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Homenagem

Simplesmente BONIFA

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JOSÉ BONIFÁCIO MUNIZ NETO, para muitos Bonifacinho ou Boni. Para mim, BONIFA, meu primo mais velho.

Sorriso largo seguido por uma gargalha longa. Essa era a marca registrada dele. Sempre acreditei que o bom humor era genético, herança direta do seu pai, Zé Gordo.

Das recordações que guardo da minha infância, em muitas delas ele se faz presente, vez que ali estava quando de sua aprovação para o curso de Direito, nos nossos torneios de futebol de botão ou nas nossas partidas de futebol, nas tardes de sábado, ocorridas sempre em alguma salina ou na praia do olho d’água, em frente à casa que um dia pertenceu a Mauro de Alencar Fecury, à direta de quem desce pela rua da igreja.

De nossa casa no Ipase saíamos eu, papai (Antonio José Muniz, Tote ou Dr. Muniz, como chamavam “O menino da ferrovia”), meu primo/irmão Durval, nossos vizinhos Fernando e Marcelo de Carvalho Silva, Meng, André Cajarana, seu Alcides, o genro dele Henrique (chamávamos ele de seu Keké), Raimundo, os irmãos Gilson Jaburú e Aquiles, os irmãos Robson e Roberto, Tanús Abdala (o boca de sapo), Braz, e um ou outro vizinho que se interessasse em participar, como eventualmente Carueira e Humberto do grupo Opção, samba e futebol, sobre o qual algum dia escreverei.

No caminho, parávamos na casa dele no Turú para encontrar com Murilo (era seu vizinho), Sarafa e Walter, irmãos de Lemir, Gel, Veloso e alguns outros daquela região. Bola carioca debaixo do braço, seguiamos para a praia para encontrar Zeca Azoline, Alim Maluf e Joaquim Haickel, para em seguida completarmos os times com alguns outros peladeiros de praia. Foi lá que ele viu despertar o meu talento para jogar no gol, vez que eu era a única criança a participar.

Tive a oportunidade de acompanhar o dia em que chegou a notícia de que se casaria com Lemir (meus pais foram padrinhos do casamento) e, mesmo de longe, vi nascer e crescer uma família linda (a beleza aqui por pura liberalidade textual, vez que papai sempre brincava com ele sobre Márcio, Mauro e Eduardo, retornando uma expressão que ele próprio cunhara para se referir a mim e ao meu irmão mais velho: Ô meninos feios). E pensar que ainda perfilhou de coração meu querido Wellington Ganso, tão feio quanto. Hehehe. Desculpem aí, primos queridos, mas não poderia perder a piada. Hehehe. Salvaram-se do conceito Marina, Nadjamara e Lemisse. Hehehe

Sempre muito irrequieto e ativo, coube a ele, juntamente com tio Ribamar quatro olho e tio Zequinha Buranga, assumir o comando do festejo de Carema quando vovó Hormígida passou a se dedicar apenas à parte religiosa da festa que depois passaria para o comando de Eliezer, filho de Buranga, Pingo e Marco Antonio, filhos de Tio Ribamar e Márcio Muniz, que hoje divide a atribuição com seu irmão Mauro. Merece registro o tamanho orgulho que ele tinha de fazer parte disso. Lembro dele levar os colegas da faculdade para prestigiar e participar do evento, como por exemplo meu querido Professor Afranio Weber Filho.

De sua participação ativa na comunidade aflorou a veia política que nos levou a uma belíssima campanha para Prefeito de Santa Rita em 1992 (proferi meu primeiro discurso em palanque no comício de encerramento na praça da prefeitura,  ainda acadêmico de Direito). Cruzavamos o Município ao som do jingle criado por nosso amigo Dorgival.

🎵Bonifácio Neto,
Para prefeito é esse que eu quero
O povo hoje necessita
De um bom prefeito para Santa Rita

É juventude, é dinamismo
Honesto e trabalhador
Ele é filho desta terra
Conhece os problemas melhor
Bonifácio Neto
O povo vê em você a solução
E por isso já escolheu
Tu serás o Prefeito no dia da eleição. 🎵

Para aqueles que sustentaram a tese de que perdemos, sempre afirmamos nossa vitória, o que muitos anos depois foi confirmado por quem tinha a obrigação de zelar pela lisura do pleito, mas que à época se omitiu ao sucumbir às pressões do sistema. Triste realidade de um tempo em que a comprovação do ilícito eleitoral era quase impossível, mesmo que a letra aposta nas cédulas eleitorais fosse a mesma, como bem mostramos eu e Evaldo, marido de Clécia, irmã de Bonifa.

