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A loba e o surdo
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9 anos agoon
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Sérgio MunizCertamente alguns leitores nacionais haverão de dizer que sou bairrista, ou mesmo outros, levados pela discriminação aos nordestinos, poderão dizer que estou errado. Contudo, paixões regionalistas a parte devo dizer que, na minha opinião, Alcione é a maior cantora do Brasil. Digo isso não somente pela voz marcante, mas pela qualidade do repertório que soube escolher e que lhe garantiu a notoriedade além fronteiras que conquistou. Ela é, sem dúvida ou falsa modéstia, uma força da natureza.
Nascida Alcione Dias Nazareth, a filha do músico e posterior maestro da banda da Polícia Militar do Maranhão João Carlos, desde cedo mostrava ser um prodígio e sua inclinação para o sucesso. Multi-instrumentista, ganhou o Maranhão com sua voz espetacular e através dela conquistou o Brasil. Hoje, não existe um único artista vivo no nosso Pais que não lhe renda homenagens, e não por acaso é figura constante nos programas de televisão.
Em que pese resida no Rio de Janeiro já a muitos anos por necessidades profissionais, ela é presença constante em São Luís do Maranhão, de onde segue para o interior do Estado para enfeitiçar os maranhenses com sua inigualável voz. Lembro, contudo, de certa vez ter ouvido um jornalista americano dizer que Alcione seria a Dione Warwick brasileira. Data vênia, a comparação não é justa. A voz de Alcione é muito superior.
Sua discografia sempre povoou a vida dos brasileiros, sendo inúmeros os seus sucessos que conquistaram o Brasil através das telenovelas. Contudo, a Loba (ou o lobo se trazido para a interpretação masculina), parece ser uma verdadeira receita sobre o bem viver em casal e mostra a importância de uma vida sem traições. Diz a letra:
“Sou doce, dengosa, polida
Fiel como um cão
Minha vida…Mas olha
Não pise na bola
Se pular a cerca
Eu detono
Comigo não rola…Sou de me entregar
De corpo e alma na paixão
Mas não tente nunca
Enganar meu coração
Amor pra mim
Só vale assim
Sem precisar pedir perdão…Adoro sua mão atrevida
Seu toque, seu simples olhar
Já me deixa despida
Mas saiba que eu
Não sou boba
Debaixo da pele de gata
Eu escondo uma loba…Quando estou amando
Eu sou mulher de um homem só
Desço do meu salto
Faço o que te der prazer
Mas, oh! meu rei
A minha lei
Você tem que saber…Sou mulher de te deixar
Se você me trair
E arranjar um novo amor
Só pra me distrair…Me balança mas não me destrói
Porque chumbo trocado não dói
Eu não como na mão
De quem brinca
Com a minha emoção…Sou mulher capaz de tudo
Pra te ver feliz
Mas também sou de cortar
O mal pela raiz…Não divido você com ninguém
Não nasci pra viver num harém
Não me deixe saber
Ou será bem melhor prá você
Me esquecer…
Adoro sua mão atrevida
Seu toque, seu simples olhar
Já me deixa despida
Mas saiba que eu
Não sou boba
Debaixo da pele de gata
Eu escondo uma loba
Quando estou amando
Eu sou mulher de um homem só
Desço do meu salto
Faço o que te der prazer
Mas, oh! meu rei
A minha lei
Você tem que saber…
Sou mulher de te deixar
Se você me trair
E arranjar um novo amor
Só pra me distrair…
Me balança mas não me destrói
Porque chumbo trocado não dói
Eu não como na mão
De quem brinca
Com a minha emoção…
Sou mulher capaz de tudo
Pra te ver feliz
Mas também sou de cortar
O mal pela raiz…
Não divido você com ninguém
Não nasci pra viver num harém
Não me deixe saber
Ou será bem melhor prá você…
Sou mulher capaz de tudo
