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A Polícia Militar do Maranhão pede socorro

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No último final de semana, mais uma tragédia envolvendo um membro da Política Militar do Maranhão fez acender o farol de alerta sobre a corporação. Algo de muito errado parece estar ocorrendo e sendo varrido para baixo do tapete. 

Sem motivo aparente, o Tenente Coronel Gomes Neto, policial experiente e ex-Comandante do destacamento de Bacabal, assassinou sua esposa e em seguida se suicidou.

Na semana anterior, o Coronel Terra se desentendeu com sua namorada e teria agredido a ela fisicamente dentre do quartel do Comando, fato que a levou a registrar uma Boletim de Ocorrência com base na Lei Maria da Penha.

O que poderia estar causando tudo isso parece ter sido respondido por um destacado membro da corporação que, pedindo seja ocultado seu nome com base no resguardo da fonte, enviou ao blog o texto que segue. É um triste relato sobre o abandono em que se encontra a Polícia Militar do Maranhão. Para garantir a autenticidade do texto, ele será publicado sem qualquer correção.

“*Carta Aberta aos Policiais Militares do Maranhão*

Precisamos respirar

Não o julgo. A verdade é que na luta da vida estamos sempre sozinhos. Nossa instituição não é preparada para nos acolher nos momentos de dores e angústias, das quais também somos acometidos. Se não tivermos a sorte de manter um lar estável, estamos fadados ao insucesso.
A nossa lida com o crime e a criminalidade é eterna, nunca podemos falhar; quando falhamos somos crucificados, às vezes condenados, pagamos um preço.
O certo é que perdemos um amigo, inteligente, dedicado, cumpridor dos seus deveres, mais que vinha se mantendo isolado desde o episódio no município de Bacabal. E ninguém, ninguém teve a preocupação de oferecer um ombro amigo ao *Tenente Coronel Gomes Neto*.
A instituição Policia Militar precisa de ajuda, de recursos humanos capazes de nos apoiar nos momentos de crise interna. Combater o crime e planejar policiamento, disso entendemos muito bem.
A sociedade precisa aprender a valorizar a instituição polícia militar, somos pagos por seus impostos, porém possuímos limitações naturais do ser humano, e nossas condições cotidianas nos levam a enormes sacrifícios.
Não somos superiores ao tempo, não temos o peito de chumbo, precisamos de preparo constante para continuar vencendo.
O sacrifício da própria vida, dito em nosso juramento quando adentramos as fileiras da instituição, não seria esse o cometido por Gomes Neto, mas sim, àquele que por diversas vezes, foi silenciado ou até mesmo desconhecido nos inúmeros combates realizados, enfrentando a criminalidade.
Nesse sentido, somos testemunha de que, por muitas vezes, nosso nobre amigo esteve à frente, pessoalmente, principalmente no interior do Estado quando foi comandante.
Nos resta agora orar, pedir a Deus pelos familiares, prestar a solidariedade, dedicar um momento de apreço.
Porém, e depois? Quem será o próximo? Quantos Militares envolvidos com o consumo de drogas, vendidos a agiotas, com familiares desestruturados, existem na instituição, e não se tem o devido cuidado? Mesmo assim, permanecem nas viaturas, nas ruas, fardados, armados atendendo as mais diversas ocorrências que a sociedade suplica.
Precisamos respirar, precisamos também ser amparados, nossos gritos não ecoam, a legislação imposta a nós nos impedem de pedir preferência, porque sempre somos e sempre seremos o braço forte do governo para manter a Ordem Pública. Nos resta como alento, na maioria das vezes, uma medalha ou uma mera promoção.
Quando não tem jeito: chama a Polícia!!
Precisamos de salários dignos, ser respeitados, ter uma retaguarda justa que nos tornem capazes de ter dignidade junto aos nossos familiares e à sociedade.
Não devemos usar o suicídio do nosso amigo como subterfugio para tais súplicas, mas para que nossos governantes possam redirecionar os devidos recursos para as melhorias devidas no bem-estar dos policiais militares.
Nossos gritos muitas vezes são interpretados como indisciplina, estratégia sempre utilizada para nos colocar em segundo plano. Se levantamos a voz, se pedimos uma pauta, nem sempre somos atendidos. No máximo, nossos comandantes ávidos pela permanência no cargo, nos representam de maneira tímida e temerosa, pois se atuarem forte, serão exonerados.
Os nossos homens estão em todo “canto”: no Palácio dos Leões, no Tribunal de Justiça, na Assembleia Legislativa, no Tribunal de Contas, nas ruas, em todos os municípios do nosso Estado, todas as vezes atuando como anônimos, porém muitas das vezes são vistos, mas não são lembrados. E quando são lembrados, vem o velho jargão: – “chamem a Polícia”.
O que queremos? Queremos sempre ser dignos, não ter que contar com ajuda de um ou outro político para ser promovido ou de uma greve “ilegal”, para pedirmos aumento justo de salário.
Queremos uma retaguarda honrosa, como um plano de saúde, uma assistência social direcionada, um quartel com estrutura física adequada, armamentos condizentes com o desempenho das nossas funções, viaturas suficientes para atendimento de ocorrências, fardamentos, etc.
Precisamos respirar!!!!!!!!!!
Amigos de Farda, os acontecimentos dos últimos dias nos fazem repensar o que temos feito para mudar a nossa atual situação. Episódios como o ocorrido hoje com o Tenente Coronel Gomes Neto e, na semana passada, com o Coronel Terra, demonstram a nossa fragilidade como instituição. Que mesmo sendo composta de milhares de homens, não conseguimos evitar que o pior nos aconteça.
Só precisamos sair do anonimato para que o Governo nos veja e ouçam os gritos que estão ecoando de dentro dos quarteis. Apesar da forma midiática com que o Governo tem usado a instituição, na prática estamos definhando, somos carentes das mesmas políticas públicas, pelas quais a sociedade clama, somos carentes de um Comando Forte que lute, não pelo que pedimos, mas pelo que realmente precisamos: DIGNIDADE.”