Ainda que ele nao tenha sentado na cadeira de Prefeito, sua liderança, depois, foi confirmada e reafirmada quando da eleição e sucessivas reeleições do seu filho Márcio, afilhado de batismo de papai e mamãe, como Vereador de Santa Rita e das expressivas votações que sempre deu aos seus candidatos nas eleições proporcionais.

De invulgar capacidade analítica sobre o cenário eleitoral, era sempre consultado sobre a composição de grupos e coligações, para o que, vez ou outra, me chamava a opinar.

Carema nunca mais será a mesma. Em sua casa na voo livre restará o silêncio que tão significativa partida impõe. A casa cheia de compadres, comadres, amigos e correligionários não terá mais a mesma frequência para um café ou para degustar um peixinho, como aqueles que sua querida esposa e companheira sempre gostou de pescar, ou um suíno, carne que sempre contou com a sua preferência.

Viverás eternamente em nossos corações e nas recordações dos momentos felizes que vivemos juntos, responsáveis pelo mar de lágrimas que tenho derramado desde a tua prematura partida para o outro lado do caminho, nos dizeres de Santo Agostinho.

Por hora, te deixo na agradável companhia daqueles que sempre te quiseram bem, nossos avós José Bonifácio e Hormígida, teus pais Zé Gordo e tia Sesé, teus irmãos Norzinho e Nôca, tio Zé Carlos, tio Zequinha Buranga, tia Teresinha, Antônio Ribeiro, nosso primo Luis Carlos (a luz de Caremú), e tua comadre, minha querida mãe, Níusmar, somente para citar alguns.

Descanse na paz do nosso Sagrado Coração de Jesus, meu querido primo Bonifa. Algum dia haveremos de nos reencontrar.

2 Comments

2 Comments

  1. Wellington

    28 de março de 2024 at 01:30

    Quando o sangue é o que menos importa ! Fiilho , lugar que que sempre me coloquei. Mas mesmo que póstuma, a referência de um parente direto chancela a esse amor recíproco e verdadeiro .

    • Sergio Muniz

      28 de março de 2024 at 13:56

      Sei disso meu amigo

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Homenagem

Tia Dirce, Oscar e o silêncio

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É estranho, para mim, iniciar um texto pelo final do título. Contudo, não vejo como ser de outra forma.

Silêncio.

Para alguns, um dia qualquer. Para muitos, um inesquecível momento de se despedir de quem vai fazer muita falta. Em universos distintos e certamente desproporcionais, o Brasil e o Maranhão perderam hoje duas pessoas de significativo valor: retornaram para os braços do Pai, a nível de Maranhão, Dirce Fecury Zenni. A nível de Brasil, Oscar Schmidt. De comum entre ambos, um pequeno elo chamado Ricardo Zenni.

Eu era menino quando aceitei um inesperado convite do falecido Professor de basquete do Colégio Dom Bosco, o inesquecível César, para treinar aquele esporte que, na minha vida, representava apenas uma distração até o início das aulas de matemática do Professor Nascimento Morais, ministradas no começo da noite na casa do meu amigo Fábio Nahuz, onde hoje fica a sede da Unimed no Canto da Fabril. Talvez por ser um pouco maior que a maioria dos meninos da época, ele achou que eu teria possibilidade de me destacar (ledo engano: no ano seguinte passei a me dedicar ao esporte da minha vida que foi o futebol de salão). Na época, eu e miudinho formamos uma razoável dupla de pivôs, pelo menos para nossa realidade infantil. Nossa esperança de ir bem no esporte durou até batermos de frente, nos jogos infantis maranhenses, com o time do Colégio Batista que tinha Alan Neto e Arnaldo bicudo na armação e Cosme (já falecido) de Pivô. Eu e miudinho pulávamos e não conseguíamos chegar no antebraço dele. Hehehe. O cara era enorme para nossa realidade.