Pra te ver feliz
Mas também sou de cortar
O mal pela raiz…
Não divido você com ninguém
Não nasci pra viver num harém
Não me deixe saber
Ou será bem melhor prá você
Me esquecer…”
As baladas românticas como a Loba, contudo, não foram a razão do seu destaque nacional. A Marrom, como ficou conhecida, conquistou o Brasil através do samba e de sua identificação com a escola Estação Primeira de Mangueira. O berço musical carioca adotou a maranhense de voz marcante e fez dela um difusor do que de melhor havia na musicalidade de raiz. Dos seus incontáveis sucessos, um, contudo, marca uma relação intimista entre o samba e o sentimento. A sua cadência profunda fez de “O surdo” um sucesso nacional e da estória de diálogo com o instrumento um verdadeiro desfile de sensibilidade, principalmente quando diz que “eu bato forte em você e aqui dentro do peito uma dor me destrói, mas você me entende e diz que pancada de amor não não dói”. Senão vejamos:
“Amigo, que ironia desta vida
Você chora na avenida
Pro meu povo se alegrar
Eu bato forte em você
E aqui dentro do peito uma dor
Me destrói
Mas você me entende
E diz que pancada de amor não dói
Eu bato forte em você
E aqui dentro do peito uma dor
Me destrói
Mas você me entende
E diz que pancada de amor não dói
Meu surdo parece absurdo
Mas você me escuta
Bem mais que os amigos lá do bar
Não deixa que a dor
Mais lhe machuque
Pois pelo seu batuque
Eu dou fim ao meu pranto e começo a cantar
Meu surdo bato forte no seu couro
Só escuto este teu choro
Que os aplausos vêm pra consolar
Amigo, que ironia desta vida
Você chora na avenida
Pro meu povo se alegrar
Eu bato forte em você
E aqui dentro do peito uma dor
Me destrói
Mas você me entende
E diz que pancada de amor não dói
Eu bato forte em você
E aqui dentro do peito uma dor
Me destrói
Mas você me entende
E diz que pancada de amor não dói
Meu surdo, velho amigo e companheiro
Da avenida e de terreiro,
De rodas de samba e de solidão
Não deixe que eu vencido de cansaço
Me descuide desse abraço
E desfaça o compasso do passo do meu coração
Amigo, que ironia desta vida
Você chora na avenida
Pro meu povo se alegrar
Eu bato forte em você
E aqui dentro do peito uma dor
Me destrói
Mas você me entende
E diz que pancada de amor não dói
Eu bato forte em você
E aqui dentro do peito uma dor
Me destrói
Mas você me entende
E diz que pancada de amor não dói…
Meu surdo parece absurdo
Mas você me escuta
Bem mais que os amigos lá do bar
Não deixa que a dor
Mais lhe machuque
Pois pelo seu batuque
Eu dou fim ao meu pranto e começo a cantar
Meu surdo bato forte no seu couro
Só escuto este teu choro
Que os aplausos vêm pra consolar
Meu surdo, velho amigo e companheiro
Da avenida e de terreiro,
De rodas de samba e de solidão
Não deixe que eu vencido de cansaço
Me descuide desse abraço
E desfaça o compasso do passo do meu coração”
Hoje eu tive a oportunidade de sentar com meus pais e alguns familiares para comemorar a aprovação da minha filha Vanessa em Direito, consoante narrei em A número 1. Depois que todos foram embora, fiquei a colocar músicas e a relembrar a minha aprovação no Vestibular da Universidade Federal do Maranhão. Lembrei também da minha infância feliz no bairro do Ipase, dos amigos queridos que lá cultivei, das quitandas do Zeca e de seu Lulu, e da vizinhança amiga com o bairro do Maranhão Novo aonde morava Ivone, irmã de Alcione. Foi lá que elas criaram o bloco de carnaval “as esbandalhadas” e pra onde a grande intérprete sempre ia quando vinha ao Maranhão. Pelo alvoroço sempre sabíamos que ela estava na área.
