“Nós sempre teremos Paris”

No auge da segunda grande guerra, Casablanca, no Marrocos, era uma espécie de entreposto, um local para onde desesperados fugitivos do embate mundial se deslocavam objetivando conseguir embarcar em um vôo para Lisboa e de lá para a América. É nesse ambiente fervilhante que se encontra o Café do Ricks e é nele que Ilsa entra para tentar comprar os vistos que levariam a ela e seu marido Victor Lazlo, um ativista político, para a liberdade. O que ela nunca poderia imaginar era que naquele local reencontraria Sam, o exímio pianista, e seu grande amor, Rick. Entre idas e vindas na tentativa de obtenção dos vistos, eles desafiam os nazistas ao entoar “A Marcelesa”, reacendem a chama do amor que viveram em Paris, escutam outra vez “As time goes by” (A canção que embalou seus grandes momentos na cidade Luz invadida e que fora proibida por Rick) e se despedem no aeroporto com ele dizendo para ela “nós sempre teremos Paris”, numa alusão às memórias do grande, verdadeiro e inesquecível amor. Esse é o enredo de Casablanca, um dos mais espetaculares filmes já produzidos e que contou com Hunphrey Bogart e Ingrid Bergman nós papéis principais.

Estava eu relembrando um momento especial e inesquecível que vivi ontem quando veio à mente essa frase título que reflete exatamente a lembrança de algo que o tempo jamais apagará. Na manhã de sábado, dia 17, levei meu filho do meio, Sérgio Filho, para disputar seu primeiro torneio de Futsal, esporte que ele passou a praticar nestes últimos 10 (dez) meses. Começou no banco de reservas, mas nada que o abalasse, haja vista termos conversado longamente na sexta sobre essa possibilidade. Da arquibancada eu o via aguardando o seu momento de participar. Lembrei do fantástico comercial da gelol “não basta ser pai, tem que participaram. Não basta ser remédio, tem que ser gelol”. O garoto vai disputar uma partida de futebol, começa no banco, entra na partida, sofre o pênalti e marca o gol da vitória. Com ele estava seu pai que o abraça naquele momento de glória.

Foi um torneio curto. Seriam somente duas partidas. O vencedor da primeira jogaria a final. Ele entrou quando o jogo estava empatado em 1 x 1. Foi dele o gol que classificou sua equipe para a final, posteriormente vencida por 6 x 0. Talvez ele nem tenha se dado conta da importância do seu feito, mas eu sim. Fui testemunha ocular desse momento. Foi seu chute de iniciante no esporte que fez a diferença e eu estava lá com ele. Estivemos em sua primeira conquista futebolistica eu e seu irmãozinho Sérgio Henrique.

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Não é segredo pra ninguém que durante 11 (onze) anos da minha vida eu me dediquei ao futsal. Fui bi-campeão dos Jogos Estudantis Maranhenses pelo Colégio Dom Bosco do Maranhão; Tri-campeão Adulto pelo Dragão Futebol de Salão; melhor goleiro do Maranhão e melhor goleiro do Brasil nos Jogos Estudantis Brasileiros de 1987 disputados em Campo Grande-MS e por 10 (dez) anos fui integrante da Seleção Maranhense de Futsal, somente para citar alguns registros. Em comum entre as minhas primeiras conquistas e a do meu filho estava o mesmo treinador: Coqueiro, um ícone do futsal maranhense.

Tenho certeza de que, para o resto da vida, sempre que ele se lembrar deste dia eu e Sérgio Henrique estaremos lá, vivos em sua memória, sentados na arquibancada e torcendo por ele. Muitos outros torneios virão e eu espero poder estar lá, com ele outras vezes.

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Eu não tive a mesma oportunidade. Devido aos seus inúmeros afazeres, meu pai nunca acompanhou as minhas façanhas no esporte. Nos inúmeros torneios que venci, nas memoráveis partidas que disputei, ele nunca esteve lá como eu pude estar na data de hoje. Eu sempre procurei compreender suas ausências. Somente uma vez meu pai me viu jogar. Quis o destino que nesse dia eu estivesse capitão da Seleção Maranhense em jogo contra o Sumov do Ceará, equipe inúmeras vezes campeã nacional de Futsal. Naquele dia ele pode se orgulhar do talento do filho para o qual ele ensinou,  um dia, os primeiro segredos do futebol. Eu fiz o mesmo  um dia, com meu Sérgio Filho.

Sei que não estarei aqui para sempre, mas enquanto vida eu tiver espero poder estar ao seu lado.

Quanto à mim, parafraseando o Rick de Casablanca, eu sempre terei o jogo contra o Sumuv do Ceará, numa inesquecível noite de brilho raro no antigo Ginásio Costa Rodrigues no centro de São Luís do Maranhão.

Parabéns pela primeira conquista, meu filho. Papai ama você.

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Filho lindo

Em nossos melhores sonhos nunca pensamos que poderíamos voltar a ser tão abençoados quanto fomos quando tu vieste ao mundo. Simplesmente lindo. Quando abriste os olhos e revelaste a beleza inigualável do azul misturado com os tons de cinza e verde deixaste boquiabertos todos quantos vinham te conhecer. Te pegar no colo e beijar teu rosto, te fazer carinho e te fazer sorrir sempre foi a renovação constante do nosso amor.

