Finalmente 25

Tem certas coisas que são imutáveis. O primeiro beijo; a primeira relação sexual; o sentimento de saber que será pai a primeira vez; dentre tantos outros. Contudo, o primeiro dia de aula na faculdade é algo acima de tudo inesquecível. O contato inicial com aqueles que te acompanharão por longos cinco anos ficará para sempre na memória, sem contar as resenhas a partir daí.

Eu tive a oportunidade de chegar à universidade e conviver com duas turmas diferentes, tendo me formado com a segunda apenas pelo fato da Universidade ter deixado de ofertar uma cadeira eletiva, coincidentemente Direito  Eleitoral (ironia do destino para quem acompanha minha carreira e meus escritos).

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Vinte e cinco anos depois (a data correta da colação de grau foi 12/11/1993), hoje reencontrei meus colegas formandos, alguns dos quais vieram de outros Estados, para um jantar comemorativo pelo transcurso de data tão significativa. Eu que ano passado tive oportunidade de escrever o texto “o dia da formatura”, não tive como não revisitar o tema para registrar o quanto foi legal esse reencontro. Esquecemos preferências política, rusgas do passado ou animosidades. Hoje éramos apenas os jovens de 17 anos ou mais que davam os primeiros passos rumo ao futuro. Que pena que não conseguimos alcançar a todos. Do alto de nossos quarenta e poucos anos pudemos confraternizar sem diferença entre os vários seguimentos proporcionados pelo Direito. Éramos apenas os amigos que passam anos sem se ver, mas que quando se encontram são um só. Não tinha Magistrado, Ministério Público, serventuários, advogado, nada. Apenas pessoas felizes por estarem juntos.

 

Agradeço em nome de todos a Ivo Anselmo e Carol pela perseverança em tornar este momento uma realidade. Sem sua obstinação não teríamos conseguido trazer Tonzinho de Brasília ou Marcelo do Ceará (não declinarei suas identidades funcionais para preservá-los, em que pese possam ser facilmente identificáveis nas fotos que acompanham este momento inesquecível). Fluiram lembranças que o tempo jamais apagará, muitas das quais tivemos oportunidade de contar pros nossos filhos, estes próprios decorrentes da semente que plantamos, com grande sacrifício, 30 anos atrás. Afinal, para chegar a 25 de formatura tivemos 5 antes de grande aplicação no curso e outros tantos de preparação para o vestibular.

O dia de hoje, para mim, tem um significado especial. Não é somente um encontro inesquecível. É também o marco de um recomeço. Dia 04/11 minha filha faz a prova do ENEM. O mundo gira e um novo caminho se apresenta. Vivo na alegria do momento a ansiedade de um novo início. Talvez esse sentimento seja somente meu no dia de hoje. Amanhã, outros que se ombreiam comigo nas festividades de hoje certamente sentirão tudo que agora sinto. Que bom. Viverão como eu o ciclo da vida.

Na nossa aula da saudade, conclamei os formandos para um dia retornarem à Academia para contribuir com as gerações futuras com suas experiências de vida. Acho que o primeiro de nós a fazê-lo foi o magrelo. Este ano tornei efetivo o meu pleito de 25 anos atrás. Tornei-me professor universitário. Espero que meus alunos possam extrair de mim mais que minhas experiência profissionais.

Quando volto os olhos para o passado, vejo tudo o quanto construí e meu legado. Vendo meus amigos hoje, sei que por suas mentes também passou um filme. Cada um com suas experiências e suas angústias, mas com a certeza de que viveram suas vidas como foi possível viver. Quando colamos grau, na condição de orador da nossa turma,  pontuei a todos que “a porta está aberta, sejamos dignos de entrar”.  Nossos mestres nos deram o rumo, coube a nós construírmos o nosso futuro. Acho que nos mostramos dignos.

De tudo, resta uma certeza inafastável: chegamos lá. Vencemos. Nos mostramos dignos o suficiente para dizer que 25 anos depois estamos nós, felizes, a serviço da comunidade, distribuindo a Justiça e aplicando o direito. Que venham outros vinte e cinco.