Alcione cantou o Maranhão como ninguém. De “todos cantam sua terra” a “Maranhão, meu tesouro, meu torrão”, passando por “de Teresina a São Luís” sua voz mostrou ao Brasil sua terra natal. Contudo, foi cantando “Olho D`agua” que sua música me tocou mais forte. Recém formado, passei o ano de 1994 morando em Brasília para fazer um curso de especialização em Direito Processual Civil. Nessa época, conheci o disco “Alcione: profissão cantora”. Ele trazia essa faixa que embalou minha vida por muito tempo, devido a letra que referenciava o desejo de voltar de quem estava longe:
“(Uôôôôôôôôôô…)
Vou voltar para o mar do Maranhão
Lá bem longe onde o céu caiu no chão
Praia aberta, chão de mar
Sorte certa, meu lugar,
saudade bateu, me fez voltar
Praia aberta, chão de mar
Sorte certa, meu lugar,
saudade bateu, me fez voltar
Vou ligeiro pra encontrar
um menino pescador, da canoa azul
perdida, nas idas do azul do mar
Vou correndo pra beijar
a Rosinha, minha flor,
menina do amor primeiro
de um Janeiro que passou
menina do amor primeiro
de um Janeiro que passou
Quem me dera que o mar do Maranhão
todo ele coubesse em minha mão,
eu roubava sem pensar suas águas, seu luar
e os olhos de alguém que deixei lá
eu roubava sem pensar suas águas, seu luar
e os olhos de alguém que deixei lá
Vou correndo pra beijar
a Rosinha, minha flor,
menina do amor primeiro
de um Janeiro que passou
menina do amor primeiro
de um Janeiro que passou
Quem me dera que o mar do Maranhão,
todo ele coubesse em minha mão,
eu roubava sem pensar suas águas, seu luar
e os olhos de alguém que deixei lá
eu roubava sem pensar suas águas, seu luar
e os olhos de alguém que deixei lá
(Uôôôôôôôôôô…)”
Entre a Loba e o surdo, minhas lembranças me levaram ao reencontro com um tempo que não volta mais. Um tempo de samba, de som, de balada e de amor. Um tempo de viver a vida sem pensar só no amanhã. Em tudo estava a voz inconfundível da maior intérprete do Brasil. Vida eterna pra ti, Alcione Nazareth, profissão: cantora.
Variedades
Equilíbrio hormonal: o X da questão na guerra dos sexos
Published
5 dias agoon
18 de fevereiro de 2026By
Sérgio Muniz
Carnaval carioca de 2026. Segundo dia de apresentação das escolas de samba do grupo principal. Ligo a TV e vejo os primeiros acordes do aquecimento da Mocidade Independente de Padre Miguel. Lindos sambas vitoriosos de outros carnavais. Curioso, permaneço atento até que inicia o samba deste ano, Rita Lee: a padroeira da liberdade. Um desfile pela trajetória musical da rainha do rock brasileiro. Viajei no tempo e na discografia desse ícone da música nacional. Lembrei da abertura do programa TV Mulher, o qual entrou no ar em 07 de abril de 1980 com apresentação da grande Marília Gabriela. Perto de completar quarenta e seis anos do início do programa, tinha ele como tema de abertura a música “Cor de Rosa Choque”, de Rita Lee e Roberto de Carvalho. TV Mulher foi um marco na TV brasileira que tinha ainda Ney Gonçalves Dias como co-apresentador, Clodovil tratando sobre moda, Ala Szerman sobre Educação física e Marta Suplicy sobre sexologia e comportamento. Inesquecível.
Menino de 9 anos, perto de completar os 10, não perdia o quadro. Afinal, não se falava sobre sexo nessa época, o que se aprendia raramente em casa, nas ruas e, a partir de então, na TV.
É dessa época um tema que me acompanhou por muito tempo: a crise dos 40 anos.
Cunhou-se, tempos atrás, atribuir à crise dos 40 anos o término dos casamentos. Se dizia que o homem, ao atingir os quarenta anos, entrava numa crise existencial, por atingir a metade da vida, que o levava, já resolvido financeiramente, a uma busca por reconhecimento, novos relacionamentos e por um aproveitamento diferente da vida, normalmente tendo ao seu lado uma mulher mais nova.
Durante muito tempo me perguntei a razão real disso tudo, vez que nunca acreditei que fosse sem-vergonhice, como tantas vezes escutei. Hoje sei que tudo é puramente hormonal, podendo até mesmo começar antes dos quarenta anos. Para ficar mais didático, fui buscar na inteligência artificial os esclarecimentos mais acessíveis. Segundo ela, a crise dos 40 anos nos homens é um período de reavaliação da vida, frequentemente marcado por sentimentos de insatisfação, ansiedade e medo do envelhecimento. Pode levar a mudanças drásticas (carreira, estilo de vida) motivadas pela consciência da finitude e desejo de recuperar a juventude ou propósito, exigindo autoconhecimento e, por vezes, apoio profissional. As principais características são a percepção de que há menos tempo para viver do que o já vivido, o que gera ansiedade; avaliação sobre as conquistas alcançadas em função do que imaginou aos 20 anos, resultando em tédio e sensação de que ficou faltando algo; redução da libido, possíveis disfunções sexuais e diminuição da energia física (andropausa); menor demanda dos seus próprios filhos e envelhecimento dos seus pais.
