Quando grita o silêncio

Quase não pude acreditar quando me vi assim, sozinho, envolvido em pensamentos desconexos, perdido no vazio da solidão de um minuto, no silêncio que oprime ou alimenta a alma. Reflexão tardia, talvez, poderiam dizer alguns, mas quando saber o momento se o tempo não define o agora, nem o antes e nem o depois? Doce lembrança de um tempo em que o calar da noite significava gravar uma fita do rádio, beber um Campari e sonhar, sozinho, com um futuro que nunca chegou, que jamais chegará.

Já é madrugada quando escrevo este texto. As luzes que vejo ao longe me transportam para um tempo distante e revivem em mim a lembrança de um dia em que, sozinho, 31 (trinta e um) anos atrás, na escuridão do meu quarto na casa 12 da quadra L do conjunto ipase, em São Luis do Maranhão (quebrada apenas pela luz do dial do meu aparelho de som), eu gravava uma fita K7 com as músicas do programa de Fátima de Franco que era transmitido pela Rádio Difusora FM, a partir da meia noite.

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Começo a sorrir. Hehehe. Não estou ficando louco. Apenas achei engraçado imaginar que muitos que terão a oportunidade de ler este texto não saberão do que estou falando. Eles são da era da informação avançada, da internet, do HD, do CD, do DVD e do blue-ray.  Hehehe. Eu e minhas memórias do século passado. Fita K7 (as melhores eram da Basf e da TDK) era aonde gravávamos as músicas para tocar depois nos toca-fitas dos carros, equalizadas nos Tojos que ficavam acoplados a eles. Era contemporânea do disco de vinil, uma bolacha que parecia ser de plástico rígido. Veio antes do CD. Tínhamos lojas desse produto, como a ‘SÓDISCOS’ de seu Augusto Castro, um portuga boa praça, pai do meu amigo de infância Cláudio Castro, o Catatau, um dos primeiros DJ’s do Maranhão e um posterior craque da informática, e de Eduardo, o mata 7, hoje colega advogado. Seu Augusto é avô de uma de minhas alunas do Ceuma III, cujo nome não revelarei para não gerar ciumes entre minhas amadas alunas. Tivemos nessa mesma época a fita de vídeo cassete, precursora do DVD, onde gravávamos os vídeos que registravam os nossos bons momentos. Tempos inesquecíveis.

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Fita K7

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Fita de vídeo cassete

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Toca fitas com Tojo acoplado

Volto ao dia recordado. Tinha me decidido a aprender a tomar Campari, uma bebida que sempre achei de linda cor, mas cujo gosto não me agradava. Comprei uma garrafa para o aprendizado. Lembro como se fosse hoje. Moleque de 17 (dezesete) para 18 (dezoito) anos aprendendo a ser homem. Pense num primeiro gole difícil de descer. Amargo demais. Puro remédio. Nada que umas gotas de limão não resolvessem. Segundo, mais ou menos. Do terceiro em diante só alegria. Boa bebida, um cigarro Carlton, uma boa seleção musical. Tudo o que um jovem poderia querer de bom (?). Naquela época era zero preocupação. Só queria viver, amar e jogar futebol. De responsabilidade apenas a preocupação com o vestibular que não tardaria a chegar. Meu sonho de então era ganhar na loteria, comprar um furgão da furglaine (acho que era esse o nome) e queimar asfalto, viajar muito por terra como sempre gostei.

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Nunca ganhei na loteria, não comprei o furgão e nem viajei com ele. Não me tornei o jogador de futebol que um dia sonhei me tornar. Joguei muito, bem sei, mas não tive o apoio que precisava para tanto. Parei de fumar e de tomar Campari, o que faço muito raramente. Estudei, me tornei advogado, me destaquei na minha profissão, fiquei famoso, virei professor universitário e um esforçado contador de histórias. Hehehe. Continuei liso. Hehehe. 