Que o Governo do Estado e o Comando da Polícia Militar do Maranhão ouçam essa súplica e trabalhem para melhorar a situação dos nossos policiais, principalmente estruturando a corporação e dando o devido apoio psicológico.

 

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Só Hoje

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Nesta semana me deparei com uma situação com a qual a muito tempo nao me deparava. Na verdade, quando estive frente a frente para o que hoje compreendemos como Doença de Alzheimer não conhecia os seus parâmetros. Tinha cerca de onze anos quando visitamos o irmão do meu avô José Bonifácio no Rio de Janeiro. O chamávamos de Tio Donato, vez que era assim que o meu pai o chamava. Ele repetia a mesma coisa a cada cinco minutos e eu pacientemente respondia aos seus questionamentos. Ao sairmos do seu apartamento, perguntei ao meu pai à razão dele perguntar a mesma coisa repetidas vezes e ele me respondeu que ele já estava caducando. Essa era a resposta genérica para casos semelhantes. Não se tinha, à época, mais de quarenta anos atrás, conhecimento técnico para nomear a conduta ou mesmo entendê-la. Se responder à mesma pergunta já é difícil, não ser reconhecido por quem se ama gera, com certeza, uma dor incomensurável. Viver a esperança de que, por uma fração de segundo, você possa ser visto como é, ser chamado pelo seu nome ou ver destacada alguma característica ou qualidade sua passa a ser um verdadeiro sonho.

Pouco tempo atrás a Chevrolet lançou uma propaganda de Natal com essa temática e foi uma das imagens mais tocantes que vi nos últimos trinta anos, pelo menos.

Estava hoje perdido em meus pensamentos, buscando músicas que me traziam reflexões quando me deparei com “Só Hoje” do Jota Quest, na voz inconfundível de Marcelo Flausino filmada em um show da turnê Acústico. É certo que a música foi gravada como uma mensagem para um amor que não lhe reconhece na acepção e extensão do amar referido ao relacionamento homem/mulher ou, nos dias de hoje, independente de gênero.

Contudo, a letra remete para a ausência e o que o Alzheimer impõe nada mais é que a ausência na presença. É plenamente adaptável para essa solidão que, infelizmente, não é opcional.
Chorei por aqueles que, como minha amiga, tem que conviver com essa realidade. Queria muito poder ajudar, mas ante a minha ignorância sobre o assunto a única coisa que me alcança fazer é disponibilizar o meu ombro amigo.
Retornando para a realidade imposta, lembrei que a primeira vez que ouvi essa música foi numa apresentação da banda no programa Big Brother. Sabrina Sato gostava da música. Nunca mais saiu do meu repertório. Ela fala do desencontro de um casal que, mesmo se amando, não se entende.
“Hoje eu preciso te encontrar de qualquer jeito
Nem que seja só pra te levar pra casa

Depois de um dia normal

Olhar teus olhos de promessas fáceis
E te beijar a boca de um jeito que te faça rir
Que te faça rir

Hoje eu preciso te abraçar
Sentir teu cheiro de roupa limpa

Pra esquecer os meus anseios e dormir em paz

Hoje eu preciso ouvir qualquer palavra tua
Qualquer frase exagerada que me faça sentir alegria, em estar vivo

Hoje eu preciso tomar um café, ouvindo você suspirar

Me dizendo que eu sou causador da tua insônia
Que eu faço tudo errado sempre, sempre