Com tudo isso acontecendo, o homem passava a adotar comportamentos padrões, como por exemplo a impulsividade e mudanças drásticas como a troca de emprego, divórcio ou compra de bens materiais para compensar o envelhecimento; alterações no estilo de vestir e tentativa de se conectar com públicos mais jovens; mudanças de humor, maior impaciência e cansaço da rotina.
Da parte da sexualidade, afetada pela andropausa, trocando em miúdos, o homem, ante a baixa hormonal, entendia que o problema estava em sua companheira de caminhada que não lhe apetecia mais. Assim, na busca da virilidade perdida, buscava em outros braços mais jovens a satisfação que já não tinha. Por pura ignorância ou falta de conhecimento, deixava de buscar na medicina a resolução do seu problema. O que mudou? Das próteses penianas às injeções no pênis, a modernidade trouxe o viagra, o cialis e muitos outros tratamentos contra a disfunção erétil, sendo hoje a tadalafila e a sildenafila as queridinhas do público masculino (perdão aos leitores se outra substância já tiver galgado o primeiro lugar na preferência).
Toda essa evolução científica se refletiu na disposição do homem de continuar com sua companheira. Afinal, estiveram ombreados sob o manto do compromisso assumido perante Deus de amar e respeitar na alegria ou na tristeza, na saúde ou na doença, até que a morte os separasse.
Com a mulher, na origem, não era diferente. A menopausa era determinante para a mudança comportamental, contudo, não se tinha, tempos atrás, chips ou outros mecanismos para uma adequada reposição hormonal. Muitas vezes havia ainda a acomodação ou mesmo o achar que o errado era o homem pelo seu comportamento. Em termos técnicos (conteúdo também gerado com o auxílio da IA), a conhecida síndrome dos 40 ou crise da meia-idade é um período de intensas transformações físicas, emocionais e comportamentais que muitas mulheres enfrentam por volta dos 40 a 50 anos, frequentemente associado ao início do climatério e à perimenopausa. Suas principais características são, por volta dos 40 anos, a mulher poder entrar no climatério (nada mais é que uma transição hormonal marcada pela queda de progesterona e estrogênio). Climatério/Perimenopausa gera ondas de calor (fogachos), suores noturnos e palpitações; aumento de peso, especialmente na região abdominal, e metabolismo mais lento; pele mais seca, menos elástica e cabelos mais finos; ciclo menstrual irregular, com fluxo mais intenso ou mais curto; a queda do estrogênio retira proteção natural, exigindo monitoramento de pressão cardiovascular, colesterol e densidade óssea; esgotamento (Burnout), caracterizado por fadiga crônica, perda de prazer e aumento do estresse; instabilidade emocional, irritabilidade, ansiedade e sintomas depressivos, muitas vezes confundidos com outros quadros; sensação de desvalorização social ou perda de relevância após certas etapas da vida (síndrome da mulher invisível); maior autoconhecimento e definição de novos propósitos com desejo de realizações pessoais superando a rotina profissional/familiar anterior; foco em exercícios, alimentação saudável e, muitas vezes, terapia para lidar com o processo de envelhecimento e a “sensação agridoce” da maturidade.
Infelizmente, por diversos fatores clínicos ou comportamentais, as mulheres têm optado pelo caminho inverso do homem moderno. Enquanto este se resolve com os tratamentos modernos e tentam manter os casamentos, elas, repondo hormônios ou não, continuam a manter a rotina da falta de sexo e optam pelo final da relação, gerando uma estatística alarmante de casamentos rompidos (segundo dados do IBGE, 70% dos divórcios são iniciados por mulheres), muitas vezes sem motivo aparente, mas apenas decorrente da questão hormonal.
No centro da discussão, palpiteiros, coachs de relacionamento, psicólogos, terapeutas sexuais, médicos e sexólogos procuram apontar o caminho para a saúde física, sexual e familiar que, entendo, continua a ter, no cerne, o equilíbrio hormonal, vez que ele é o X da questão na guerra dos sexos, pelo menos sob o nosso ponto de vista.
Que entre mortos e feridos, doentes e sãos, prevaleça a consciência de procurar acompanhamento técnico ou médico para frutificar a semente plantada no Programa TV Mulher, ao som de Cor de Rosa Choque, da inesquecível Rita Lee, a padroeira da liberdade.