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Um jovem cabeludo aos 17 anos

Esta semana comecei a me despedir dos meus alunos. Foi uma semana feliz. Senti e li em suas palavras postadas nas redes sociais o seu carinho por mim (sinal que não me sai tão mau). Hehehe. Agora, no ensurdecedor grito que esse silêncio que a madrugada me impõe, sinto saudade do sonho que nunca se realizou, tenho convicção de que estou ajudando a construir o futuro, mas agora sinto falta de algo mais que me complete, como uma quarta dose de Campari e uma boa música gravada do programa da Fátima, para em seguida desligar o rádio, apagar o dial e dormir, acordando na realidade do futuro que chegou, escrito pelas linhas do destino que Deus me reservou.

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Diaz de luta; Diaz de Ordem

Durante todo o processo eleitoral da OAB/MA o editor deste blog se manteve em silêncio, observando o cenário e os atores,  avaliando o trabalho e as propostas dos candidatos. Somente uma vez me manifestei e foi quando do esfarelamento do grupo Repense, haja vista entender que não haveria repensar em uma composição com o grupo que representa o atraso, as práticas imorais, os conchavos, enfim, o retorno ao passado sombrio da OAB, agora mais do que nunca evidenciado pelo espectro comunista que ameaça dominar, também, a última trincheira em defesa do cidadão que é a Ordem.

Apesar dos inúmeros telefonemas e mensagens de Whatsapp que tenho recebido me perguntando em quem votaria, respondia a todos para ter paciência pois a hora ainda era de observação. Queria aguardar o debate de hoje no programa ponto e virgula da Difusora FM para poder declarar meu voto. Não tenho mais idade para errar e se a experiência mostra algo é que, no patamar profissional em que cheguei não se erra sozinho. Pessoas aguardam uma palavra que lhes aponte o norte. Não poderia, portanto, partindo dessa premissa, fazer uma avaliação açodada.

Pois bem.

Lamento que Aldenor não tenha conseguido chegar ao final da campanha pela perseguição que afirmou ter sofrido.

Descarto o candidato do governo comunista (registro que não tenho nada contra sua pessoa e que sequer o conheço, mas sigo o brocardo latino “me diga com quem andas e te direi quem és”) e o faço por entender que não tem ainda o cabedal necessário para a função que pleiteia. Assim, resta analisar os demais concorrentes, não sem antes lamentar que o egocentrismo do grupo do Macieira os levou a não perceber que o candidato a Presidente com chances de vitória seria Pedro Alencar. Foram míopes como foi míope sua administração  aos problemas da classe.

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Tenho que o Mozart Baldez desenvolve um trabalho de destaque no sindicato, contudo seu radicalismo o afasta da Presidência da Ordem. Precisamos de diálogo e ações pontuais, não de brigas diárias ou fight com autoridades judiciárias. Não somos hierarquicamente inferiores. Estamos no mesmo patamar e por isso mesmo temos que manter harmonia e respeito. Talvez com uma reflexão profunda sobre suas práticas, entendendo que precisamos de mais Ordem e menos Sindicato, ele possa se tornar uma boa alternativa para o futuro.

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Uma grata surpresa nestas eleições foi o surgimento do grupo que tem na Sâmara Brauna sua cabeça de chapa. Mostrou uma nova forma de ver a Ordem e seus problemas. Bastante aguerrida, foi bem no debate, mas sua inexperiência declarada no início do programa afasta, por hora, suas pretensões. Ela tem contexto e boas idéias e num futuro próximo pode ser um grande nome para a alternância de poder.

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Thiago Diaz esteve bem no debate. Esclareceu muitos pontos que não estavam bem explicados sobre sua gestão. Mostrou o quanto a Ordem cresceu consigo a sua frente, as várias subseções construídas, salas reformadas e aparelhadas, a reforma do prédio Sede, sem contar na Comissão de Prerrogativas atuante e móvel, além do que, para mim, advogado com 25 (vinte e cinco) anos de formado, me parece ser o seu maior legado, que é a democratização do acesso à reciclagem, aos cursos de atualização profissional. Foram inúmeras as palestras, congressos, cursos e seminários. Se falhas aconteceram, que sejam analisadas e reformados os conceitos no afã de não errar mais. A OAB vem sendo reconstruída enquanto instituição e três anos se mostrou pouco para fazer tudo o que precisa ser feito. Muito sereno e consciente do seu papel, Diaz mostrou que não foge e que não fugirá da luta. Vivemos dias de renovação. É necessário renovar o compromisso de continuar empreendendo as mudanças que a OAB precisa. A Ordem não pode retroceder. Temos Diaz de Ordem. Diaz de continuar lutando por uma OAB inclusiva, que dê apoio ao jovem advogado, que apoie as mulheres advogadas, que auxilie o velho advogado.