Para quem não sabe, miudinho era e é meu amigo/irmão Clóvis Fecury, filho de uma lenda do nosso desporto amador justamente naquela modalidade, o ex-Prefeito de São Luís; Idealizador e fundador da Universidade CEUMA, Mauro de Alencar Fecury. Nos finais de semana, costumávamos ir para a casa de Clóvis no bairro do Olho D’água, para brincar e jogar basquete, momentos nos quais tínhamos a oportunidade de ver Dr. Mauro e Ricardo Zenni jogarem. Como diria Bruno Henrique do Flamengo: otopatamar. Ficávamos nós, eu, Clóvis, Fábio Beiço, Paulinho, Catatau, eventualmente Maurício Itapary, Josmar e mais alguns outros admirando e aprendendo como praticar aquele esporte com um mínimo de qualidade.

Ricardo Zenni, além de nos massacrar juntamente com Dr. Mauro, ainda desfilava seus jumps (jump shot é um fundamento do basquete em que o atleta arremessa a bola no ponto mais alto do seu salto de ataque) depois das partidas. O cara não errava um arremesso, principalmente de três pontos. Foi nessa época que soube que ele teria jogado com o grande Oscar da seleção brasileira de basquete. Ricardo Zenni é filho de Tia Dirce, irmã de Dr. Mauro. Ela é, portanto, tia de Clóvis.

Tia Dirce foi uma figura exponencial. Dona de uma alegria infinita e um cativante sorriso. Se fazia presente todos os dias em sua lanchonete no Ceuma, normalmente acompanhada por sua filha Virna, onde com todo carinho e atenção, recebia os alunos ávidos por saciar sua fome com os quitutes deliciosos que ela disponibilizava. Sempre foi muito querida por todos. Para nós, que pudemos estar com ela fora do ambiente de trabalho, era Tia Dirce, irmã de tio Miguel e de Dr. Mauro. Uma doce pessoa de sorriso largo e olhar acolhedor. Um exemplo de mãe e mulher empreendedora.

Quanto a Oscar, este não necessitava de apresentação por onde quer que andasse. Ele fazia parte da geração mais vencedora do nosso basquete dos anos 80 aos anos 2000. Em que pese eu achasse que Marcel tinha mais plasticidade no arremesso (Oscar era mais desengonçado), ambos formaram com Marquinhos, Gerson, Pipoca, Guerrinha e Carioquinha, dentre outros, a mais vitoriosa geração de jogadores de basquete brasileiros que vi jogar. Graças a Ricardo Zenni e Dr. Mauro, eu não perdia um jogo e torcia muito pela nossa seleção. Se não ganhamos olimpíadas e Oscar sempre se ressentiu de ter errado o último arremesso no jogo contra a União Soviética (teríamos vencido o jogo e o Brasil poderia ter sido o campeão olímpico, vez que essa honra coube aos soviéticos), ganhamos o jogo mais emblemático do século XX, quando o Brasil venceu os EUA no pan-americano de Indianápolis, dentro, portanto, dos Estados Unidos, naquela que foi a primeira derrota deles em finais. Lembro como se fosse hoje da narração de Luciano do Vale, de Marcel sambando meio sem jeito após mais um ponto e de Oscar chorrando no final da partida. Inesquecível.

Oscar foi o maior jogador de basquete do Brasil. É o maior pontuador profissional com mais de 49 mil pontos e o maior pontuador em olimpíadas com mais de mil pontos, tendo disputado cinco olimpíadas. Integra o hall da fama do basquete sem nunca ter jogado na NBA, em que pese tenha sido drafitado (escolhido). Optou por não se profissionalizar lá vez que isso o impossibilitaria de jogar pela seleção brasileira. Foi um patriota que nunca se arrependeu da escolha que fez. Para mim, fã incondicional, ele está no mesmo patamar, no Brasil e para o mundo, de Pelé, no futebol, Airton Senna no automobilismo, Guga no Tênis e César Cielo na Natação, apenas para citar desportista homens.

Oscar lutou contra um câncer de cérebro desde 2011 e venceu. Ele morreu de uma parada cardiorespiratória após se sentir mal. Deixa um legado de dedicação ao treinamento insuperável. Dizia que teve quem jogasse mais que ele, mas não que treinasse mais.

Para mim, hoje foi um dia de silêncio e dor. Silenciei quando soube da partida deles. Doeu saber que perdemos um ícone do esporte e uma pessoa espetacular como tia Dirce. O elo, Ricardo, sofreu duas vezes.

A família Ceuma diz adeus. Nós, pobres mortais, até breve.

À família Fecury Zenni, recebam meus sentimentos e um fraternal abraço neste momento de dor. Força e fé.

