão e, empolgado, disse que eu era muito bom e escrevia muito bem. Surgiu a partir desse dia uma relacionamento de confiança, respeito, admiração e lealdade. Ele passou a ser o maior divulgador do meu trabalho.

Pouco tempo depois eu fui pela primeira vez ao seu Município. Cheguei por terra e pude testemunhar sua excelência enquanto gestor logo na divisa entre o município por ele dirigido e o que o antecedia. Sua parte da estrada era um tapete e a outra uma buraqueira só. Ele um homem público probo, o outro sequer se encontram adjetivos para definir. Sua cidade era uma beleza, tinha sua marca em cada esquina, na limpeza das ruas, na qualidade dos prédios, no sorriso do povo que sempre o amou e respeitou, tanto que o elegeu por três vezes para Prefeito. Dizia que dedicava todo o expediente, todo o horário de um servidor público ao seu povo e a sua cidade, mas quando chegava em casa se dedicava apenas a família e a seus amigos. Ele era um homem especial.

Estou longe do Maranhão e a comunicação aqui é dificil. Soube às 2:40 da manhã que meu querido amigo descansou. Lutou por anos a fio pela vida. Mostrou para todos que sempre é possível lutar.

Em 2016, já muito doente, esteve com seu povo em um último evento de campanha, desta feita para ajudar a eleger seu filho André Prefeito de sua amada Carutapera. Venceu mais uma vez.

Hoje todos nós choramos sua partida. No peito a dor da saudade aliada à certeza de que ele cumpriu como poucos o seu grandioso papel. Agora ele segue para auxiliar ao Senhor Deus a edificar um céu melhor.

Descanse em paz meu amigo. Você emprestará seu brilho Dourado para a obra de Deus.

Carutapera jamais esquecerá de Adilson, um Dourado espetacular.

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O grande lobo da política nacional

Já não me lembro mais a quanto tempo acompanho sua vitoriosa carreira. Tenho vaga lembrança de quando se elegeu Deputado Federal pela primeira vez e de sua reeleição. Tenho vivo na memória sua primeira eleição para Senador quando se elegeu deixando sem mandato Magno Bacelar e muito mais ainda quando venceu o Senador João Castelo na épica campanha em que se elegeu Governador do Estado após perder o primeiro turno por mais de cem mil votos. De lá pra cá, por sucessivas vezes o vi renovar seu mandato de Senador pelo Maranhão, ao ponto de hoje ser o decano daquela casa legislativa. Contudo, em que pese a boa memória que sempre tive, não conseguiria jamais relembrar todos os feitos de sua vida pública. Para tanto, recorri ao bom e velho google, o qual me brindou com as informações que agora registro para vocês.

Com efeito, em que pese seja graduado em direito, exerceu o jornalismo como atividade principal chegando a colunista político do Correio Braziliense e diretor de jornalismo da Rede Globo. Se elegeu Deputado Federal pelo Maranhão para o período de 1979-83, sendo em seguida reeleito para o período de 1983-87 com estrondosa votação. Em sua passagem pela Câmara dos Deputados, defendeu a integração nacional e a redução das desigualdades sociais e regionais. Em 1986, elegeu-se Senador e, como constituinte, ajudou na elaboração da atual Constituição da República Federativa do Brasil, publicada em 1988. 

Quatro anos após sua eleição para o Senado, interrompeu o mandato de Senador pelo Maranhão ao ser eleito Governador do Estado, cargo que ocupou durante três anos e 19 dias (De janeiro de 1990 a março de 1993). Durante o governo, melhorou todos os indicadores sociais do Estado (a mortalidade infantil, por exemplo, caiu 30%) e realizou o maior programa rodoviário do Estado. Foi dele, também, a construção da Avenida Litorânea, cartão postal da nossa Capital. Deixou o cargo com grande aprovação popular, o que lhe garantiu a eleição para um novo mandato senatorial. Neste, destacou-se na elaboração  da lei de apoio a reestruturação do ajuste fiscal dos estados e conseguiu autorização para que estes pudessem contratar operação de crédito junto ao Governo Federal, destinada a compensar perdas de receita decorrentes da implantação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério. 