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Assim sendo, respondo agora a todos os meus amigos e parentes advogados. No dia 23 de novembro, votarei em Thiago Diaz para Presidente da OAB/MA por mais três anos. Espero contar também com o voto de todos vocês.

Estamos em Diaz de luta; Diaz de Ordem; Diaz de vitória.

Trabalho escravo: fazendeiro absolvido

No começo dos anos 2000, conheci um fazendeiro paraense que, a pouco, tinha se tornado a imagem do combate ao trabalho escravo moderno. Por conta de uma matéria exibida em uma revista de circulação nacional, ele passara a ser conhecido como “Senhor de Escravos” e seu carro a ser chamado de “navio negreiro”. Dizia a criativa matéria que ele visitava os bares da cidade e carregava os bêbados em seu veículo após pagar os seus débitos, levando -os em seguida para suas fazendas aonde permaneciam em regime de escravidão trabalhando no roço da juquira em condições desumanas de trabalho, sem equipamentos de proteção individual, com pouca comida (carne apenas uma vez por semana), bebendo água de córregos que era dividida com animais, dormindo em barracos improvisados, sem medicamentos, fazendo necessidades no mato, mantendo-se em dívida constante por adquirir produtos na cantina da Fazenda, ficando impossibilitado de ir e vir por segurança armada e intimidatória, com retenção de documentos. Seu nome era Gilberto Andrade e os fatos narrados já naquela época são os mesmos repetidos ainda hoje, 18 (dezoito) anos depois, na grande maioria das ações da Delegacia Móvel do Trabalho.

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Seu Gilberto foi denunciado por redução de trabalhadores rurais à condição análoga à de escravo e por outros crimes que lhe foram imputados. Em seu processo houve cerceamento de defesa, fato denunciado nas alegações finais e em sede de apelação e, na nossa humilde opinião, excesso na apenação. Infelizmente não acompanhei o processo até o final. Anos depois, soube que ele veio a óbito em um acidente de carro (o veículo aonde estava colidiu com um caminhão madeireiro). Ele era um cidadão de bem. Foi uma das vítimas da mudança da legislação trabalhista que já colocou vários fazendeiros no banco dos réus. Sofreu pelo fato de ter sido um dos primeiros e por ter sido personagem da matéria da revista, a qual foi repetida como um mantra, ainda que sensacionalista e inverossímil.

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Dezoito anos depois, fui procurado por um jovem fazendeiro de Bacabal (MA), para defende-lo em um processo também por redução de trabalhadores rurais à condição análoga à de escravo. Os fatos, como que retirados de uma mesma cartilha, eram bem parecidos com os atribuídos ao Gilberto Andrade. Também a ele era atribuída a manutenção dos trabalhadores em condições degradantes de trabalho, com alimentação ruim, água de péssima qualidade, acomodações inapropriadas, ausência de EPI, não assinatura da Carteira de Trabalho, etc. Trabalhamos o processo com afinco, lemos os autos de capa a capa, confrontamos a acusação com o que tem de mais moderno em doutrina e jurisprudência, aproveitamos a prova já produzida sob orientação do nosso colega Vilmário Oliveira, reestruturamos a tese defensiva e apresentamos uma consistente peça de alegações finais. Resultado: fazendeiro absolvido.

Não poderia jamais deixar de enaltecer a brilhante sentença do Juiz Federal Pedro Alves Dimas Júnior. Um primor de sentença. Moderna, amparada na mais recente jurisprudência. Fruto da observação das teses apresentadas e da prova produzida. Destacou sua Excelência que não basta condições inapropriadas de trabalho ou de acomodação para caracterizar redução à condição análoga à de escravo. Que ilícitos trabalhistas devem ser combatidos e corrigidos naquela seara e que isso já havia ocorrido, consoante havíamos sustentado.