Aos brasileiros, digo que tivemos a sorte de ter, entre nós, um potiguar que levou o basquete do Brasil para o mundo e que está, para sempre, imortalizado no Hall da fama do basquete mundial.

Que haja um minuto de silêncio, seguido por um caloroso aplauso, em homenagem àqueles que partiram deixando uma marca indelével de suas realizações.

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Homenagem

Ninho da Serpente

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Ninho da serpente foi uma grande telenovela brasileira, produzida e exibida pela Rede Bandeirantes no ano de 1982 e que tinha no elenco grandes nomes da nossa teledramaturgia como Cleide Yacones, Eliane Giardini, Laura Cardoso, Beatriz Segall, Kito Junqueira, Juca de Oliveira, Othon Bastos, dentre outros.

A novela trazia como enredo a morte do empresário Cândido Penteado e uma verdadeira guerra pela sua enorme herança, a qual tem como atores principais a irmã do falecido, Guilhermina Penteado, personagem de Cleide Yacones, seus filhos e netos, e Mateus, filho do falecido, o qual só encontra apoio em sua tia Maria Clara e em Lídia (Eliane Giardini), neta de Guilhermina e seu grande amor. A trama conta ainda com a paixão de Mariana por Mateus (ela é sua obcecada prima e a personagem é vivida por Julia Lemmertz – um colosso de mulher quando a conheci no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, quando alcançava meus doze anos) e de Karl (Paulo César Grande) por Marinalda (Mayara Magri), estes em início de carreira. Lembro que Kito Junqueira e Eliane Giardini estiveram em nossa casa no bairro do Ipase, em São Luís do Maranhão, levados por Joaquim Haickel, então assessor da Casa Civil do Governo do Estado, os quais buscavam um avião que os levasse para conhecer os lençóis maranhenses, isso ainda em 1982, no final do Governo de João Castelo.

Como o próprio nome da novela aponta, ninho da serpente se refere à mansão aonde morava a megera Guilhermina e onde vai morar Mateus, o herdeiro real da fortuna (a casa existe realmente no bairro Jardins, em São Paulo e conserva sua majestosa escadaria tão destacada nas cenas da novela).

Essa obra, registre-se, não se destacou apenas pela envolvente trama que a levou a ameaçar a hegemonia da Globo, mas também pela sua excepcional trilha sonora, notadamente a internacional, que contou com músicas da envergadura de Perhapes Love, interpretada Por John Denver e Plácido Domingo e Memory, interpretada por Barbra Streisand.

Vocês certamente devem estar se perguntando a razão destas lembranças em novembro de 2025. Respondo: minha mãe amava essa novela e eu aprendi, com ela, a ter o mesmo sentimento.

Perhaps Love, espetacularmente interpretada na novela pelo seu autor, John Denver, e pelo fantástico tenor argentino Plácido Domingo (disponibilizo o link, mas este pode ser retirado pelo YouTube, porém pode ser acessado digitando o nome da música e pedindo para ser a traduzida), traz uma mensagem linda de amor e saudade. Segundo a inteligência artificial, “A letra de “Perhaps Love” fala sobre as várias facetas do amor, descrevendo-o como um “abrigo” e um “lugar de descanso” em tempos difíceis, mas também como um “oceano repleto de conflitos e dor”. A canção reflete sobre os dilemas do amor, com algumas pessoas dizendo que é preciso “segurar firme” e outras que é preciso “deixar ir”. A memória do amor, no entanto, é descrita como algo que traz conforto e persistência”. Senão vejamos:

“Talvez o amor seja como um local de descanso,um abrigo da tempestade
Ele existe para te oferecer conforto, Ele está lá para te manter aquecido
E naqueles tempos de dificuldade quando você está sozinho,
A lembrança do amor vai te trazer para casa

Talvez o amor seja como uma janela,Talvez uma porta aberta,
Ele te convida para chegar mais perto, Ele quer te mostrar mais
E mesmo se você perder a si mesmo e não souber o que fazer,
A lembrança do amor vai te acompanhar
O amor para alguns é como uma nuvem, Para alguns tão forte como o aço
Para alguns um modo de vida, para alguns um modo de sentir.
E alguns dizem que o amor está persistindo E alguns dizem que está desistindo
E alguns dizem que o amor é tudo E alguns dizem que não sabem…

