O Rei está nu!

A roupa nova do Rei é um conto de fadas de autoria do Dinamarquês Hans Christian Andersen que na minha infância sempre era contado para nos lembrar que os muito espertos acabam passando por bobos.

Segundo o excelente texto, o Rei de um País distante fora enganado por um bandido que, se fazendo passar por um famoso alfaiate, prometeu lhe fazer uma roupa que somente os inteligentes e cultos conseguiriam ver. Interessado pela vestimenta, o Rei se dispôs a pagar alta soma e a providenciar tudo o quanto fosse necessário. Assim, com tudo o que solicitara a sua disposição, o embusteiro assumiu o tear e ali passava horas, dias, semanas a fazer de conta que tecia um tecido invisível. Cansado de esperar, o Rei foi até o atelier e exigiu ver a sonhada roupa, sendo-lhe então apresentada uma mesa vazia sobre a qual estaria a maravilhosa peça de tecido. Como não conseguia ver nada e para não ser tido como desprovido de inteligência, admirou-se do que não via, sendo seguido por todos que o acompanhavam.

Não satisfeito, decidiu desfilar pelas ruas do Reino com a esperada vestimenta para saber quem não teria a inteligência necessária para ver a peça. Como já se espalhara que a roupa só seria vista pelos inteligentes e cultos, por onde passava era aplaudido e arrancava suspiros de admiração. Coube a uma criança, do alto de sua inocência, bradar em alto e bom som uma exclamação que deu a coragem a todos de falar a verdade: o Rei está nu!

Em artigo publicado no CONJUR do dia 02/08/2017, Matheus Teixeira da Silva nos trás a notícia de que durante um julgamento na 2a. Turma do Supremo Tribunal Federal que revogou as prisões preventivas do Procurador da República Ângelo Goulart (aquele que teria passado informações privilegiadas para Joesley Batista) e do advogado Willer Tomaz (que seria o intermediador da aquisição da TV Difusora para aliados do Governador Flávio Dino do Maranhão) – eles foram presos na operação deflagrada após a delação dos executivos da J&F, controladora da Friboi -, o Ministro Gilmar Mendes bradou em alto e bom som, tal qual a criança do conto de Andersen e esta que subscreve este artigo que:

“Não pode o Supremo Tribunal Federal se calar diante de um projeto de poder totalitário e autoritário liderado pela Procuradoria-Geral da República, que reitera na prática de abuso de poder e desrespeito à Constituição. Uma autocrítica por parte dos Ministros do STF se faz urgente, a fim de impor um limite à atuação abusiva da PGR.” Indo além, esclareceu que “A reboque do Ministério Público, que expõe investigados na grande mídia antes do julgamento do réu, em violação às normas legais, está se criando “um Direito Constitucional da malandragem”.”

Não bastasse isso, esclareceu que “Acusar de obstrução de Justiça virou a “fórmula mágica” das denúncias do Procurador-Geral da República Rodrigo Janot, que tenta intimidar o Judiciário. “Não se pode mais falar da ‘lava jato, que está configurada obstrução de Justiça. Não se pode pensar em reformar uma lei, que é obstrução.”. Para ele “o arbítrio que dispõe a PGR” ao tratar de temas como as prisões preventivas e as delações premiadas é lamentável. “É preciso dizer ‘basta, chega’. Já erramos demais. Isso está claro, ninguém tem dúvida em relação a isso”. É, Ministro, parece que agora o senhor conseguiu tirar a venda dos olhos e enxergar aquilo que venho escrevendo desde que tudo isso começou. Qualquer semelhança com a fábula é mera coincidência. 

Sempre afirmei que aqueles que hoje aplaudem as ações Ministeriais e Judiciais contrárias aos comandos constitucionais são os mesmos que amanhã estarão chorando. Essas prisões preventivas, por mais de 30 (trinta) dias, em mínimas celas que se assemelham a técnicas de tortura para conquistar delações premiadas, as limitações aos habeas corpus, e tantos outros mecanismos ilegais, mas admitidos até mesmo pelos Tribunais, como o Próprio Supremo, e as afirmações do dia primeiro feitas pelo Senhor Gilmar Mendes são o maior demonstrativo de que já vivemos um Estado policialesco, autoritário e totalitário implantado pelo Eliott Ness tupiniquim com apoio da grande mídia.