Hoje preciso de você
Com qualquer humor
Com qualquer sorriso

Hoje só tua presença
Vai me deixar feliz
Só hoje

Quando o humor não trás consigo o riso; o cheiro já não é mais perceptível; a palavra não fomenta a alegria; não gera insônia, mas apenas e tão somente a ocorrência de um erro após o outro; quando a ausência de humor ou de um sorriso, mesmo na presença, já não deixa feliz, o que se tem é um Alzheimer sentimental, uma doença neurológica qualquer ou outra psicopatia que consegue transmutar um sentimento puro em um modernismo caça níquel de um doutor/coach de rede social.
Nem sempre só a presença vai te fazer feliz. Quem dera que fosse simplesmente assim.

Que possa haver reconhecimento na presença. Pelo menos HOJE.

Feliz dia das mães minha amiga. Que dos teus olhos caiam somente lágrimas de alegria.

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Ruas de fogo

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Ruas de fogo é um filme de 1984 que trata do rapto de uma estrela do rock (Ellen Ain) interpretada por Diane Lane, então com dezessete anos. Segundo o roteiro, depois de fazer sucesso, a estrela Ellen Ain retorna para fazer um show beneficiente em sua cidade natal e lá é sequestrada por Raven, o líder de uma gangue de motoqueiros, que é obcecado por ela. Para salvá-la, sua amiga Reva pede o retorno do seu irmão, Tom Cody (Michael Paré), ex-militar e ex-namorado da cantora. Embalada por uma contagiante trilha sonora, o filme/musical nos remete a realidade dos Estados Unidos das gangues de motoqueiros em suas possantes motos e suas vestimentas de couro preto, além do uso comum da violência, armas e explosões. Ao saber que Ellen namora com seu empresário, Tom exige que seja remunerado pelo resgate. Em que pese seja uma trama envolvente e animada pela excelente trilha sonora, o filme foi um fracasso de bilheteria nos Estados Unidos, porém continua contando com vários fãs mundo afora, quarenta anos depois do seu lançamento, dentre eles eu.

Hoje senti necessidade de me reconectar com meu passado. Queria relembrar um tempo em que eu era feliz. Não tinha grandes preocupações a não ser treinar para ser um futebolista de destaque e estudar para o vestibular que se aproximava. Na retaguarda, estavam meus pais garantindo o futuro próximo, cada um na sua medida. Meu pai focado vinte e quatro horas em ajudar a construir um novo Maranhão e minha querida mãe nos garantindo a atenção e o amor por ambos. Assisti ao filme por volta de 1986. Já era uma realidade no meu esporte, o futsal, e caminhava em passos largos rumo à aprovação para o curso de Direito da Universidade Federal do Maranhão, o que viria a ocorrer muito em breve. Sempre tive plena consciência da minha qualidade enquanto atleta e tinha certeza absoluta que seria aprovado no vestibular. Tudo aconteceu no tempo de Deus.
Voltando ao filme, a trilha sonora faz toda a diferença.
A história inicia com o show beneficiente de Ellen. Durante a apresentação, enquanto ela canta, sem saber o terror que lhes aguardava, o público vibra. Rompendo o silêncio externo e percorrendo as ruas desertas, chegam os Bombers, gangue de motoqueiros liderada por Raven (William Dafoe). Ao som do ronco dos motores com as descargas abertas, eles se aproximam em suas motos com os faróis acesos, vestidos em jaquetas de couro preto e penteados brilhantinados para alcançar o seu objetivo até então oculto.
Os Bombers entram no local do show e aguardam. Ellen brilha no palco. Enquanto se encerra a primeira música ” Nowhere fast”, lentamente a escuridão se dissipa e revela o rosto marcante de Raven e os olhos determinados a alcançar o seu intento. No momento em que a música se encerra, ele determina a sua gangue que é chegada a hora. Eles invadem o palco e, repelindo todos que tentam resistir, sequestram Ellen.

A partir daí se inicia o retorno de Tom e o resgate da cantora. Durante a fuga várias situações se apresentam, embaladas, dentre outras, pela canção “I Can Dream about you”. Nela é  destacado que ele não controla mais as lágrimas que lhe caem dos olhos e que no sonho ele consegue tê-la nos braços, mesmo que na realidade isso não aconteça. No sonho ele vai apertar seus lábios nos dela e abraçar bem juntinho.

Durão, Tom se arma e encontra parceria na ex-soldado McCoi. Juntos levam os Bombers à derrota após uma marcante luta contra Raven em que Tom lhe impõe uma surra Cinematográfica.
Em segurança e mesmo reafirmando o amor que continuam a manter entre si, o casal se despede antes da apresentação de Ellen em um novo show. Enquanto ela canta “Tonigth is what it means to be young”, Tom caminha entre a plateia rumo à saída. Chegando ao portão, ele olha para trás e vê seu grande amor vivendo sua escolha de vida. Nada diz. Os olhos falam por si. Sua missão estava cumprida. Restava agora seguir seu destino, consoante a vontade de Deus.