A sensação de ter travado o bom combate e ter vencido é de difícil comparação e complexa demonstração. Vou dormir feliz. Sei que lá do céu meu velho amigo Gilberto Andrade está feliz também. Eu sempre lhe afirmei que seria possível obter uma absolvição. Que a legislação mudou isso é indiscutível, mas é preciso ver com reservas a aplicação da norma às práticas consuetudinárias do campo.

Hoje posso dizer, feliz, que um fazendeiro acusado de reduzir trabalhador à condição análoga à de escravo foi ABSOLVIDO e que demos a nossa singela contribuição.

O empresário do agronegócio não é criminoso. Ele trabalha muito para colocar o alimento na mesa do brasileiro e em alguns casos da população mundial. Ele sustenta em boa parte a nossa economia. Ele precisa de orientação para não errar mais, não de algemas, de condenação e muito menos de grades. O Fazendeiro precisa de apoio.

A justiça foi feita, com a graça de Deus.

“Nós sempre teremos Paris”

No auge da segunda grande guerra, Casablanca, no Marrocos, era uma espécie de entreposto, um local para onde desesperados fugitivos do embate mundial se deslocavam objetivando conseguir embarcar em um vôo para Lisboa e de lá para a América. É nesse ambiente fervilhante que se encontra o Café do Ricks e é nele que Ilsa entra para tentar comprar os vistos que levariam a ela e seu marido Victor Lazlo, um ativista político, para a liberdade. O que ela nunca poderia imaginar era que naquele local reencontraria Sam, o exímio pianista, e seu grande amor, Rick. Entre idas e vindas na tentativa de obtenção dos vistos, eles desafiam os nazistas ao entoar “A Marcelesa”, reacendem a chama do amor que viveram em Paris, escutam outra vez “As time goes by” (A canção que embalou seus grandes momentos na cidade Luz invadida e que fora proibida por Rick) e se despedem no aeroporto com ele dizendo para ela “nós sempre teremos Paris”, numa alusão às memórias do grande, verdadeiro e inesquecível amor. Esse é o enredo de Casablanca, um dos mais espetaculares filmes já produzidos e que contou com Hunphrey Bogart e Ingrid Bergman nós papéis principais.

Estava eu relembrando um momento especial e inesquecível que vivi ontem quando veio à mente essa frase título que reflete exatamente a lembrança de algo que o tempo jamais apagará. Na manhã de sábado, dia 17, levei meu filho do meio, Sérgio Filho, para disputar seu primeiro torneio de Futsal, esporte que ele passou a praticar nestes últimos 10 (dez) meses. Começou no banco de reservas, mas nada que o abalasse, haja vista termos conversado longamente na sexta sobre essa possibilidade. Da arquibancada eu o via aguardando o seu momento de participar. Lembrei do fantástico comercial da gelol “não basta ser pai, tem que participar. Não basta ser remédio, tem que ser gelol”. O garoto vai disputar uma partida de futebol, começa no banco, entra na partida, sofre o pênalti e marca o gol da vitória. Com ele estava seu pai que o abraça naquele momento de glória.

Foi um torneio curto. Seriam somente duas partidas. O vencedor da primeira jogaria a final. Ele entrou quando o jogo estava empatado em 1 x 1. Foi dele o gol que classificou sua equipe para a final, posteriormente vencida por 6 x 0. Talvez ele nem tenha se dado conta da importância do seu feito, mas eu sim. Fui testemunha ocular desse momento. Foi seu chute de iniciante no esporte que fez a diferença e eu estava lá com ele. Estivemos em sua primeira conquista futebolistica eu e seu irmãozinho Sérgio Henrique.

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Não é segredo pra ninguém que durante 11 (onze) anos da minha vida eu me dediquei ao futsal. Fui bi-campeão dos Jogos Estudantis Maranhenses pelo Colégio Dom Bosco do Maranhão; Tri-campeão Adulto pelo Dragão Futebol de Salão; melhor goleiro do Maranhão e melhor goleiro do Brasil nos Jogos Estudantis Brasileiros de 1987 disputados em Campo Grande-MS e por 10 (dez) anos fui integrante da Seleção Maranhense de Futsal, somente para citar alguns registros. Em comum entre as minhas primeiras conquistas e a do meu filho estava o mesmo treinador: Coqueiro, um ícone do futsal maranhense.