Ninho da serpente foi uma grande telenovela brasileira, produzida e exibida pela Rede Bandeirantes no ano de 1982 e que tinha no elenco grandes nomes da nossa teledramaturgia como Cleide Yacones, Eliane Giardini, Laura Cardoso, Beatriz Segall, Kito Junqueira, Juca de Oliveira, Othon Bastos, dentre outros.
A novela trazia como enredo a morte do empresário Cândido Penteado e uma verdadeira guerra pela sua enorme herança, a qual tem como atores principais a irmã do falecido, Guilhermina Penteado, personagem de Cleide Yacones, seus filhos e netos, e Mateus, filho do falecido, o qual só encontra apoio em sua tia Maria Clara e em Lídia (Eliane Giardini), neta de Guilhermina e seu grande amor. A trama conta ainda com a paixão de Mariana por Mateus (ela é sua obcecada prima e a personagem é vivida por Julia Lemmertz – um colosso de mulher quando a conheci no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, quando alcançava meus doze anos) e de Karl (Paulo César Grande) por Marinalda (Mayara Magri), estes em início de carreira. Lembro que Kito Junqueira e Eliane Giardini estiveram em nossa casa no bairro do Ipase, em São Luís do Maranhão, levados por Joaquim Haickel, então assessor da Casa Civil do Governo do Estado, os quais buscavam um avião que os levasse para conhecer os lençóis maranhenses, isso ainda em 1982, no final do Governo de João Castelo.
Como o próprio nome da novela aponta, ninho da serpente se refere à mansão aonde morava a megera Guilhermina e onde vai morar Mateus, o herdeiro real da fortuna (a casa existe realmente no bairro Jardins, em São Paulo e conserva sua majestosa escadaria tão destacada nas cenas da novela).
Essa obra, registre-se, não se destacou apenas pela envolvente trama que a levou a ameaçar a hegemonia da Globo, mas também pela sua excepcional trilha sonora, notadamente a internacional, que contou com músicas da envergadura de Perhapes Love, interpretada Por John Denver e Plácido Domingo e Memory, interpretada por Barbra Streisand.
Vocês certamente devem estar se perguntando a razão destas lembranças em novembro de 2025. Respondo: minha mãe amava essa novela e eu aprendi, com ela, a ter o mesmo sentimento.
Perhaps Love, espetacularmente interpretada na novela pelo seu autor, John Denver, e pelo fantástico tenor argentino Plácido Domingo (disponibilizo o link, mas este pode ser retirado pelo YouTube, porém pode ser acessado digitando o nome da música e pedindo para ser a traduzida), traz uma mensagem linda de amor e saudade. Segundo a inteligência artificial, “A letra de “Perhaps Love” fala sobre as várias facetas do amor, descrevendo-o como um “abrigo” e um “lugar de descanso” em tempos difíceis, mas também como um “oceano repleto de conflitos e dor”. A canção reflete sobre os dilemas do amor, com algumas pessoas dizendo que é preciso “segurar firme” e outras que é preciso “deixar ir”. A memória do amor, no entanto, é descrita como algo que traz conforto e persistência”. Senão vejamos:
“Talvez o amor seja como um local de descanso,um abrigo da tempestade
Ele existe para te oferecer conforto, Ele está lá para te manter aquecido
E naqueles tempos de dificuldade quando você está sozinho,
A lembrança do amor vai te trazer para casa
Talvez o amor seja como uma janela,Talvez uma porta aberta,
Ele te convida para chegar mais perto, Ele quer te mostrar mais
E mesmo se você perder a si mesmo e não souber o que fazer,
A lembrança do amor vai te acompanhar
O amor para alguns é como uma nuvem, Para alguns tão forte como o aço
Para alguns um modo de vida, para alguns um modo de sentir.
E alguns dizem que o amor está persistindo E alguns dizem que está desistindo
E alguns dizem que o amor é tudo E alguns dizem que não sabem…
Talvez o amor seja como o oceano, Repleto de conflito, repleto de dor
Como uma chama quando está frio lá fora, Um trovão quando chove.
Se eu viver eternamente E todos os meus sonhos tornarem-se realidade,
Minhas lembranças do amor serão sobre você…
E alguns dizem que o amor está persistindo E alguns dizem que está desistindo
E alguns dizem que o amor é tudo E alguns dizem que não sabem
Talvez o amor seja como o oceano, Repleto de conflito, repleto de dor
Como uma chama quando está frio lá fora, Um trovão quando chove.