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O dia da formatura

Meus queridos colegas: a porta está aberta, sejamos dignos de entrar. Com essas palavras encerrei, no dia 12 de novembro de 1993, 24 (vinte quatro) anos atrás, meu discurso como orador da turma de formandos do Curso de Direito da Universidade Federal do Maranhão. Parece que foi ontem. Quando prestei o vestibular para Direito tinha a exata dimensão do que queria para a minha vida. Eu buscava realizar o sonho de ser Advogado. Sonho sonhado em uma preparação de 14 (quatorze) anos no Colégio Dom Bosco do Maranhão, 8 (oito) meses no Cursinho José Maria do Amaral e incontáveis revisões, como por exemplo a revisão aprovação dos meus amigos Oduvaldo, Afrânio e Carvalho. Tenho certeza que com meus colegas de UFMA não foi muito diferente no que concerne à preparação. Quanto à carreira, poucos continuam na advocacia, tendo vários optado pela Magistratura e pelo Ministério Público.

29 (Vinte e nove) anos atrás éramos mentes ávidas de saber. Buscávamos o conhecimento jurídico como o sedento busca a água. Conosco a incerteza de um período de greves contantes e de professores se aposentando. Tínhamos poucos recursos, mas como todo aluno de instituição pública, nos sobrava “sangue nos olhos” para alcançar os livros, muitos dos quais adquiridos com o apoio incondicional do Louro da Livraria do Advogado e de Gutemberg. Não tínhamos internet e nem as facilidades do Google, mas buscávamos no Diário Oficial, em periódicos como Adcoas e em repertórios de jurisprudência acompanhar a dinâmica dos Tribunais e a edição das Leis. Como era mais difícil!

Aprendemos com a nova Constituição e digo nova por ter entrado em vigor quando estávamos iniciando na Faculdade. Tempo de descobertas e de grande esforço. Conosco estavam, como professores, expoentes do Direito maranhense e dos quadros da Universidade, como José Cláudio Pavão Santana, Vinicius de Berredo Martins, José Antonio Almeida, Pedro Leonel Pinto de Carvalho, José Carlos Souza e Silva, Valéria Montenegro, Alaíde Pavão, Expedito Melo, Eliud Pinto, Eulálio Figueiredo, Leomar Amorim, Cândido Oliveira, Nicolau Dino, Washington Rio Branco, Magela, Agostinho Ramalho Marques, as Irmãs Maria Tereza e Maria Eugênia, Nilde Sandes e tantos outros. Por cinco anos eles desfilaram o seu saber pelas salas do Pimentão, prédio onde eram ministradas as aulas. Inesquecível lugar. Sob suas mangueiras conversávamos alegremente enquanto aguardávamos o início das aulas. Tanto tempo, tantas recordações. Volto os olhos para o passado e me vejo, juntamente com meus colegas, tão moços, esperançosos por dias melhores, por um Brasil melhor. Fomos heróis de nossas famílias num tempo em que somente 30 (trinta) eram aprovados no vestibular no turno matutino e outros tantos no noturno. Éramos, portanto, 60 (sessenta) acadêmicos no início do ano e igual número do meio do ano. 120 (cento e vinte) no total. Nem todos chegavam ao fim do curso. Nada comparado à avalanche de estudantes de hoje.