Durante muito tempo eu preguei no deserto. Estava claro que se pretendia (e se não tomarem as rédeas ainda se pretenderá) um golpe dos intocáveis. Somente eles eram os bons e incorruptíveis, afinal. Se tivessem passado as 10 (dez) medidas ante corrupção defendidas pelo próprio Ângelo Goulart teria sido um Deus nos acuda. Ainda bem que não passou e o projeto de poder começou a ruir quando Ângelo foi delatado e Marcelo Miller deixou a PGR para se refestelar nos milhões dos delatores e das empresas em busca dos acordos de leniência que o Estado o pagou para aprender a fazer e usar em favor do País. Sim, eles não são super-homens e também podem falhar.

Espero que agora, depois que eu e alguns grandes Juristas desse Pais como Lênio Streck nos esgoelamos dizendo que o Rei estava nu! e que finalmente alguém de alto coturno escutou e gritou mais alto, o Poder Judiciário, notadamente o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal possam ver seus Membros vestindo outra vez a Toga que um dia conquistaram, parem de se acovardar por causa da grande mídia e façam valer as normas Constitucionais e infraconstitucionais do Brasil.

Por via das dúvidas, vou gritar mais uma vez: O REI ESTÁ NU!

Agora é DODGE

Na minha velha infância nós não tínhamos veículo automotor. Somente por volta de 1974, quando nos mudamos para o Conjunto Ipase, bairro de São Luís (MA), meu pai adquiriu de um vizinho nosso, senhor Penha, um Volkswagen Fuscão vermelho, placas AA 9917. Aquele veículo mudou as nossas vidas no que se refere ao meio de transporte. A partir dele passamos também a descobrir o mundo dos automóveis. Dos grandes aos pequenos, lembro de uma marca que sempre me chamou a atenção, vez que na época tinha tanto o maior (o Dart) quanto o menor (o Polara). Era a Dodge.

Com o tempo descobri que Dodge era uma marca mundial e que era responsável por grandes veículos produzidos no mundo. Ela criou ícones mundiais da velocidade,  inclusive figurando em inúmeras películas de hollywood, sendo o mais famoso, no meu conhecimento, o Dodge GT Corby, retratado no filme 60 (sessenta) segundos (estrelado por Nicolas Cage e Angelina Jolie), como a cereja do bolo dos 50 (cinquenta) carros que precisavam ser roubados.

O nome Dodge ganhou todas as manchetes da imprensa nacional nestes últimos dois dias  com a escolha, pelo Presidente Michel Temer, da Procuradora Raquel Dodge para substituir Rodrigo Janot no cargo de Procurador Geral da República. A notícia ganhou destaque por ser ela a primeira mulher que ocupará o cargo e segundo por não ter sido ela a mais votada na lista tríplice encaminhada para nomeação pelo Presidente. A indicação segue agora para o Senado da República aonde se dará a sabatina junto à Comissão de Constituição e Justiça, presidida pelo Senador pelo Maranhão Edison Lobão. O Relator da indicação caberá ao também Senador pelo Maranhão Roberto Rocha. Que honra. Novamente o Maranhão no centro dos assuntos nacionais.

Em que pese o Presidente Temer não estivesse obrigado sequer a nomear um dos integrantes da lista e muito menos o mais votado, optou por escolher a Procuradora Raquel Dodge, segunda mais votada na lista. Mestra em Direito pela prestigiosa Universidade de Harvard, a virtual PGR surge no cenário como uma esperança de lucidez na condução de tão importante Órgão, o que se constatou principalmente quando a Procuradora provocou o Conselho Nacional do Ministério Público para limitar a convocação de Procuradores para forças tarefas, haja vista que os Estados estavam ficando desfalcados com acúmulo de trabalho.

De nada adiantou a campanha difundida por setores da imprensa de que a Lava-Jato só teria força se o escolhido fosse o preferido do Janot. Em que pese seja competentíssimo e tenha uma carreira brilhante o Maranhense, sub-Procurador da República, Nicolau Dino,  o fato de não ser ele o escolhido nem coloca em cheque a operação nem tampouco o futuro da Procuradoria Geral da República. De parabéns o Presidente por não ter se deixado pautar. O dever do Presidente é atender aos ditames da Constituição, não ao que quer a Rede Globo. A Constituição do Brasil não obriga o Presidente a nomear integrante de lista. Sequer prevê a composição de lista. Agiu, portanto, nos termos do nosso ordenamento jurídico.