Se eu viver eternamente E todos os meus sonhos tornarem-se realidade,
Minhas lembranças do amor serão sobre você…”
https://youtu.be/D9gf6cUuB54?si=3H5WWfRvdPenvCaD
Por sua vez, Memory, uma das mais premiadas interpretações de Barbra Streisand, nos remete para um outro tipo de sentimento. Profundo, é verdade, mas de contexto diferenciado. Diz a letra:
Meia-noite
Nenhum som da calçada
A Lua perdeu a memória?
Ela está sorrindo sozinha
Na luz do lâmpada
As folhas secas
Juntam-se aos meus pés
E o vento começa a gemer
Lembrança
Totalmente sozinha ao luar
Eu posso sonhar com os velhos dias
Em que a vida era linda
Eu lembro da época em que
Eu sabia o que era a felicidade
Deixe a lembrança viver novamente
Cada lâmpada da rua
Parece palpitar
Um aviso fatalista
Alguém murmura
E a lâmpada da rua crepita
E logo será manhã
Luz do dia
Eu devo esperar pelo nascer do Sol
Eu devo pensar sobre uma nova vida
E eu não devo ceder
Quando a aurora chegar
Esta noite será uma lembrança também
E um novo dia começará
Finais desgastados de dias esfumaçados
O cheiro frio e passado da manhã
Uma lâmpada da rua se apaga
Outra noite terminou
Mais um dia está amanhecendo
Toque-me
É tão fácil me abandonar
Totalmente sozinha com a lembrança
Dos meus dias ao Sol
Se você me tocar
Você compreenderá o que é a felicidade
Olhe, um novo dia começou!”
https://youtu.be/sLxSFi5Fq0o?si=MnvvO5pN5qk6nHlq
Depois de um dia desgastante de trabalho, voltei pra casa vendo no céu a lua cheia de outono. Ela já não tem mais o mesmo brilho para mim e os velhos dias em que a vida era linda já não existem mais.
Em seu lugar ficou apenas uma eloquente saudade.
O dia não tarda a amanhecer e eu devo ceder. Preciso acreditar em um novo amanhã. Preciso viver, ainda que a solidão tente forçar ao contrário, diz a música com pertinência.
Dos meus cinquenta e cinco anos convivi cinquenta contigo. Não tenho como acostumar com tua ausência em cinco anos. Tua partida dói a cada minuto, um interminável lapso temporal que se renova.
Volto para perhaps Love.
“Talvez o amor seja como um local de descanso,um abrigo da tempestade
Ele existe para te oferecer conforto, Ele está lá para te manter aquecido
E naqueles tempos de dificuldade quando você está sozinho,
A lembrança do amor vai te trazer para casa
Talvez o amor seja como uma janela,Talvez uma porta aberta,
Ele te convida para chegar mais perto, Ele quer te mostrar mais
E mesmo se você perder a si mesmo e não souber o que fazer,
A lembrança do amor vai te acompanhar”.
Boa parte das lembranças que tenho de um amor verdadeiro me transportam para as nossas casas. Tua presença firme nos fazia acreditar que nosso lar fora edificado sobre a rocha. Foste a mulher virtuosa da Bíblia que edificou sua casa, não a mulher que rasga os ensinamentos e os juramentos assumidos perante Deus. Amaste nosso pai e teus filhos mais até do que amaste a ti mesma. Compreendeste o ensinamento bíblico que diz que o homem e a mulher deixarão a casa de seus pais, formarão uma família e serão uma só carne. Tudo o que somos devemos a vocês, mas muito a ti que, mesmo nas ausências de papai, causadas por suas inúmeras atribuições, soubeste nos conduzir no bom caminho.
Fiz questão de registrar tudo isso entre os dias quatro e cinco de novembro. Quatro por ser o teu aniversário, mas também o início do tempo mais longo da minha vida. Vivi, juntamente com Márcia, minuto a minuto da tua luta, da tua dor e tua partida, já no dia cinco. Em quatro de novembro de 2025 farias oitenta e três lindos anos. Em cinco de novembro faz cinco anos e cinco meses que foste ao encontro do pai.
É dificílimo viver sem tua presença física, mas estás em cada célula de cada um de nós.
Não viveste no ninho da serpente.
Viverás para sempre na nossa memória, mas a cada dia em que eu olhar uma lua cheia de outono, saberei que o meu futuro é de dor, saudade e lágrimas, caídas dos meus olhos em forma de gotas, como as chuvas do inverno.