Talvez o amor seja como o oceano, Repleto de conflito, repleto de dor
Como uma chama quando está frio lá fora, Um trovão quando chove.
Se eu viver eternamente E todos os meus sonhos tornarem-se realidade,
Minhas lembranças do amor serão sobre você…

E alguns dizem que o amor está persistindo E alguns dizem que está desistindo
E alguns dizem que o amor é tudo E alguns dizem que não sabem

Talvez o amor seja como o oceano, Repleto de conflito, repleto de dor
Como uma chama quando está frio lá fora, Um trovão quando chove.
Se eu viver eternamente E todos os meus sonhos tornarem-se realidade,
Minhas lembranças do amor serão sobre você…”

https://youtu.be/D9gf6cUuB54?si=3H5WWfRvdPenvCaD

Por sua vez, Memory, uma das mais premiadas interpretações de Barbra Streisand, nos remete para um outro tipo de sentimento. Profundo, é verdade, mas de contexto diferenciado. Diz a letra:

Meia-noite
Nenhum som da calçada
A Lua perdeu a memória?
Ela está sorrindo sozinha
Na luz do lâmpada
As folhas secas
Juntam-se aos meus pés
E o vento começa a gemer

Lembrança
Totalmente sozinha ao luar
Eu posso sonhar com os velhos dias
Em que a vida era linda

Eu lembro da época em que
Eu sabia o que era a felicidade
Deixe a lembrança viver novamente
Cada lâmpada da rua
Parece palpitar
Um aviso fatalista
Alguém murmura
E a lâmpada da rua crepita
E logo será manhã

Luz do dia
Eu devo esperar pelo nascer do Sol
Eu devo pensar sobre uma nova vida
E eu não devo ceder
Quando a aurora chegar
Esta noite será uma lembrança também
E um novo dia começará

Finais desgastados de dias esfumaçados
O cheiro frio e passado da manhã
Uma lâmpada da rua se apaga
Outra noite terminou
Mais um dia está amanhecendo

Toque-me
É tão fácil me abandonar
Totalmente sozinha com a lembrança
Dos meus dias ao Sol
Se você me tocar
Você compreenderá o que é a felicidade
Olhe, um novo dia começou!”

https://youtu.be/sLxSFi5Fq0o?si=MnvvO5pN5qk6nHlq

Depois de um dia desgastante de trabalho, voltei pra casa vendo no céu a lua cheia de outono. Ela já não tem mais o mesmo brilho para mim e os velhos dias em que a vida era linda já não existem mais.

Em seu lugar ficou apenas uma eloquente saudade.

O dia não tarda a amanhecer e eu devo ceder. Preciso acreditar em um novo amanhã. Preciso viver, ainda que a solidão tente forçar ao contrário, diz a música com pertinência.

Dos meus cinquenta e cinco anos convivi cinquenta contigo. Não tenho como acostumar com tua ausência em cinco anos. Tua partida dói a cada minuto, um interminável lapso temporal que se renova.

Volto para perhaps Love.

“Talvez o amor seja como um local de descanso,um abrigo da tempestade
Ele existe para te oferecer conforto, Ele está lá para te manter aquecido
E naqueles tempos de dificuldade quando você está sozinho,
A lembrança do amor vai te trazer para casa

Talvez o amor seja como uma janela,Talvez uma porta aberta,
Ele te convida para chegar mais perto, Ele quer te mostrar mais
E mesmo se você perder a si mesmo e não souber o que fazer,
A lembrança do amor vai te acompanhar”.

Boa parte das lembranças que tenho de um amor verdadeiro me transportam para as nossas casas. Tua presença firme nos fazia acreditar que nosso lar fora edificado sobre a rocha. Foste a mulher virtuosa da Bíblia que edificou sua casa, não a mulher que rasga os ensinamentos e os juramentos assumidos perante Deus. Amaste nosso pai e teus filhos mais até do que amaste a ti mesma. Compreendeste o ensinamento bíblico que diz que o homem e a mulher deixarão a casa de seus pais, formarão uma família e serão uma só carne. Tudo o que somos devemos a vocês, mas muito a ti que, mesmo nas ausências de papai, causadas por suas inúmeras atribuições, soubeste nos conduzir no bom caminho.

Fiz questão de registrar tudo isso entre os dias quatro e cinco de novembro. Quatro por ser o teu aniversário, mas também o início do tempo mais longo da minha vida. Vivi, juntamente com Márcia, minuto a minuto da tua luta, da tua dor e tua partida, já no dia cinco. Em quatro de novembro de 2025 farias oitenta e três lindos anos. Em cinco de novembro faz cinco anos e cinco meses que foste ao encontro do pai.

