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CHUVAS DE VERÃO

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O passar dos anos tem o condão, o poder, de fazer com que muitos amadureçam e consigam ver o mundo com os olhos de quem aprendeu com os erros e evoluiu com as experiências da vida. Viver e não avançar é estagnar, na alegria ou na tristeza, no se manter no presente ou evoluir no porvir.

No mundo atual, de gerações ainda do século passado convivendo com as modernidades do presente, manter-se fiel aos princípios originários para construir um futuro é voltar os olhos ao passado e ver que o presente foi construído em decorrência de valores ainda anteriores, provenientes de avós que construíram o futuro a partir de ensinamentos consuetudinários e do suor do seu rosto. Muitas vezes não tinham estudo, mas apenas a vontade de dar, para as gerações vindouras, a educação necessária para fazer um amanhã sem as lutas e dificuldades de outrora.

Entre o querer fazer e o conseguir, passavam por um elemento determinante: o poder.

Deveras, não seria o poder a força de executar, mas o mecanismo para alcançar; sem dúvida aquele que transforma o talvez em realidade. Faz o possível se tornar real.

Hoje tive a oportunidade de me reencontrar com letra e música que tinha muito tempo não se apresentavam para mim. Tocando em frente é poesia extraída do simples, do cotidiano, de frases prontas que dizem muito, bem mais do que possa compreender nossa vã filosofia. Muitas vezes reflete minha própria vida, fruto da insatisfação do passado ou projeto de futuro.

Realmente hoje “ando devagar porque já tive pressa e levo esse sorriso porque já chorei demais.

Hoje me sinto mais forte
Mais feliz, quem sabe
Só levo a certeza
De que muito pouco sei
Ou nada sei

Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs

É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Penso que cumprir a vida
Seja simplesmente
Compreender a marcha
E ir tocando em frente

Como um velho boiadeiro
Levando a boiada
Eu vou tocando os dias
Pela longa estrada, eu vou
Estrada eu sou

Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs

É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Todo mundo ama um dia
Todo mundo chora
Um dia a gente chega
E no outro vai embora

Cada um de nós compõe a sua história
E cada ser em si carrega o dom de ser capaz
De ser feliz

Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs

É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir”

Entre divagações e lucubrações, embalado por essa música inesquecível (Tocando em frente, de Almir Sater e Renato Teixeira), me questiono novamente se entre o querer e merecer não haveria um poder, no sentido de ser possível alcançar, e um desejo, este no sentido de ser, pois quando os cinco sentidos se manifestam em satisfação de estar próximo, me questiono sobre a pertinência da distância, da impossibilidade, da frustração entre o sentir, o querer e o poder.

Nessas chuvas de verão, gostaria de poder sentir, quiçá viver, para poder sorrir e florir.

Terra tombada (grande sucesso de Chitaozinho e Xoxoró), mostra a preocupação com o trabalhar a terra, fecundar, plantar e colher. Em dado momento diz que a água, leite da terra, alimenta a plantação. Chuva é alimento da terra, é fonte de vida, de amor e de prazer. Vida da planta que nasce, do amor em produzir alimento, prazer de comer, alimentar e viver.

O produtor rural prepara a terra, por volta de outubro/novembro, para receber as chuvas de dezembro que farão da junção da semente com a terra adubada, a planta que alimentará o mundo.

Da chuva na terra se tem o odor inigualável do cheiro de terra molhada. De temporal de amor (sucesso de Leandro e Leonardo), uma simbologia marcante: “Doido pra sentir seu cheiro; Doido pra sentir seu gosto; Louco pra beijar seu beijo”.

Cheiro de terra molhada; gosto de fruta; beijo de chuva (sensação irresistível da água, vinda do céu, para aplacar a sede da terra e do homem).

Que ela não tarde a chegar: chuva de verão: fonte de amor, prazer, de viver. Sinônimo de felicidade.

 

 

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