Tenho certeza de que, para o resto da vida, sempre que ele se lembrar deste dia eu e Sérgio Henrique estaremos lá, vivos em sua memória, sentados na arquibancada e torcendo por ele. Muitos outros torneios virão e eu espero poder estar lá, com ele outras vezes.

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Eu não tive a mesma oportunidade. Devido aos seus inúmeros afazeres, meu pai nunca acompanhou as minhas façanhas no esporte. Nos inúmeros torneios que venci, nas memoráveis partidas que disputei, ele nunca esteve lá como eu pude estar na data de hoje. Eu sempre procurei compreender suas ausências. Somente uma vez meu pai me viu jogar. Quis o destino que nesse dia eu estivesse capitão da Seleção Maranhense em jogo contra o Sumov do Ceará, equipe inúmeras vezes campeã nacional de Futsal. Naquele dia ele pode se orgulhar do talento do filho para o qual ele ensinou,  um dia, os primeiro segredos do futebol. Eu fiz o mesmo  um dia, com meu Sérgio Filho.

Sei que não estarei aqui para sempre, mas enquanto vida eu tiver espero poder estar ao seu lado.

Quanto à mim, parafraseando o Rick de Casablanca, eu sempre terei o jogo contra o Sumov do Ceará, numa inesquecível noite de brilho raro no antigo Ginásio Costa Rodrigues no centro de São Luís do Maranhão.

Parabéns pela primeira conquista, meu filho. Papai ama você.

De olho em 2020

Esta semana fui surpreendido com a notícia de que o jornalista Gilberto Leda teria iniciado uma enquete em seu blog para ver a inclinação do eleitorado da capital para as eleições de 2020. Achei prematura a iniciativa, contudo não poderia deixar de acompanhá-la, até mesmo porque sou municipalista por opção e defino meu futuro profissional pela observação atenta do cenário político nos mais diversos municípios do Maranhão.

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Dito isso, devo esclarecer que após aguardar alguns dias para as manifestações voluntárias, pude observar, sem grande esforço, que estão bombando a pesquisa para colocar em posição confortável um pretenso candidato da situação. Você acreditar que um Eduardo Braide estaria bem posicionado e liderando seria natural. Afinal, traz consigo o recall de ter sido finalista na eleição passada tendo chegado competitivo no segundo turno e ainda por ter sido esplendidamente bem votado na capital na última eleição para deputado federal.

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O que está destoando é Felipe Camarão, que nunca se candidatou, aparecer hoje em primeiro lugar. Brincadeira. Só podem achar que o povo é imbecil. Daria até pra aceitar o Duarte Jr em terceiro, afinal acabou de sair de uma eleição em que esteve muito bem e com um marketing agressivo. Ivaldo Rodrigues em quarto destoa pelo fato de ser vereador licenciado e secretário de uma secretaria de pouca expressão, além de não ter sido candidato nas últimas eleições. Todos os demais trazem o recall do último certame.

Não acredito em uma candidatura de Adriano Sarney para prefeito de São Luís. O grupo Sarney só o lançaria se estivesse liderando com folga e isso não é nenhum demérito a ele, que, registre-se, é um excelente deputado estadual. A razão do meu pensar é que o grupo acabou de ser derrotado nas eleições estaduais e uma eventual derrota seria extremamente desgastante para o grupo e para ele próprio.

Também não acredito em uma candidatura do Dr. Yglésio Moisés. Filiado ao PDT, o médico que foi diretor do socorrão está bem posicionado por ter sido candidato nas eleições passadas, mas tem contra si o fato de que o Senador Wewerton deve pleitear o direito de concorrer. Como tem maior coturno deve ter a preferência.