Posteriormente, foi eleito vice-Presidente do Senado para o biênio 2001-2002 e presidiu a Casa em 2001. Como presidente do Senado, foi o responsável pela aprovação da emenda constitucional que limitou a edição das Medidas Provisórias pelo Presidente da República. Outro importante projeto votado durante a sua presidência foi a reforma da Lei das Sociedades Anônimas, que beneficiou os acionistas minóritarios. Nas eleições de outubro de 2002, foi reeleito para o terceiro mandato de Senador. Em fevereiro de 2003, quando foi instalada a nova Legislatura, presidiu a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, onde comandou os trabalhos para reforma do judiciário, que culminaram na criação do Conselho Nacional de Justiça e Conselho Nacional do Ministério Público, além do fortalecimento da Defensoria Pública. No período em que esteve à frente da CCJ, importantes projetos de interesse da sociedade foram deliberados, como as alterações na Lei de Execuções Penais e os projetos de lei dispondo sobre as penalidades para o trabalho escravo; a organização, preparo e emprego das Forças Armadas; o seqüestro relâmpago; Estatuto da Criança e do Adolescente; Código Penal; Código de Processo Penal; Código Civil; Código de Processo Civil; Estatuto do Idoso; e Estatuto do Torcedor. 

Além da CCJ, o  foi o primeiro presidente da Comissão de Fiscalização e Controle. 

Em 21 de janeiro de 2008, a convite do Presidente Lula, e por indicação de seu partido, o PMDB, assumiu o comando do Ministério de Minas e Energia, cargo que exerceu até 31 de março de 2010. Em sua primeira passagem pelo Ministério, fortaleceu a segurança energética, a modicidade tarifária, e a universalização do acesso a energia elétrica. Capitaneou o Programa Luz para Todos atingindo, em 2009, a marca de 10 milhões de pessoas beneficiadas. No Maranhão, mais de 1 milhão e duzentas mil unidades habitacionais tiveram pontos de energia instalados. Outro destaque foi a coordenação da comissão que elaborou o novo marco regulatório para a exploração e produção de petróleo e gás natural para o País, aprovado pelo Congresso.

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Nas eleições de outubro de 2010, ele foi reeleito Senador pelo Estado do Maranhão para o exercício do quarto mandato. Convidado pela presidenta Dilma Rousseff , reassumiu o Ministério de Minas e Energia. Foi durante sua segunda gestão a frente do MME que as contas de luz de todos os brasileiros tiveram redução de 20% e foi também nessa época que pode comemorar os dez anos do programa Luz para Todos, o qual já atingia 15 milhões de beneficiários. Sob sua batuta o Ministério elaborou e encaminhou ao Congresso Nacional projeto de um novo Código de Mineração para o país, destinado a modernizar e desenvolver o setor e consolidou a expansão da geração e transmissão de energia elétrica no país atingindo, somente em 2014, 7.509 MW instalados e 8.876 km de linhas de transmissão. 

Em suas duas passagens pelo Ministério de Minas e Energia, o Brasil pôde comemorar grandes avanços em termos de segurança energética. Concluiu a interligação dos sistemas isolados do Norte, com a construção e integração da linha de transmissão Tucuruí-Macapá-Manaus ao Sistema Interligado Nacional, além de dar inicio a construção de grandes obras de infraestrutura, como as usinas hidrelétricas de Belo Monte, Jirau, Santo Antônio e Teles Pires. Foi ele quem autorizou o primeiro leilão de energia eólica, abrindo espaço para a ampliação do espaço das fontes alternativas na matriz energética brasileira. Ao deixar o MME, em dezembro de 2014, a capacidade instalada de energia eólica no país era de 4.888 MW, crescimento de 23 mil % em relação a 2001. 

De volta ao Senado Federal, assumiu a Comissão de Assuntos Sociais, tornando-se o senador que mais ocupou cargos de presidências de comissões do Senado Federal e hoje preside novamente a Comissão mais importante daquela Casa, a Comissão de Constituição e Justiça.

Neste dia em que é comemorado seus 81 (oitenta e um) anos, o Maranhão e o Brasil o reverenciam como um dos maiores homens públicos do seu tempo, admiração que se renova a cada dia em que um pobre aciona um interruptor e acende uma lâmpada ou que liga uma televisão ou toma uma água gelada. Para todos nós, habitantes da ilha do amor, também na alegria de transitar pela litorânea e apreciar a beleza da baia de São Marcos ou no Estado na certeza de poder escoar a produção agricola pelas várias estradas que restaurou ou construiu.