Que a nova Procuradora Geral da República tenha sucesso na nova missão e tenha o mesmo destaque que seu nome possui em outro seguimento: o nome agora é DOGDE. 

Temer x denúncia: não sou irresponsável

Em discurso para a nação, o Presidente Temer esclareceu que  não praticou qualquer ato ilegal para ser denunciado por corrupção passiva e desabafou: não sou irresponsável. Não faria a ilação de dizer que o procurador se beneficiou dos milhões recebidos pelo seu Assessor (com o que deu a entender que o Procurador Janot cometeu uma irresponsabilidade ao denunciá-lo como beneficiário do dinheiro recebido de Rocha Loures).

Eis a íntegra da manifestação do Presidente, obtida junto ao blog de Reinaldo Azevedo. 

“Se eu fosse presidente da Câmara dos Deputados, eu faria uma sessão, pois temos quórum.

Eu quero agradecer muitíssimo, a propósito, a presença dos colegas senadores, colegas deputados, senhores ministros.

Foi até um aviso de última hora. Eu estou agradavelmente surpreso com este apoio extremamente espontâneo.

Quero agradecer muito aos senhores e às senhoras.

E o meu objetivo aqui, agora me dirijo, mais uma vez, cumprimentando a imprensa, toda a imprensa brasileira, não sei se há internacional também, mas eu quero me dirigir à imprensa para salientar, preambularmente, preliminarmente, que eu me sinto no dever de fazer esta declaração. Não vou chamá-la de pronunciamento, acho que é um pouco pretensioso, mas é uma declaração, de alguma maneira, esclarecedora, tendo em vista uma denúncia ontem apresentada.

Vocês sabem que eu sou da área jurídica. Eu não me impressiono, muitas vezes, com os fundamentos, ou quem sabe até a falta de fundamentos jurídicos, porque advoguei por mais de 40 anos. Eu sei bem como são essas coisas. Eu sei quando a matéria é substanciosa, quando tem fundamentos jurídicos e quando não tem.

Então, sob o foco jurídico, a minha preocupação é mínima. É claro que eu aguardarei, com toda tranquilidade, uma decisão do Judiciário. Respeito absoluto meu pelas decisões judiciais. Mas, evidentemente, se fosse só o aspecto jurídico, eu não estaria fazendo esse esclarecimento à imprensa brasileira e ao povo brasileiro.

Eu o faço em função da repercussão política e, particularmente, em função do ataque injurioso, indigno, infamante, à minha dignidade pessoal. Convenhamos, de vez em quando, eu brinco que eu já tenho mais de 50 anos, e eu tive, ao longo da vida, uma vida, graças a Deus!, muito produtiva e muito limpa. E, exatamente neste momento, em que nós estamos colocando o país nos trilhos, é que somos vítimas dessa infâmia de natureza política.

Os senhores sabem que eu fui denunciado por corrupção passiva. Notem: vou repetir a expressão, “corrupção passiva” a essa altura da vida, sem jamais ter recebido valores, nunca vi o dinheiro e não participei de acertos para cometer ilícitos. Afinal, isto é que vale.

Onde estão as provas concretas de recebimento desses valores? Inexistem. Aliás, examinando a denúncia, eu percebo — e falo com conhecimento de causa — eu percebo que reinventaram o Código Penal e incluíram uma nova categoria, a “denúncia por ilação”. Se alguém cometeu um crime, e eu o conheço, ou quem sabe se eu tirei uma fotografia ao lado de alguém, logo, a ilação é a de que eu sou também criminoso.

Abriu-se, portanto, meus amigos deputados, deputadas, senadores e senadoras, minhas senhoras e meus senhores, um precedente perigosíssimo em nosso Direito. Esse tipo de trabalho trôpego permite as mais variadas conclusões sobre pessoas de bem e honestas. Até dou um exemplo, se me permitem: como nós estamos falando de ilações — a ilação inaugurada por essa denúncia, ela não existe no Código Penal —, permitiria construir-se a seguinte hipótese: o assessor muito próximo ao procurador-geral da República, e dou o seu nome. E dou o nome por uma única razão: porque o meu nome foi usado deslavadamente inúmeras vezes na denúncia. Havia até, digamos assim, um desejo de ressaltar quase em letras garrafais o meu nome. Por isso, eu dou o nome desse procurador da República de nome “Marcelo Miller”. Homem da mais estrita confiança do senhor procurador-geral.

