Os filhos eternos

Uma das grandes verdades sobre a minha pessoa é que sou extremamente emotivo e existem momentos e motivos que fazem aflorar essa emoção. Na noite de ontem não foi diferente. Enquanto fazia uma pesquisa para fechar uma nova tese que estou desenvolvendo em defesa de um cliente, acompanhei o início do filme exibido pela Rede Globo, “o filho eterno”, o qual narra as dúvidas e o aprendizado de um jovem casal que tem um filho, o primeiro e único da relação, portador de Síndrome de Down. Ainda bem que estava no fim da minha busca e pude assistir a essa bela película nacional.

A interpretação marcante de Paulo Veras como o escritor Roberto e de Débora Falabella como Cláudia, mãe do pequeno Fabrício (Pedro Vinicius), me tocou profundamente. É indiscutível que a descoberta de que seu filho possui uma síndrome de nascimento não pode ser tida como um fato corriqueiro. Claro que os pais vão procurar obter todas as informações possíveis sobre o assunto e a tendência natural é a busca por uma cura ou mesmo por melhoria da condição de vida da criança. Claro também que existem exceções. Alguns não conseguem segurar a barra e se acovardam e somem. Outros se tornam indiferentes e egoístas e outros resolvem lutar.

A Síndrome de down, mais corriqueira, ou o autismo, ou uma infinidade de outras (são milhares), são objeto de estudo de geneticistas, pedagogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, enfim, inúmeros especialistas, cada qual para tratar de um seguimento relacionado ao tratamento e evolução das síndromes mas, sem dúvida, os maiores especialistas precisam ser os pais. São eles que terão o dever de acolher, cuidar e orientar quando eles mesmos ainda estarão em um eterno aprendizado. Para tanto, trocar informações com outros pais, se organizar em grupos ou associações é muito importante e dentro desse contexto a APAE, Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais, tem sido, ao longo dos anos, um exemplo de dedicação no aprimoramento de tudo o quanto necessário para o enfrentamento da questão. São excepcionais por serem fantásticos. São verdadeiramente especiais. 

Lembro que em uma viagem de férias eu e minha família encontramos um casal cujo filho era autista em grau elevado, o que demandava dedicação exclusiva à criança que, pela gravidade do quadro clínico, em dados momentos se tornava agressiva, o que ensejava o uso de uma medicação muito forte. Em uma conversa iniciada por mim nos revelaram o quanto era difícil para eles ver no semblante das pessoas suas impressões sobre o filho ou sobre seus atos, como por exemplo quando a esposa foi recriminada por uma hóspede do hotel por tomar uma taça de vinho. Agir com naturalidade ajuda muito e procurar compreender tudo o quanto circunda a vida dos envolvidos mais ainda.

Eu tive grande admiração pelo professor Expedito Alves de Melo e pelo trabalho que desenvolveu à frente da APAE e depois na Faculdade Santa Terezinha-CEST com seus cursos voltados para o amparo de portadores de síndromes. Hoje se sabe, por exemplo, que as crianças com Síndrome de Down podem ser alfabetizadas e se desenvolver nos estudos, podem namorar e casar, podem trabalhar e produzir. Sabe-se hoje que o autismo possui várias graduações e que alguns são considerados verdadeiros gênios. Cada qual com sua especificidade. O mundo não acaba se seu filho nasce com uma síndrome e você não precisa morrer por causa disso. O mundo renasce para você em outra perspectiva. Você passa a ver o mundo de outra forma. Renasça com seu novo mundo. Existe alguém que precisa do seu renascimento e do seu amor. Foi o que aconteceu com o craque de futebol Romário. Ele se reinventou quando sua filha Ivy nasceu com Síndrome de down e se tornou uma voz no parlamento para lutar pelo direito dos portadores de síndromes. Um grande exemplo.

No final do filme, o personagem Roberto, um apaixonado por futebol que para de assistir os jogos por achar que seu sonho do filho jogar nunca se concretizará, assiste com ele parte da final da copa de 1994. Naquele momento ele redescobre seu gosto pelo esporte e que tem um filho maravilhoso. Chorei em bicas. Ele renasceu. Renasçam também. Vocês tem um filho que será sempre seu. Que poderá ser ou não uma criança para o resto da vida. São filhos eternos que poderão ou não precisar de vocês para sempre. Do seu apoio e, principalmente, do seu verdadeiro amor. Ame seu filho incondicionalmente.

P. S. Eu te amo

P. S. Eu Te amo é um filme que retrata a vida do casal Holly Kennedy (Hilary Swank) e Gerry (Gerard Butler). Apaixonados, eles tem uma vida feliz quando ele descobre que está doente, vindo em seguida a falecer, não sem antes deixar para a esposa uma série de cartas que sempre terminavam com a frase “P.S. Eu te amo”.

Por mais apaixonados e cúmplices no relacionamento que fossem não poderiam jamais imaginar a morte precoce e ele, consciente da perda inevitável que ela teria, preocupou-se de, através das cartas, não somente demonstrar seus profundos sentimentos, mas também e principalmente, gradativamente, lhe dar forças para aceitar e recomeçar.

O dia de hoje marca um reencontro para aqueles que em algum momento se encontraram e começaram a trilhar uma vida a dois. Outras vezes, porém, marca o lembrança do desencontro ou até mesmo da perda definitiva do companheiro. Para uma ou outra situação, sem dúvida o mais importante é aproveitar cada segundo, sempre valorizando ao máximo as qualidades de quem está ou estava ao seu lado.