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Em 2018 Vossa Excelência disputará aquela que provavelmente será sua última eleição para o Senado. Espero que o povo do nosso Estado saiba lhe agradecer pelos mais de 50 (cinquenta) anos dedicados à estruturação do Maranhão e ao seu desenvolvimento – o que contribuiu para a melhoria de vida do nosso povo -, renovando-lhe o mandato com arrasadora votação. Como dizia o seu último jingle de campanha: “com Roseana aqui e Lobão em Brasília, é São Luís que cresce, é Imperatriz que brilha. É o que a gente quer pra todo Maranhão, mais igualdade, justiça, a gente quer Lobão”. 

Feliz aniversário ao grande lobo da política nacional. Vida longa ao Senador Edison Lobão.

Um parlamentar que merece respeito

Não é segredo para ninguém que sou um aficionado por política e como tal, sempre que posso, acompanho os programas em que se discute a matéria. Ontem não foi diferente. Enquanto me recuperava de outra crise de diverticulite, ouvi parte de um programa especializado no assunto na rádio AM, quando nele foram proferidas alegações depreciativas à atividade parlamentar do Senador Roberto Rocha. Não concordo com o afirmado.

Não tenho procuração do Senador para defendê-lo, não sou seu correligionário político e sequer somos amigos. Contudo, em homenagem ao seu pai que tinha pelo meu pai grande admiração e respeito, dou a César o que é de César e faço agora um reconhecimento público que a muito faço para os meus amigos. Roberto Rocha foi um grande Deputado Federal e hoje desempenha, com qualidade, o mandato de Senador que lhe foi outorgado pelo Povo do Maranhão. Não se fez político e não se mantém na política por ser filho de Luiz Rocha, mas por ter sido atuante em toda sua carreira, ter visão de futuro e por defender o seu Estado com unhas e dentes.

Não tivesse apresentado nenhuma propositura como Deputado e apresentou; não tivesse destinado milhões em emendas para os municípios do Maranhão e destinou; o Maranhão deve a Roberto Rocha, dentre tantas coisas, a ampliação da área de atuação da Codevasf, a qual passou a incluir até a bacia do Gurupi, cobrindo assim todo o território Maranhense e possibilitando o aporte no nosso Estado dos recursos dessa grande companhia brasileira.

Para quem não sabe, a Codevasf é responsável pela distribuição aos municipios de kits de irrigação e Cisternas, perfuração de poços artesianos, abertura e manutenção de estradas e uma infinidade de projetos que podem levar melhorias para as nossas mais distantes povoações. Isso representa investimentos de milhões de reais nos próximos anos para o desenvolvimento do Maranhão.

Se nunca tivesse feito nada como parlamentar e fez, só esse projeto de sua autoria já o colocaria na galeria dos grandes parlamentares da nossa história.

Assim sendo, devo dizer ao povo do Maranhão que Roberto Rocha é um parlamentar que merece respeito, que trabalha muito pelo Maranhão e que é muito respeitado no cenário político nacional.

Os argentinos vão entrar é na taca

Uma das grandes características do torcedor do Flamengo é o pensamento positivo. Para nós não existe meio termo. Jogamos sempre pra vencer e temos a certeza de que se deixar o Mengão chegar na final o caneco é nosso. Nosso destino é a vitória e a derrota, nas poucas vezes que ocorre, é mero acaso, infortúnio momentâneo decorrente de uma falha pontual.

No dia de hoje, a nação rubro-negra está em festa. Afinal, tivemos uma vitória convincente, fora de casa, sobre uma grande equipe. Contudo, nossa superioridade foi inquestionável. De tudo, convém destacar uma atuação impecável do goleiro César, um gigante em campo após dois anos de inatividade; uma zaga improvisada por Juan e Rodolpho, que jogou como se fosse a titular a muitos anos e Felipe Vizeu, o qual mostrou ter o faro para o gol. Tínhamos muitos desfalques, mas acima de tudo a raça rubro-negra prevaleceu.

Ontem tivemos o Grêmio conquistando pela terceira vez a libertadores da América. O Brasil vai ao mundial vestido de azul e branco para mostrar aos pseudo favoritos do Real Madrid que a Espanha entende é de paella. De futebol entendemos nós. Vamos botar limão e pimenta nesse prato e vamos comer os merengues com um bom vinho gaúcho. Como somos gulosos, nesse festim da gula prevalecerá nosso bom e gostoso churrasco campeiro. Bah, tchê, vamos botar esses peados na roda e impor a Vitória. Afinal, temos que comemorar com churrasco, vinho e chimarrão.