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Vejo Fábio Câmara com grande destaque nesse grupo. O ex-vereador e hoje primeiro suplente de deputado estadual chega na enquete com um histórico respeitável. Pobre e sem estrutura, fez do mandato de vereador que exerceu um trampolim para se estabelecer como uma grande liderança. Foi candidato a Prefeito tendo tido um resultado expressivo mesmo sem estrutura ou apoio. Vi de perto por ter ajudado no jurídico de sua campanha. Manteve-se politicamente vivo mesmo sem mandato por dois anos e nas últimas eleições, visivelmente sem recursos, conseguiu ter mais de dez mil votos em São Luís. Num cenário novo em que o Presidente Bolsonaro pretende ajudar o Maranhão a se livrar do comunismo, vencer as eleições na capital pode ser o primeiro passo para esse projeto. Convém relembrar que Fábio Câmara concorreu exatamente pelo PSL que é o partido do Presidente e com o seu apoio, dos evangélicos, do Magno Malta e da Maura Jorge surge como um grande nome para a disputa.

Pedro Lucas aparece por ter sido um grande vereador e secretário, além de ter sido eleito para deputado federal com expressiva votação. Não acredito que conte hoje com a preferência palaciana, sem contar que acredito que ele pretenda se consolidar primeiro como Federal para num momento posterior buscar voos mais altos.

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Quanto ao Wellington, deputado aguerrido que é, figura na enquete por ter concorrido a prefeito e ter sido reeleito estadual. Pesa contra si a derrota do Alckmin para Presidente. Pode vir a ser candidato para atender a uma exigência partidária, mas hoje não Acredito que seria.

Eliziane também aparece na enquete. Em que pese tenha sido eleita Senadora com mais de um milhão de votos, o fato de estar em último lugar na enquete demonstra que nossa análise está certa quanto a estarem bombando a enquete. Não acho certo isso, mas não deixa de ser um meio de projeção, afinal, camarão que dorme a onda leva. Hehehe. Outra vez Eliziane  parece não ter a preferência palaciana.

Nesse tabuleiro, as peças começam a se mover e os dados já rolam na mesa. Olhos abertos para 2020. A sorte está lançada.

Por um Brasil verde e amarelo

Eu passei todo o dia de hoje na expectativa de que algo diferente ocorresse que pudesse mudar o meu pessimismo sobre boa parte das pessoas que habitam nosso querido Brasil. Ledo engano. De ontem para hoje só encontrei motivos para continuar descrente em tudo, notadamente nas pessoas e em seus governantes. Maranhense que sou, vejo com tristeza nosso atual Governador, já reeleito, proferir as análises mais negativas sobre o Governo Bolsonaro que sequer assumiu, numa clara tentativa de promoção pessoal visando, pasmem vocês, as eleições de 2022. Vai procurar trabalhar, cidadão!

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O Maranhão viveu do ano passado pra cá o verdadeiro milagre econômico. De um estado quebrado, consoante discurso do Governador em Caxias (recebeu o estado com cerca de dois bilhões em caixa) a um estado próspero de grandes obras de asfaltamento, muitos convenios nos mais variados segmentos e muito dinheiro circulando distou apenas uma pre-campanha e uma campanha. Agora, o que temos é novamente o discurso da terra arrasada que não terá dinheiro nem mesmo para pagar os aposentados, consoante amplamente divulgado pela imprensa. O recurso do fundo que garantia às aposentadorias (segundo consta mais de 1 bilhão de reais) foi sacado e aplicado em outras coisas que não o pagamento dos aposentados e agora a culpa é da crise e do Temer? Me compre outro bode. Pelo menos mudou o discurso: a culpa já não é mais dos Sarneys. Hehehe. Só sorrindo de mais uma desgraça dessas.

Semanas atrás, conversando com meus alunos de eleitoral, cheguei a afirmar que o problema do Brasil estava nos partidos políticos: Organizações que recebiam e recebem pessoas voltadas para o benefício de si próprios, raramente do povo. São inúmeras vezes institutos axilar – de axila (suvaco) mesmo -, destinados à comercialização de legenda em troca de apoio ou voto. Reflito agora que o problema também está nos oportunistas que fazem do quanto pior, melhor, sua plataforma política. O resultado disso são os petrolões e mensalões da vida, dentre outros.