Com o passar do tempo tuas principais características foram se apresentando e o nosso orgulho crescia cada vez mais. Te fizeste amoroso, respeitoso, companheiro, organizado, dedicado aos estudos, enfim, um príncipe como tantos costumam se referir a você. A cada dia que passa, acompanhar teu crescimento se mostra um privilégio.

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Nós olhamos para trás e vemos o bebê que foste. Sentimos saudade. Hoje és uma criança feliz, compenetrado em teus afazeres e dedicado aos teus sonhos de menino. Teu sorriso e espontaneidade nos enchem de vida. Orgulha-nos a tua obstinação em dominar o futebol como algum dia dominaste os três tambores. Temos plena convicção de que em breve serás campeão outra vez. Sim. O filho torna-se o pai e o pai torna-se o filho. Assim como nós e teus avós, nutres pelos esportes o gosto dos vencedores. O podium te é familiar.

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Neste dia tão especial para nós, relembro-te às palavras que um dia registrei para ti:

“Levas o nome do teu pai, mas tens contigo tudo o que de melhor vem de mim e também da tua mãe.
És um filho que enche a todos de orgulho, seja com tua postura escolar, seja no teu dia a dia, vencendo dificuldades e superando desafios com o mesmo sorriso nos lábios de quem torna o difícil tão fácil.
A você, Sérgio Murilo Filho, todas as bênçãos de Deus. Que ele te faça a cada dia mais forte e determinado. Te dê um futuro brilhante e que nunca te falte disposição para estudar e trabalhar.
Vida longa e próspera meu fifilho.
Um futuro glorioso será o seu. Você o conquistará com sua firmeza de caráter e com a garra que você traz dentro de si.”

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Lança teus belos olhos sobre o futuro que Deus te reserva. Caminha com garra, luta com a bravura dos conquistadores e segura firme as oportunidades que surgirem. Só não esqueça de agir com amor, na mesma intensidade com que te amamos.

Feliz aniversário campeão. Parabéns pelo teu dia, filho lindo.

Não basta ser pai

Essa última semana foi especial para mim. Em que pese a virose que peguei, já na quinta-feira estava bem melhor, o que me permitiu acompanhar a participação da minha filha em uma prova do seu esporte preferido para a qual, registre-se, ela tinha treinado em regime concentrado por uma semana. O legal é que pude estar lá, ao lado dela, dando o apoio de que precisava para competir bem.

Também nessa última semana levei Sérgio Filho para uma primeira experiência no Futsal em uma escolinha (mesmo adoentado, estava eu tentando lhe passar alguns pequenos fundamentos para o treino que se avizinhava). Conversei com o técnico, expliquei que ele estaria começando praticamente do zero e que precisaríamos de um período de avaliação para definir os rumos a adotar. Contei com sua compreensão. Ele treinou timidamente e retornou na quarta mais desenvolto. No sábado, participou da Clínica ministrada pelo Prof. Coqueiro, a qual destaquei em Uma parceria de sucesso . Como já estava bem melhor, participei da Clínica como goleiro para completar o time e joguei contra ele. Foi uma experiência enriquecedora. Sua participação foi muito boa e mereceu elogios do treinador, mas o final me reservou uma surpresa.

Eu sai da quadra cansado, mas feliz. Eu tinha participado ativamente de um momento importante para ele e estava realizado como pai quando ele me disse, muito chateado, que o treino não tinha sido bom porque ele não tinha feito um gol em mim. Fiquei decepcionado comigo inicialmente por achar que tinha errado, por não ter facilitado para ele, mas logo depois, recuperado do susto, vi que eu estava certo. A maior lição que eu poderia ter dado a ele foi justamente que para vencer tem que lutar, trabalhar com afinco para superar a dificuldade e que se pra ele não foi possível me marcar um gol naquele momento um dia conseguiria fazer muitos, bastava treinar.

Hoje eu fui levá-lo ao treino outra vez. Encerrei uma reunião que já se alongava pelo farto material recebido para análise e corri para buscá-lo no Colégio. Ele novamente treinou bem e fez seu primeiro gol. E eu estava lá. Não sei qual dos dois estava mais feliz. Foi inevitável não lembrar da propaganda da gelol de 1984.

 

Uma criança acorda o pai para levá-lo ao jogo de futebol. Ele não é escalado pelo dono do time e é o penúltimo a entrar no jogo. Quando entra, faz uma grande jogada e sofre um pênalti. O pai corre em seu socorro com a pomada de gelol. Como na regra das peladas quem sofre o pênalti é quem bate, ele corre pra bola e faz o gol. Em seguida comemora com seu pai. O comercial encerra com a frase: “nao basta ser pai, tem que participar. Não basta ser remédio, tem que ser gelol”.

No final do treino de hoje ele veio ao meu encontro para comemorar comigo o seu gol. Na foto que ilustra este ensaio estão minha filha e ele, felizes, por sua conquista pessoal. No fundo, um emocionado e orgulhoso pai registrando o momento. Realmente não basta ser pai, tem que participar. Estou muito feliz por estar participando.