Por aqui, não tenho dúvida. Após a final que ocorrerá no Maracanã, bradaremos que os argentinos entraram foi na taca outra vez e comemoraremos com feijoada carioca e muito chopp. Afinal, Flamengo é Rio. Rio é Brasil e somos futebol. Aqui argentino não canta de galo e se cantar vira canja.

Não adiantou secar, contrários. Chupa essa manga e acostuma com a idéia. Temos conversor de energia negativa em positiva. Joguem fora os memis que passaram o dia preparando e colecionando. Hoje vocês vão dormir com o couro tão quente quanto a vítima de hoje.

Que venha a final. O Brasil se vestirá de preto e vermelho outra vez e gritaremos juntos, uma vez mais, que o Flamengo é campeão.

Hahaha, hihihi, eu não consigo parar de rir.

Boa noite.

O governo comunista derreteu

Acompanhei nessa última semana, estarrecido, o desenrolar da operação da Polícia Federal destinada a apurar o volumoso desvio de recursos da saúde do Maranhão e que culminou com a prisão da ex-Secretária Adjunta Rosângela Curado. Segundo apurado até aqui, o dinheiro que deveria custear profissionais nos hospitais era usado para remunerar com, altos salários, pessoas ligadas ao Governo comunista que não trabalhavam ou que exerciam atividades administrativas na secretaria, o que não é permitido.

Esperei que os levantamentos iniciais fossem feitos para não emitir juízo de valor apressado sobre o assunto, haja vista manter sentimento de bem querência em relação ao Secretário Carlos Lula e a Rosângela Curado. Contudo, a leitura da decisão escorreita da Juíza Federal Paula Souza Moraes, da 1. Vara maranhense, me permite uma análise, ainda que preliminar, sobre o assunto.

De tudo o quanto levantado até agora é possível afirmar o que eu já afirmava desde 2013: o discurso demagogo comunista era decorrente do completo desconhecimento sobre governo e estrutura de governo e que a mudança alardeada era pra mudar apenas o sobrenome do grupo político mandatário.

Ao assumirem em 2015, os comunas promoveram uma caça às bruxas na saúde, rescindiram contratos que entendiam ser superfaturados e firmaram outros bem menores. Em seguida descobriram que o dinheiro não era suficiente e segundo se comenta, aditivaram os novos contratos. A saúde se quebrou em bandas com profissionais e fornecedores ficando sem pagamento e para dar o calote ainda se apoderaram do maquinário da empresa que fornecia o oxigênio de algumas unidades de saúde. A rede de saúde estadual que funcionava até então entrou em colapso. Passaram a usar as terceirizadas ICN e BEM VIVER para pagar os pendurados no cabide de empregos e como estes não poderiam assinar o ponto nas unidades de saúde teria sido criada a folha complementar e para dar legalidade a ela contrataram empresas especializadas em gestão de pessoal, como a ORC, que até fevereiro de 2015 teria como atividade principal ser uma sorveteria. Quando Rosângela Curado foi exonerada, segundo narra a decisão, ela estaria cobrando 10% (dez por  cento) de todos (corre a boca pequena que a exoneração até hoje não esclarecida teria sido por não ter implementado a socialização). Foi quando o novo titular da pasta teria sido informado pelo Dr. Benedito, Diretor do ICN, sobre a folha complementar  (aqui o Secretário tinha o dever de denunciar a prática, mas não o fez). Quando ICN e BEM VIVER foram investigadas na operação sermão aos peixes tiveram seus contratos rescindidos, passando a gestão para o IDAC, o qual manteve o pagamento do cabide de empregos até 2017, quando teve seu contrato rescindido após a operação Rêmula.

A gestão do IDAC na saúde foi marcada por vultosos saques em espécie na boca do caixa. Hoje é possivel conjecturar que parte desses recursos deveria estar sendo usado para a manutenção do cabide de empregos. Pendurados no cabide estariam uma cunhada e uma grande amiga do Secretário de Articulação Política, uma grande amiga do Secretário de Saúde, dentre outros. Essas amigas seriam conhecidas por alguns pelo seu “perfil glúteo”. Um escândalo.

Uma grande dúvida precisa ser esclarecida: como e por qual razão um médico chamado Mariano teve transitando em sua conta mais de 30 milhões de reais.