Pois bem, eu que sou da área jurídica, meus amigos, eu digo a vocês que o sonho de todo acadêmico em Direito, de todo advogado, era prestar concurso para ser procurador da República. Pois bem, este senhor, que eu acabei de mencionar, e lamento ter de fazê-lo, deixa um emprego, que, como disse, é um sonho de milhares de jovens acadêmicos, advogados, abandona o Ministério Público para trabalhar em empresa que faz delação premiada ao procurador-geral.

E vocês sabem que quem deixa a Procuradoria tem uma quarentena, se não me engano, de dois ou três meses [NOTA DESTA BLOG; É TRÊS ANOS]. Não houve quarentena nenhuma. O cidadão saiu e já foi trabalhar, depois de procurar a empresa para oferecer serviços, foi trabalhar para esta empresa e ganhou, na verdade, milhões em poucos meses. O que talvez levaria décadas para poupar. Garantiu ao seu novo patrão, o novo patrão não é mais o procurador-geral, é a empresa que o contratou, um acordo benevolente, uma delação que tira o seu patrão das garras da Justiça, que gera, meus senhores e minhas senhoras, uma impunidade nunca antes vista.

Basta verificar o que aconteceu ao longo desses dois, três últimos anos, para saber que ninguém saiu com tanta impunidade. E tudo, meus amigos, ratificado. Tudo assegurado pelo procurador-geral.

Pelas novas leis penais, que eu estou dizendo da chamada ilação, ora criada nesta denúncia, que não existe no Código Penal, poderíamos concluir nessa hipótese que estou mencionando, que talvez os milhões de honorários recebidos não fossem unicamente para o assessor de confiança, que, na verdade, deixou a Procuradoria para trabalhar nessa matéria.

Mas eu tenho responsabilidade. Eu não farei ilações. Não farei ilações. Eu tenho a mais absoluta convicção de que não posso denunciar sem provas. Não posso fazer, portanto, ilações. Não posso ser irresponsável.

E, no caso do senhor grampeador, o desespero de se safar da cadeia moveu a ele e seus capangas para, na sequência, haver homologação de uma delação, e distribuir o prêmio da impunidade. Criaram uma trama de novela.

Eu digo, meus amigos, minhas amigas, sem medo de errar, que a denúncia é uma ficção. Eu devo explicações, como disse, ao povo brasileiro, a cada cidadão brasileiro, especialmente à minha família e amigos. Porque, olhe, vou fazer um parêntese aqui: Não há nada mais desagradável, os senhores têm familiares, do que a sua família estar a todo momento ligando a televisão, ou os jornais, e dizendo que o seu irmão, seu tio, seu pai é corrupto. Não há nada mais desagradável que isso. Este é o ponto que mais me toca.

Então, talvez neste tópico da ilação, pelas novas leis da ilação, que disse ora criada pela denúncia, poderíamos, talvez, concluir que os milhões não fossem unicamente para o assessor de confiança, que deixou o cargo de procurador da República. E eu volto a dizer que eu não quero fazer ilações, não denuncio sem provas.

O que eu tenho consciência é que não posso criar falsos fatos, para atingir objetivos subalternos. Por tradição e formação, eu acredito na Justiça. Não serei irresponsável. O desespero de se safar da cadeia é que moveu o cidadão Joesley e seus capangas. Foi isto que fez com que se houvesse homologação de uma delação e a distribuição de um prêmio de impunidade.

Eu volto a dizer que a denúncia é uma ficção. Volto a sustentar que eu devo essas explicações, por isso estou insistindo nelas, talvez esteja sendo um pouco longo. E tentaram imputar a mim, como sabem, um ato criminoso, e não conseguirão, porque não existe jurídica e politicamente.

Mas exatamente quem deveria estar na cadeia está solto para voar a Nova Iorque ou Pequim, ainda voltar para cá e criar uma nova história. Já que a coluna inicial referente à gravação começou a ser questionada, então disseram: vamos trazê-lo de novo, por uma nova história que ele venha a contar. Ele foi trazido. Até de chapeuzinho, é interessante, ele veio de boné para se disfarçar. Nós não precisamos andar de boné, não temos o que disfarçar.

