Embalos da juventude

As décadas de 70 e 80 talvez tenham sido as épocas de maior e melhor produção do pop brasileiro. Inúmeros artistas ocuparam a cena e escreveram seus nomes na história. Contudo, algumas bandas chegaram chegando e marcaram para sempre a trajetória dos jovens de então, dentre estes estava o titular deste blog.

Durante muito tempo e mesmo nos dias de hoje, o som de bandas como The Fevers, Renato e seus Blue Caps e Os Incríveis enchem a todos que vivenciaram seu auge de alegria e fazem aflorar lembranças de um tempo que não volta mais. Tempo dos bailinhos, das baladas românticas e dos amores marcantes. Tempo do vinil. Letras como as de “Mar de Rosas” (Você bem sabe que não lhe prometia um mar de rosas; nem sempre o sol brilha; também há dias em que a chuva cai…) e “Vem me ajudar” (Vem, vem me ajudar sem seu carinho eu não posso viver; vem, vem me ajudar porque só tenho espinhos no meu caminho…) representam bem o cenário da época e se mostram modernas, conquanto mudam os agentes, mas a realidade das relações se repetem num eterno encontro e desencontro de corações.

Na noite de hoje tive acesso a uma postagem do meu irmão Muniz Filho para nosso primo/irmão Durval que me trouxe incontáveis recordações. A partir dela encontrei no YouTube a gravação do show The Originals que contou com a participação das bandas que aqui mencionei, sendo este apresentado com entusiasmo por ninguém menos que Lobão. Eu tinha naturalmente que dividir com vocês.

Sempre que faço postagens de vídeos que consigo no YouTube fica a preocupação dele ser bloqueado por direitos autorais. Assim, se tiverem dificuldade em acessar se dirijam direto à fonte e procurem esse vídeo. É simplesmente um show inesquecível que conta com os vocais de Almir Bezerra, Ed Wilson, a guitarra de Renato Barros e a participação especial do espetacular Michael Sullivan, do próprio Lobão, do Charle Brown Jr com o Chorão, do vocalista dos titãs Paulo Miklos e do tremendão Erasmo Carlos.

Observa-se sem dificuldade a harmonia dos vocais e a preocupação com bons arranjos, guitarras agressivas em algumas faixas e a força dos metais, além da bateria marcante de Netinho, o qual nos deixou este ano. Ao melhor estilo de bandas de baile, o espetáculo resgata um pouco dos primórdios do nosso rock nacional e fez cantar a platéia que acompanhou a gravação.

Espero que gostem. Para mim foi um reencontro com meu passado e com as bandas, músicas e letras que embalaram minha juventude e que deixaram marcas profundas na minha formação, as quais nem o tempo consegue apagar.

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