De tudo, não resta dúvida de que, tal qual o discurso da mudança, da honestidade e da austeridade administrativa, o governo comunista derreteu, igual a sorvete fora da geladeira. Não resistiu ao calor da investigação conduzida pelo Delegado Webson Cajé. 

O dia da formatura

Meus queridos colegas: a porta está aberta, sejamos dignos de entrar. Com essas palavras encerrei, no dia 12 de novembro de 1993, 24 (vinte quatro) anos atrás, meu discurso como orador da turma de formandos do Curso de Direito da Universidade Federal do Maranhão. Parece que foi ontem. Quando prestei o vestibular para Direito tinha a exata dimensão do que queria para a minha vida. Eu buscava realizar o sonho de ser Advogado. Sonho sonhado em uma preparação de 14 (quatorze) anos no Colégio Dom Bosco do Maranhão, 8 (oito) meses no Cursinho José Maria do Amaral e incontáveis revisões, como por exemplo a revisão aprovação dos meus amigos Oduvaldo, Afrânio e Carvalho. Tenho certeza que com meus colegas de UFMA não foi muito diferente no que concerne à preparação. Quanto à carreira, poucos continuam na advocacia, tendo vários optado pela Magistratura e pelo Ministério Público.

29 (Vinte e nove) anos atrás éramos mentes ávidas de saber. Buscávamos o conhecimento jurídico como o sedento busca a água. Conosco a incerteza de um período de greves contantes e de professores se aposentando. Tínhamos poucos recursos, mas como todo aluno de instituição pública, nos sobrava “sangue nos olhos” para alcançar os livros, muitos dos quais adquiridos com o apoio incondicional do Louro da Livraria do Advogado e de Gutemberg. Não tínhamos internet e nem as facilidades do Google, mas buscávamos no Diário Oficial, em periódicos como Adcoas e em repertórios de jurisprudência acompanhar a dinâmica dos Tribunais e a edição das Leis. Como era mais difícil!

Aprendemos com a nova Constituição e digo nova por ter entrado em vigor quando estávamos iniciando na Faculdade. Tempo de descobertas e de grande esforço. Conosco estavam, como professores, expoentes do Direito maranhense e dos quadros da Universidade, como José Cláudio Pavão Santana, Vinicius de Berredo Martins, José Antonio Almeida, Pedro Leonel Pinto de Carvalho, José Carlos Souza e Silva, Valéria Montenegro, Alaíde Pavão, Expedito Melo, Eliud Pinto, Eulálio Figueiredo, Leomar Amorim, Cândido Oliveira, Nicolau Dino, Washington Rio Branco, Magela, Agostinho Ramalho Marques, as Irmãs Maria Tereza e Maria Eugênia, Nilde Sandes e tantos outros. Por cinco anos eles desfilaram o seu saber pelas salas do Pimentão, prédio onde eram ministradas as aulas. Inesquecível lugar. Sob suas mangueiras conversávamos alegremente enquanto aguardávamos o início das aulas. Tanto tempo, tantas recordações. Volto os olhos para o passado e me vejo, juntamente com meus colegas, tão moços, esperançosos por dias melhores, por um Brasil melhor. Fomos heróis de nossas famílias num tempo em que somente 30 (trinta) eram aprovados no vestibular no turno matutino e outros tantos no noturno. Éramos, portanto, 60 (sessenta) acadêmicos no início do ano e igual número do meio do ano. 120 (cento e vinte) no total. Nem todos chegavam ao fim do curso. Nada comparado à avalanche de estudantes de hoje.

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A turma de novembro de 1993 encerrou aquele ciclo no dia 12. Na bagagem, além da saudade, a certeza de que precisava ir além. Os jovens da foto acima são, da esquerda para a direita (aqueles com os quais não perdi todo o contato):  na frente  – Adriana Silveira de Assis (Advogada), Norimar (Promotora de Justiça), Elizabeth (Advogada), Luzia Martins (Delegada da Policia Civil do Ceará), Elida Ricci  (Advogada), Silvana (Servidora do TJ/MA), Gabriela Brandão da Costa  (Promotora de Justiça), Adriana Albuquerque (Servidora da Justiça do Trabalho), Célia (Servidora da Justiça Federal), Ilana Boueres (Promotora de Justiça), Georgia Rita de Carvalho Gaspar  (Advogada) e Nadja (Promotora de Justiça). Atrás -Durval Fonseca (Procurador do INSS), Sérgio Muniz  (Advogado), LindonJonson (Promotor de Justiça), Antonio Nunes (Advogado), Luis Aroso (Servidor da Justiça Eleitoral, já falecido), Glauco Vaz (Advogado), Rui Lopes (Servidor da Justiça do Trabalho no Ceará), Ivo Anselmo Hohn Júnior  (Juiz Federal), Hilmar Castelo Branco Raposo Filho (Juiz no Distrito Federal), Lino Osvaldo Serra Sousa Segundo (Juiz Federal), Edinho (Advogado e empresário).