Te amarei para sempre minha mãe. Até quando o sol não mais brilhar para mim, viverás eternamente no meu coração.
Certas coisas nos fazem encontrar a ficção numa proporção em que fica difícil distinguir o real do imaginário. Nesta última semana foi assim e até agora não consegui distinguir um do outro.
Não é novidade para ninguém que sou professor universitário. Talvez seja uma das maiores alegrias que já tive, a qual me foi proporcionada pelo meu amigo/irmão Clóvis Fecury. Foi ele quem falou para o então Reitor da nossa Universidade Ceuma que a instituição gostaria de ter uma pessoa com o meu perfil como professor. Para quem são sabe, a minha trajetória profissional caminha lado a lado com essa Instituição de Ensino Superior que, se não trabalhei desde o dia em que nasceu, pude lhe auxiliar nos primeiros passos. Acho que quando cheguei tínhamos pouco mais que cinco anos de fundação. Fui seu primeiro Assessor Jurídico e hoje, trinta e um anos após a minha formatura, completo mais um ano como professor do Curso de Direito. Entreguei meu nome e toda a minha vitoriosa carreira à Instituição que, fundada por Mauro de Alencar Fecury, me recebeu como professor. Na Universidade Ceuma cheguei especialista em Direito Processual Civil e me tornei Mestre.
Na Universidade Ceuma me descobri muito mais que um simples professor. Aqui me tornei um agente do futuro, mais um a construir o amanhã. Me tornei um construtor de futuro, um transformador de sonhos, do universitário e de toda uma família.
Vivi e vivo seus sonhos. Suas dificuldades e suas superações.
Nesta semana tivemos mais uma formatura. Vários ex-alunos colaram grau. Não pude comparecer por medidas de segurança, mas fiquei feliz em saber que novamente cumprimos com nossa missão. Entregamos para o mercado de trabalho profissionais gabaritados, fruto de uma formação de extrema qualificação, pautada nos mais modernos conceitos e metodologias pedagógicas.
O professor é o cidadão que sai de casa para construir o amanhã. Se depara com os mais variados perfis. Apresenta um conteúdo definido, cria outros ou ainda constrói momentos que somente serão compreendidos no futuro, mas planta a semente, igual àquele lavrador que a coloca no chão para amanhã colher. O professor é igual ao palhaço: oculta o seu sentimento atual para fomentar o propósito de tantos. É aquele que faz rir mesmo estando dilacerado por dentro. Esse é o seu papel. Instruir, construir o amanhã mesmo que, para ele, até mesmo o hoje esteja em risco.
Ao refletir sobre tudo isso, não tive como não me lembrar de um dos maiores nomes da nossa música popular brasileira. Na década de 70, Antonio Marcos gravou uma de suas mais icônicas músicas. Sonhos de um palhaço reflete um momento, a perda de um amor, um instante de dor e reflexão. Um espaço temporal em que, espelho da vida docente, o sorriso e a maquiagem ocultam uma dor presente. Ninguém sabe o que o palhaço está vivendo, mas ele precisa seguir em frente com a sua missão, seja ela divertir ou construir o amanhã.
Lembrei de Elimar Santos retirando a maquiagem do palhaço enquanto interpretava essa belíssima música. Infelizmente não localizei as imagens. Se algum leitor as tiver, por favor me envie no Instagram. Farei questão de integrar o texto com ela.
Disponibilizo vídeo e letra para vocês:
Seja na vida pessoal ou profissional, essa música reflete a realidade de quem precisa sorrir, ainda que o seu desejo seja apenas chorar.
Antonio Marcos faleceu aos quarenta e seis anos, consumido por uma depressão aguda, vítima de insuficiência hepática causada pelo consumo excessivo de álcool e drogas. Mesmo com uma carreira recheada de grandes sucessos como “Se eu pudesse conversar com Deus”, “O homem de Nazareth ” e “Como vai você “, ele sucumbiu às oscilações do mercado fonográfico e desilusões amorosas.
Ninguém sabe o que se passa com um professor. O aluno quer a aula. Ele precisa estar apto a ministrá-la. Estando triste ou não.
No final, resta o sonho de que a lágrima, muitas vezes presente na maquiagem, se transforme num sorriso ou num glorioso amanhã.
Continuarei sorrindo e sonhando.
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