E eles conseguiram isso, o delator, porque foram preparados, treinados, prova armada, conversas induzidas. Eu sei, para enfrentar o tema, que me criticam por ter recebido tarde da noite em minha casa o empresário Joesley. Recebi, sim, naquela oportunidade o maior produtor de proteína animal do País, senão do mundo, do mundo.

Interessante, que eu descobri o verdadeiro Joesley, o bandido confesso, junto com todos os brasileiros, quando ele revelou os crimes que cometeu ao Ministério Público, sem nenhuma punição.

Quero lembrar que o fruto dessa conversa é uma prova ilícita, inválida para a Justiça. Basta até dizer aos senhores e às senhoras: quem deitar os olhos sobre a Constituição, eu recomendo a leitura do artigo 5°, inciso LVI, onde está dito expressamente como direito fundamental que não se pode admitir provas ilícitas. Ora bem, essa gravação foi questionada por um jornal, dois jornais, três jornais, pelo perito que eu coloquei e, agora mesmo, na pesquisa feita seriamente pela Polícia Federal, pelo seu Instituto de Criminalística, está dito que há cerca de 120 interrupções, não é? O que torna a prova inteiramente ilícita.

Não fosse isso, a verdade é que quem lê a degravação, quando querem me imputar a ideia de que eu mandei pagar isso, mandei pagar aquilo, ao contrário. O que está dito na sequência de uma frase que o cidadão disse que é amigo de um ex-deputado, mantém boa amizade, eu digo: “Mantenha isso”. Pois a conexão que se pretendeu fazer, daí a ilação, essa nova teoria do Direito Penal que os alunos da faculdade de Direito vão ficar de cabelos em pé quando souberem desta nova teoria. Disseram que não. Quando eu disse isso, eu estaria mandando pagar. E, aliás, o próprio ex-deputado, no dia seguinte, publicou uma carta desmentindo. E, depois, em depoimento desmentiu.

Pois são esses fatos que me assustam porque as regras mais básicas da Constituição não podem ser esquecidas, jogadas no lixo, tripudiadas pela embriaguez da denúncia que busca a revanche, a destruição e a vingança.

E ainda, vejam bem, vou dizer aos senhores: ainda se fatiam as denúncias para provocar fatos semanais contra o governo. Querem parar o país, parar o Congresso num ato político, com denúncias frágeis e precárias. Atingem a Presidência da República. Não é uma coisa qualquer. Quando se vai atacar a Presidência da República, uma instituição, é preciso tomar todas as cautelas. É preciso ter provas robustas, provas comprovadas. Aliás, a denúncia não pode vir por ilação, deverá vir porque houve uma coleta de provas que não podem induzir a ideia de que possa ter um crime, mas tem que ter prova concreta de que houve um crime.

Portanto, o que há é um atentado contra, na verdade, contra o nosso País. Eu, sabem os senhores, eu sou o responsável por todos os atos administrativos do meu governo. Não foi sem razão, embora estando há um ano apenas, nós trabalhamos pela queda da inflação, pela redução dos juros, pela geração de empregos, pelas reformas estruturantes, pela liberação do Fundo de Garantia para milhões de brasileiros e pelo fim da recessão.

Falo hoje em defesa da instituição Presidência da República e mais, talvez, na defesa à minha honra pessoal.

Eu tenho orgulho de ser presidente: convenhamos, é uma coisa extraordinária. Para mim, é algo tocante, é algo que não sei como Deus me colocou aqui. Dando-me uma tarefa difícil, mas certamente para que eu pudesse cumpri-la. Portanto, tenho a honra de ser presidente, especialmente, não porque sou presidente apenas hoje, mas é pelos avanços que o meu governo praticou.

E não permitirei que me acusem de crimes que jamais cometi. A minha disposição é continuar a trabalhar pelo Brasil, para gerar crescimento, emprego. Para continuar as reformas fundamentais como a trabalhista, a previdenciária, como já fizemos com o teto de gastos, como já fizemos com o ensino médio, como já fizemos com as estatais, como já fizemos com o petróleo.

Portanto, eu não fugirei das batalhas, nem a guerra que temos pela frente. A minha disposição não diminuirá com ataques irresponsáveis à instituição Presidência da República, não quero ataques a ela, e muito menos ao homem Michel Temer. Não me falta coragem para seguir na reconstrução do País e, convenhamos, na defesa da minha dignidade pessoal.

Muito obrigado a vocês!”

Até quando, senhor Janot?