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A turma de novembro de 1993 encerrou aquele ciclo no dia 12. Na bagagem, além da saudade, a certeza de que precisava ir além. Os jovens da foto acima são, da esquerda para a direita (aqueles com os quais não perdi todo o contato):  na frente  – Adriana Silveira de Assis (Advogada), Norimar (Promotora de Justiça), Elizabeth (Advogada), Luzia Martins (Delegada da Policia Civil do Ceará), Elida Ricci  (Advogada), Silvana (Servidora do TJ/MA), Gabriela Brandão da Costa  (Promotora de Justiça), Adriana Albuquerque (Servidora da Justiça do Trabalho), Célia (Servidora da Justiça Federal), Ilana Boueres (Promotora de Justiça), Georgia Rita de Carvalho Gaspar  (Advogada) e Nadja (Promotora de Justiça). Atrás -Durval Fonseca (Procurador do INSS), Sérgio Muniz  (Advogado), LindonJonson (Promotor de Justiça), Antonio Nunes (Advogado), Luis Aroso (Servidor da Justiça Eleitoral, já falecido), Glauco Vaz (Advogado), Rui Lopes (Servidor da Justiça do Trabalho no Ceará), Ivo Anselmo Hohn Júnior  (Juiz Federal), Hilmar Castelo Branco Raposo Filho (Juiz no Distrito Federal), Lino Osvaldo Serra Sousa Segundo (Juiz Federal), Edinho (Advogado e empresário).

Hoje penso que estamos cumprindo bem o papel que nos foi atribuído pelo destino. Superamos as adversidades e estamos escrevendo, dia após dia, nosso nome na história das carreiras jurídicas no nosso Estado.

Meus queridos colegas:  tenho certeza que temos nos mostrado dignos de chegar até aqui. Continuemos assim, com as bênçãos de Deus. 

O príncipe da casa

Em 1972, O menino da ferrovia  iniciava um ciclo que já dura 45 (quarenta e cinco) anos. Com ele surgia a inclinação de uma família para as carreiras jurídicas. Na missa de colação de grau, uma criança de apenas 2 (dois) anos interrompia constantemente a homilia imitando um gatinho imaginário. Era o titular deste blog, involuntariamente chamando a atenção.

Durante todo esse tempo, proliferaram aqueles que resolveram enveredar pelo mundo do Direito. Partindo do troco inicial de José Bonifácio e Hormígida, cuja trajetória foi registrada em Ao Sagrado Coração de Jesus, temos os filhos de  Sebastiana (Cecé), Bonifácio Neto e sua esposa Lemir, cujos filhos Márcio e Mauro cursaram direito; e Clécia e seu marido Evaldo; de José Carlos temos Wellington; de Terezinha, Antonio Joker e seu filho Roberto, Maria Theresa e seu filho Guilherme, e Theresa Maria e seus filhos João Victor e Vinicius Barros; de José de Ribamar temos Mazurkiewicz; de Benedita (bindoca) temos Antonio Carlos e sua mulher Vitória. José Bonifácio Filho (Buranga) e Raimunda (Dica) não tiveram descendentes que se inclinassem pelo Direito.

Antonio José teve três filhos, dois dos quais se formaram em Direito, quais sejam o filho do meio, Sérgio (sua mulher Janaina se formou em 2017, fato registrado em O compromisso da OAB), e a caçula Márcia. O filho mais velho, Antonio José, teve 5 filhos, dois dos quais do seu primeiro casamento. O primeiro, Muniz Neto, era o reizinho do lar quando o segundo filho nasceu. Talvez por isso mesmo seu nome veio a ser Pablo Henrique, que significa “o príncipe da casa”.

Nesta semana, PH está comemorando o fato de ser o mais novo Muniz a colar grau como bacharel em direito e o quinto a ter a grande honra de ser o orador de sua turma, sendo antecedido pelo próprio Dr. Muniz, por mim, por minha irmã Márcia e por Janaina.

A você, meu sobrinho/filho, queria dar os parabéns por essa grande conquista. O teu esforço e dedicação te trouxeram até este momento sublime. Você se mostrou digno até aqui. Siga seu destino com fé, honre seu nome e tudo que ele representa para a profissão que você escolheu. Apenas nunca se esqueça do que foi registrado em Obrigado, mas o mérito não é meu. 

Neste ano em que realizarás o sonho de ser pai, Deus te abençoa com mais este presente. O príncipe da casa cresceu e está vencendo. Tenha sabedoria para continuar.