Hoje descobri que é endêmico. No centro de tudo a velha rotina do é dando que se recebe. Cansei disso. Chega de parasita se dar bem e ganhar sem trabalhar. Chega de aluguéis camaradas em que uns poucos ganham pela amizade com outrem e não por desenvolverem um trabalho que mereça remuneração. É preciso repensar o Brasil, um País de um potencial enorme que foi saqueado, nos últimos anos, por agentes políticos que só queriam se locupletar, segundo a lava-jato.

Já me manifestei inúmeras vezes sobre o conceito de propina e suas derivações e sempre reafirmei que nem toda doação de campanha seria propina. Contudo, inegável os avanços no combate à corrupção decorrentes dessa verdadeira cruzada verde e amarela.

Nos dias de hoje, vejo um Presidente eleito tentando acertar, retrocedendo quando necessário e avançando com coturno e baioneta quando necessário. Está montando um Ministério de pessoas qualificadas e não me venham aqui jogar pedra nem no Onix Lorenzoni e nem no Magno Malta. Foram soldados valorosos da campanha e podem contribuir, e muito, com o novo Governo. Seus pecados nem de longe se aproximam dos pecados dos integrantes da facção vermelha que recebe ordens de dentro do presídio. Seu propósito tem sido nobre há mais de quatro anos, construindo um projeto de restauração do orgulho Nacional, um projeto verde e amarelo que tem num capitão do exército, parlamentar incorruptível, o timoneiro de uma revolução silenciosa de reestruturação de um País e de uma nação.

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Já tinha ouvido críticas à escolha do Onix, do Paulo Guedes, do nosso astronauta Marcos Pontes, até do General Heleno. Silenciei. Cada um fala o que quer e de acordo com sua formação e convicção.  Agora, ouvir pessoas inteligentes e estudadas questionarem a escolha do Sérgio Moro para Ministro da Justiça pra mim foi demais. Parafraseando nosso Presidente eleito quando questionado sobre Pedrinhas (nosso spa de santinhos, leia-se presídio), “se tu não quiseres cair nas mãos do Moro é só tu não entrar pra bandidagem, não ser corrupto, não desviar dinheiro público, não infringir a lei, porra!”. Moro é um ícone de decência e a credibilidade do seu nome, não por acaso, fez a bolsa de valores atingir patamares inéditos.

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Dizer que Moro tirou Lula da disputa é outro absurdo. Lula ficou fora porque sancionou uma lei pessimamente redigida para atender aos holofotes da imprensa e porque a decisão do Moro foi confirmada e ampliada pelo Tribunal Regional Federal da 4. Região. Simples assim. Aceitem que dói menos seus babacas. Lula tá preso por corrupção e lavagem de dinheiro e a cúpula do PT também. Lula será condenado, também, pelo sítio de Atibaia e talvez pelo terreno do Instituto Lula. Isso é perseguição? Não. Basta ouvir os depoimentos do Palocci para se concluir que o Brasil foi feito de besta. Ele sabia de tudo e era ele quem operava os esquemas. Todos são inquilinos dos presídios nacionais, seja a Papuda, Bangu ou qualquer outro e muitos ainda vão se juntar a eles.

É bom já irem se acostumando. A porca vai torcer o rabo e o pau vai cantar na casa de Noca. Com prudência vai sendo construído um novo contexto político que tem o Brasil acima de tudo e Deus acima de todos.

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Em vez de ficar torcendo contra, venham trabalhar por um novo Brasil. Aqui no Maranhão temos potencial para ajudar nessa transformação. Temos um Estado com grande potencial turístico,  terras férteis, um porto fantástico que é o segundo mais profundo do mundo, temos uma estrutura multimodal que favorece a implantação de indústrias, temos a base aérea de Alcântara, um povo trabalhador, e muito mais. Temos o projeto da ZEMA de autoria do Senador Roberto Rocha que pode ser o grande diferencial no projeto do Presidente Bolsonaro de não sermos mais apenas exportadores de minério e matéria prima. Enfim, podemos contribuir. Tenham fé, coragem e vontade de vencer. Temos um País verde e amarelo, azul e branco para reconstruir. Sejamos novamente um só.