Hoje penso que estamos cumprindo bem o papel que nos foi atribuído pelo destino. Superamos as adversidades e estamos escrevendo, dia após dia, nosso nome na história das carreiras jurídicas no nosso Estado.

Meus queridos colegas:  tenho certeza que temos nos mostrado dignos de chegar até aqui. Continuemos assim, com as bênçãos de Deus. 

Um amigo pra chamar de seu

Renato Teixeira, um dos maiores compositores brasileiros, certa vez escreveu sobre a amizade. Sintetizou, como poucos, um sentimento que não pode ser medido ou tocado, mas apenas sentido. Disse o poeta com maestria:

“A amizade sincera é um santo remédio

É um abrigo seguro

É natural da amizade

O abraço, o aperto de mão, o sorriso
Por isso se for precisoConte comigo, amigo disponhaLembre-se sempre que mesmo modesta
Minha casa será sempre sua
Amigo
Os verdadeiros amigos
Do peito, de fé
Os melhores amigos
Não trazem dentro da boca
Palavras fingidas ou falsas histórias
Sabem entender o silêncio
E manter a presença mesmo quando ausentes
Por isso mesmo apesar de tão raros
Não há nada melhor do que um grande amigo”.
Poucos são aqueles que conseguem compreender a extensão da palavra amigo. Por vezes, ao longo do tempo, nos deparamos com pessoas a quem lhes damos esse atributo. Com o passar dos anos, pela dinâmica da vida, a distância se impõe. Contudo, o sentimento não se esvai. Ele está presente nas lembranças gostosas, nas fotografias e imagens com as quais recordamos momentos especiais e isto, se é possível, deve-se à genialidade humana que nos brindou com a possibilidade de perpetuar passagens inesquecíveis de nossas vidas.
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Nessa semana que passou, tive a possibilidade de reencontrar amigos de uma vida que, mesmo distantes, se aproximam através da força das redes sociais. Amigos que o Colégio Dom Bosco do Maranhão deu. A cada ano nos reunimos para celebrar a vida e relembrar fatos que marcaram a nossa trajetória e o fazemos sempre na passagem pelo Brasil da nossa amiga Patricya, hoje radicada na Alemanha. Mais uma vez tivemos um momento inesquecível de puro sentimento. O tempo não teve como apagar um amor escolhido. Escolhemos amar uns aos outros naquele que talvez seja um dos mais fortes vínculos, o amor de amigo. Através dele rejuvenescemos, seja nas lembranças, seja no carinho que nos une. Patricya retornou à Alemanha e tenho certeza que plena de vida, renovada na energia trocada com todos os seus. Agora aguardamos a vinda de Thais, hoje radicada em Baltimore, nos Estados Unidos. Tenho certeza que haveremos de lhe dar a força de um abraço sincero, eivado de um carinho puro, singular.
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Após uma semana difícil e conturbada, hoje voltei ao convívio de outros grandes amigos. Compadres, enfim. Lembro como se fosse hoje o dia em que nos encontramos no Condomínio Eco Villaggio vistoriando a obra das nossas casas. Nos tornamos inseparáveis a partir daí. Quando decidimos que chegara a hora de mudar, trouxemos eles conosco, Graça e o lorão, além do portuga e depois o terrorista. Eles saberão quem são. Ainda que breve, serviu novamente para renovar os laços de amizade que nos une. Se já não confraternizamos mais todas as sextas, pelo menos nesta do dia dez revivemos a possibilidade de programar a viagem dos cinquenta anos do meu compadre, vez que na dos quarenta estávamos todos juntos, o Red Group, na Pousada da Neblina em Ubajara-CE, coincidentemente quando descobri que seria pai pela segunda vez.
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Que venham mais esses instantes de alegria. Poderemos todos dizer que temos um amigo pra chamar de seu. Que todos também possam dizer o mesmo.
Que Deus conserve a amizade sincera.