Não é o presente que importa. Ele nada mais é que um mimo, um registro da importância da data. As vezes é até dispensável. Um gesto, um sorriso, até mesmo uma lágrima podem ser muito mais significativos.

Tantas vezes olhamos para trás e vemos as dificuldades do caminho, os erros, os acertos, as reflexões e constatamos que ali, próximo, naquele momento, estava a pessoa escolhida, as vezes apenas ela para dividir e também somar.

Outras tantas, tudo o que se queria era justamente o apoio de quem partiu deixando apenas a lembrança, a saudade e certeza de que o retorno é improvável ou impossível. Aí, sim, nada mais será possível fazer.

Assim, não perca a oportunidade de, em vida, agradecer a Deus a dádiva de ter consigo essa pessoa especial que, para sempre, enquanto existir amor e respeito, estará ao seu lado e, também, de demonstrar esse amor e importância não somente um dia por ano, mas em todos eles.

Um dia, disse o poeta em seu soneto de fidelidade:

“De tudo, ao meu amor serei atento antes
E com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure”.

Ame e viva o amor enquanto pode, para que amanhã não lhe reste apenas redigir cartas para lembrar o amor perdido ou mesmo para registrar a impossibilidade do convívio com o post scriptum Eu te amo.

Feliz dia dos namorados.

Quando o cinema ensina a dizer obrigado.

Eu era somente uma criança quando vi pela primeira vez Charlton Heston atuar no cinema. Foi em “Os dez mandamentos”. Eu já era uma criança aficionada pelas estórias bíblicas que minha avó Elizabeth, mãe de minha mãe, me contava. Como sabia ler, sempre que ela me falava sobre alguma passagem bíblica, me pedia em seguida para ler para ela na bíblia. Para ela era uma forma de me educar, assim como para manter presente na memória tudo o quanto no santo livro se encontrava, vez que havia ficado cega em decorrência do glaucoma e da catarata. Foi através dela que tomei conhecimento de Adão e Eva, Caim e Abel, Noé, Abraão, Sansão, Moisés e tantos outros que posteriormente reencontrei nas telas de cinema e TV, nos filmes exibidos pela Rede Globo.

Se Já não bastasse a grande admiração que eu tinha pelo filme “Os dez mandamentos” que retrata o êxodo dos Judeus deixando o cativeiro do Egito, reencontrei o grande ator em outra maravilhosa película, Ben-Hur, filmado em 1959 (logicamente que tendo eu nascido em 1970 só assisti bem depois), uma dos maiores recordistas de prêmios do cinema tendo ganho 11(onze) Oscar.

Ben-hur retrata a vida do príncipe judeu Judah Ben-Hur e de seu amigo Messala que depois de se tornar Tribuno Romano, comandante das legiões em Jerusalem, acaba por condenar seu amigo de infância ao desterro como escravo nas galés (remador dos barcos de guerra) e sua mãe e irmã à pobreza extrema ao ponto de virarem leprosas. Por interseção divina, Ben-hur escapa de um naufrágio, vira piloto de bigas e vence messala em uma grande corrida, aonde este vem a falecer.  Tudo isto se desenvolve concomitante à vida e paixão de Jesus Cristo em Jerusalem. É o testemunho de Ben-Hur da agonia do Cristo que o converte, apazigoa seu coração e cura sua mãe e irmã após a morte e ressureição de Jesus. Um filme belíssimo e moderníssimo para a época.

Durante esta madrugada (sim, são 5:30 da manhã), fui tomado pelo ímpeto de buscar no now da net este filme e o encontrei em regravação que contava, para minha surpresa, com o brasileiro Rodrigo Santoro fazendo justamente o Papel de Jesus Cristo. É certo que o filme teve seu enredo alterado, mas ainda assim é um grande filme. Acredito que proporcionalmente falando os efeitos do filme de 1959 superam os de 2016 – são mais realistas -, mas essa diferença não me impediu de ser tomado pela emoção e de chorar como a muito tempo não fazia. Chorei não somente por ver um brasileiro em uma posição de tamanho destaque numa película mundial, mas também pela força do enredo do filme.

Como pode o homem ser tão predador do homem? como pode Jesus ter sofrido tanto pela remissão dos pecados se a cada instante pecamos mais e mais? qual a razão de nos distanciarmos cada vez mais dos ensinamentos de Deus, dos 10 (dez) mandamentos e de tudo o quanto nos ensina o novo testamento? as minhas lágrimas estavam na incógnita das respostas. Estavam no sentimento que só o cinema nos desperta.

A modernidade nos trouxe a tecnologia, mas  não nos ensinou a conviver na paz. Irmãos causam sofrimentos a irmãos. Já passamos por duas grandes guerras mundiais, por inúmeros conflitos regionais, e ainda hoje vemos malucos colocando em risco a sobrevivência mundial. Falta amor e perdão no coração dos homens.

Senti hoje muitas saudades da minha avó Elizabeth Pestana de Paula Barros e de sua sapiência dentro de sua simplicidade de ser. Tive um reencontro hoje com minha infância  e minha memória através do cinema. Lembrei que no dia a dia esquecemos de agradecer a Deus por tudo o quanto nos é proporcionado. Hoje relembrei que devo dizer obrigado.

Muito obrigado meu Deus. Louvado seja nosso senhor Jesus Cristo.