É dificílimo viver sem tua presença física, mas estás em cada célula de cada um de nós.

Não viveste no ninho da serpente.

Viverás para sempre na nossa memória, mas a cada dia em que eu olhar uma lua cheia de outono, saberei que o meu futuro é de dor, saudade e lágrimas, caídas dos meus olhos em forma de gotas, como as chuvas do inverno.


Te amarei para sempre minha mãe. Até quando o sol não mais brilhar para mim, viverás eternamente no meu coração.

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Homenagem

O filho da promessa

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Em 2017 tive a oportunidade de escrever o texto “Ao Sagrado Coração de Jesus “, o qual viria a atualizar em 2019. Nele narro como se deu o surgimento do festejo de mesmo nome que é realizado em Carema todo mês de julho. Dizia eu àquela época:

“Dos oito filhos que tiveram (José Bonifácio e Hormígida), quatro já haviam nascido com grande dificuldade e muitas dores. Eram eles Sebastiana (Cecé), José Carlos, Theresinha de Jesus e Benedita (Bindoca). Após engravidar do quinto filho em 1937, D. Hormígida se entregou de vez à fé no Sagrado Coração de Jesus e fez a promessa de que se tivesse um parto normal e sem grandes dores, todos os anos lhe renderia homenagem mandando celebrar uma missa na capela que haveria de mandar construir e fariam uma grande Festa. Suas preces foram atendidas. O bebê, que recebeu o nome de José Ribamar, nasceu em 27 de julho de 1938 de um parto tranquilo, assim como todos os outros que vieram depois: José Bonifácio Filho (Zequinha Buranga), Raimunda (Dica) e Antonio José (Tote). Começava assim uma tradição que em 2019 ( quando atualizo este texto escrito em 2017) alcança 80 (oitenta anos) anos. Sempre no último sábado do mês de julho o Povoado Carema, edificado às margens da Ferrovia São Luís-Teresina, no município maranhense de Santa Rita, recebe o maior evento religioso da região, o festejo em homenagem ao Sagrado Coração de Jesus. Sim, neste ano a criança cujo nascimento ensejou a promessa, Ribamar Muniz, faz oitenta e um anos e o festejo oitenta, recaindo o último sábado de julho desta feita na data do seu aniversário.”

Ribamar cresceu. Tinha uma deficiência visual que lhe fez usar óculos desde muito cedo, o que acabou por lhe render o apelido que o acompanhou por toda a vida: Ribamar quatro olho.

Sempre muito comunicativo, mas de jeitinho manso, conquistava a todos com seu sorriso largo. Tinha muitos amigos e em decorrência dessas amizades, muitos compadres. Sempre me impressionava a quantidade de pessoas que se aproximavam dele e o cumprimentavam chamando-o de compadre.

Me acostumei a vê-lo andando de um lado para outro, de bicicleta ou, depois, de motocicleta, meio de transporte que ele tanto apreciava. Visionário, montou um comércio no bairro céu azul, entre Carema e a Sede de Santa Rita, consciente de que ali prosperaria, haja vista que seria natural o crescimento da cidade ao longo da Avenida General Rivas. Inúmeras vezes o via sentado no balcão de madeira aguardando seus clientes e amigos.

Sua enorme popularidade lhe rendeu vários mandatos de Vereador, tendo se tornado o decano da Câmara Municipal.

Neste ano de 2025, ele completaria 87 (oitenta e sete anos) e a data recairia no último final de semana de julho, por ocasião do festejo do Sagrado Coração de Jesus, evento criado em homenagem ao Pai pelo nascimento de um filho chamado José.

Na data de ontem, 18 de abril de 2025, ele descansou. Coincidentemente no mesmo dia em que Jesus Cristo entregou o seu espírito ao criador pela remissão dos pecados da humanidade.

Abençoada foi vovó Hormígida com teu nascimento. Abençoado foste tu, Ribamar, no momento do teu descanso. Foste grande durante a vida, muito maior na hora da morte. Agora estás do outro lado do caminho, de onde ajudarás a encaminhar os teus.

Siga a luz, meu tio. Santa Rita jamais esquecerá José Ribamar Muniz, o Ribamar quatro olho, o filho da promessa.

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