Todos pelo Brasil.

Finalmente 25

Tem certas coisas que são imutáveis. O primeiro beijo; a primeira relação sexual; o sentimento de saber que será pai a primeira vez; dentre tantos outros. Contudo, o primeiro dia de aula na faculdade é algo acima de tudo inesquecível. O contato inicial com aqueles que te acompanharão por longos cinco anos ficará para sempre na memória, sem contar as resenhas a partir daí.

Eu tive a oportunidade de chegar à universidade e conviver com duas turmas diferentes, tendo me formado com a segunda apenas pelo fato da Universidade ter deixado de ofertar uma cadeira eletiva, coincidentemente Direito  Eleitoral (ironia do destino para quem acompanha minha carreira e meus escritos).

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Vinte e cinco anos depois (a data correta da colação de grau foi 12/11/1993), hoje reencontrei meus colegas formandos, alguns dos quais vieram de outros Estados, para um jantar comemorativo pelo transcurso de data tão significativa. Eu que ano passado tive oportunidade de escrever o texto “o dia da formatura”, não tive como não revisitar o tema para registrar o quanto foi legal esse reencontro. Esquecemos preferências política, rusgas do passado ou animosidades. Hoje éramos apenas os jovens de 17 anos ou mais que davam os primeiros passos rumo ao futuro. Que pena que não conseguimos alcançar a todos. Do alto de nossos quarenta e poucos anos pudemos confraternizar sem diferença entre os vários seguimentos proporcionados pelo Direito. Éramos apenas os amigos que passam anos sem se ver, mas que quando se encontram são um só. Não tinha Magistrado, Ministério Público, serventuários, advogado, nada. Apenas pessoas felizes por estarem juntos.

 

Agradeço em nome de todos a Ivo Anselmo e Carol pela perseverança em tornar este momento uma realidade. Sem sua obstinação não teríamos conseguido trazer Tonzinho de Brasília ou Marcelo do Ceará (não declinarei suas identidades funcionais para preservá-los, em que pese possam ser facilmente identificáveis nas fotos que acompanham este momento inesquecível). Fluiram lembranças que o tempo jamais apagará, muitas das quais tivemos oportunidade de contar pros nossos filhos, estes próprios decorrentes da semente que plantamos, com grande sacrifício, 30 anos atrás. Afinal, para chegar a 25 de formatura tivemos 5 antes de grande aplicação no curso e outros tantos de preparação para o vestibular.

O dia de hoje, para mim, tem um significado especial. Não é somente um encontro inesquecível. É também o marco de um recomeço. Dia 04/11 minha filha faz a prova do ENEM. O mundo gira e um novo caminho se apresenta. Vivo na alegria do momento a ansiedade de um novo início. Talvez esse sentimento seja somente meu no dia de hoje. Amanhã, outros que se ombreiam comigo nas festividades de hoje certamente sentirão tudo que agora sinto. Que bom. Viverão como eu o ciclo da vida.

Na nossa aula da saudade, conclamei os formandos para um dia retornarem à Academia para contribuir com as gerações futuras com suas experiências de vida. Acho que o primeiro de nós a fazê-lo foi o magrelo. Este ano tornei efetivo o meu pleito de 25 anos atrás. Tornei-me professor universitário. Espero que meus alunos possam extrair de mim mais que minhas experiência profissionais.

Quando volto os olhos para o passado, vejo tudo o quanto construí e meu legado. Vendo meus amigos hoje, sei que por suas mentes também passou um filme. Cada um com suas experiências e suas angústias, mas com a certeza de que viveram suas vidas como foi possível viver. Quando colamos grau, na condição de orador da nossa turma,  pontuei a todos que “a porta está aberta, sejamos dignos de entrar”.  Nossos mestres nos deram o rumo, coube a nós construírmos o nosso futuro. Acho que nos mostramos dignos.

De tudo, resta uma certeza inafastável: chegamos lá. Vencemos. Nos mostramos dignos o suficiente para dizer que 25 anos depois estamos nós, felizes, a serviço da comunidade, distribuindo a Justiça e aplicando o direito. Que venham outros vinte e cinco.