Durante todo o período em que acompanhamos, atônitos, o desenrolar da operação lava-jato, observamos uma tentativa constante de alcançar aqueles que seriam as grandes figuras públicas do PMDB, como se eles fossem os responsáveis pela corrupção desenfreada que, segundo Joesley Batista, teria sido institucionalizada com a ascensão ao Poder do Partido dos Trabalhadores.

Foi assim com Romero Jucá, Renan Calheiros e José Sarney, os quais foram acusados de tentar barrar a Lava-Jato porque emitiram uma opinião pessoal. Tem sido assim com o Presidente Michel Temer em decorrência do nebuloso acordo de delação premiada dos executivos da JBS Friboi e após a divulgação da gravação ilegal (circula pelas redes sociais que em função do Presidente não ter aceito apoiar sua pretensão por um terceiro mandato para a Procuradoria Geral). Tem sido assim desde 2014 em relação ao Senador Edison Lobão, a quem tenta vincular ao petrolão (coincidentemente quando o filho do Senador disputava o Governo do Maranhão contra o irmão do seu amigo, sub-Procurador e preferido candidato a sua sucessão).  

Respeite a história do PMDB e de seus líderes. Esses homens, cuja biografia Vossa Excelência macula através de pedidos de abertura de inquérito baseados em delações premiadas, foram e são responsáveis pela construção do Brasil moderno. Antes mesmo do senhor pensar em ingressar no curso de direito eles já dedicavam sua vida ao nosso País e aos brasileiros. Os Senadores maranhenses possuem enorme respeitabilidade nesta Republica e não por acaso presidem as comissões mais importantes do Senado.

Já disse e repito. Delação premiada não é prova. É meio para obtenção de prova. Sozinha não serve para condenar ninguém, mas no momento em que é utilizada para promoção de procedimentos judiciais, como prisões preventivas ou pedidos de abertura de inquérito com vazamento de depoimentos, causam grande prejuízo àqueles que figuram no polo passivo e quando se constata que não foram suficientes à persecução penal, mesmo com o arquivamento, os danos são irreversíveis. A grande prova disso foi o resultado da eleição maranhense para o Governo do Estado. A exploração midiática da ação ministerial levou à vitória o adversário do filho do Senador Lobão.

No que concerne ao Senador Edison Lobão, dos seus 81 (oitenta e um) anos, 55 (cinquenta e cinco) anos foram dedicados ao serviço público brasileiro e destes, 39 (trinta e nove) anos são de mandatos eletivos. Isso quer dizer, senhor Procurador, que por todo esse tempo o povo do meu Estado, o Maranhão, confiou a ele sua representação no Congresso Nacional. Só no Senado ele está desde 1986, saindo apenas para ser Governador do Maranhão e Ministro das Minas e Energia por dois momentos.

Este blog não precisa lhe dizer, vez que Vossa Excelência é inteligente demais para precisar ser lembrado, que a Petrobrás tem autonomia financeira e administrativa, não precisando de aval do Ministério para contratação de suas empreiteiras. O ex-Ministro já teve três inquéritos arquivados (se não falha a memória) justamente pelo fato de delação não ser prova, o que faz dos seus delatores grandes mentirosos. E agora, não satisfeito, o senhor pede pra abrir inquérito para investigar o Senador por ser, na sua concepção,  “sócio oculto” da holding Diamond Mountain Group. Parece brincadeira. Sócio oculto é risível.

Por fim, este blog vai responder à pergunta título desta matéria. Até quando, senhor Janot? Felizmente até o fim deste seu mandato em setembro deste ano. As pessoas já estão sem paciência para suas invencionices e para os incontáveis prejuízos já causados para a imagem de pessoas de bem e para a economia do nosso País. Os milhões recuperados nem de longe se aproximam do prejuízo que seu acordo de delação com os executivos da JBS Friboi causou ao Brasil ou das quedas do mercado em decorrência de suas operações, segundo se vê facilmente na internet.

Se aposente e vista um pijama porque este blog espera sinceramente que nenhuma OAB do Brasil lhe receba como advogado. Vá pescar para pensar na vida e no mal que vem causando ao Brasil.

Se conscientize que Vossa Excelência não é o Eliot Ness e que seus auxiliares não são os intocáveis. Que o diga o que está preso e aquele que deixou o MPF para intermediar a leniência da JBS, cujos nomes não vale nem a pena relembrar.