Em uma das estrofes finais da música, ela registra que “sonhei que quando a escuridão acabar nos deitaremos nos raios do sol, mas foi só um sonho e hoje a noite é de verdade. Você nunca saberá o que significa, mas sentirá como é. Terá acabado antes que você se der conta que começou.
É tudo o que temos hoje a noite.
Antes que você se der conta terá acabado”.
Triste realidade.
Num momento, o máximo. Logo em seguida apenas uma lembrança.
Já não sou mais o jovem de outrora e ao voltar os olhos para o passado vejo que o final do filme não destoa de incontáveis realidades: é melhor parar na porta, olhar para trás e deixar o passado feliz na realidade que escolheu e seguir adiante. Mesmo sozinho no início, sempre haverá quem surja amanhã para lhe acompanhar ao longo de uma nova caminhada.

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Homenagem

Eu não passei para o outro lado do caminho

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Eu tinha pouco mais de vinte anos completos quando o mundo foi surpreendido pelo lançamento de Ghost: do outro lado da vida. O filme conta a estória de amor de Sam, personagem do saudoso ator Patrick Swayze, um bancário que viria a ser assassinado sem querer (o objetivo era roubar sua carteira para recuperar senhas bancárias) a mando de seu melhor amigo Carl (Tony Goldwyn), para que aquele não descobrisse as ilegalidades que este vinha praticando no Banco, e Molly (uma ceramista vivida por Demi Moore). Sam inicialmente se recusa a seguir a luz divina, somente aceitando seu destino após salvar a vida de seu grande amor, a qual se encontrava ameaçada por Carl e o pelo marginal Willie. A partida de Sam rumo ao plano superior é uma das cenas mais marcantes da história do cinema, a qual é embalada pela música Unchained Melody, belíssimamente interpretada por Bobby Hatfield. Quem também gravou essa música foi o inesquecível Elvis Presley.

Indiscutível que a partida, salvo em raríssimas exceções, nunca é aguardada e ao nos depararmos com situações em que ela pode ocorrer a qualquer momento, ficamos na incerteza do que acontecerá. Foi o que aconteceu comigo no início deste mês de abril.

Já tem algum tempo que sofro de inflamações recorrentes no divertículo. Nunca precisei operar e sempre controlei a situação com o protocolo e medicamentos que me foram passados pelo meu Gastro, Dr. Glayton. Ocorre que desde o Carnaval, tive uma crise de salmonela ao comer camarão seco com Jussara e em seguida tive uma crise de diverticulite (foi a doença que levou o ex-Presidente Tancredo Neves a uma cirurgia onde contraiu uma bactéria que acabou por lhe levar a óbito), ambas curadas com os medicamentos apropriados.

Ocorre que desde o final de março comecei a apresentar os mesmos sintomas da diverticulite (diarreia, arrotos constantes, calafrios e dor no lado esquerdo da barriga), passando então a adotar o protocolo de tratamento, sendo que desta feita sem êxito. No dia primeiro de abril assumi em apoio a um amigo a defesa de uma pré-candidata da região tocantina, elaborando peças e reunindo várias vezes a partir de então. Na quarta-feira a noite dei aula, já com dificuldade, na Universidade Ceuma e quinta-feira pela manhã despachei com o Desembargador prevento para analisar o pleito, já ali comparecendo suando frio e com dificuldade para andar e respirar. Lembro de ter comentado com ele que naquele mesmo dia iria ao hospital e que tinha certeza de que seria internado. Assim ocorreu.

Ao chegar no Hospital São Domingos fui submetido a uma tomografia com contraste venoso que não detectou diverticulite, mas apontou uma possível perfuração tamponada do intestino e uma inflamação em parte do intestinodelgado. Fui internado de imediato. Convocados dois especialistas, decidiram pela realização de uma segunda tomografia, desta vez com contraste oral, para verificar se estava havendo vazamento pela perfuração. Não estava. Contudo, entre a primeira e a segunda tomografia constataram um crescimento acelerado da inflação e decidiram que eu deveria ser submetido a uma cirurgia por vídeolaparoscopia, no que anui de plano. Foi a melhor decisão que tomei nos últimos anos. Dificil foi ir para o centro cirúrgico achando que poderia não voltar mais. A incerteza do que virá desestrutura qualquer um. Lembro que enquanto era levado de cadeira de rodas para a cirurgia, estando a setenta e duas horas em dieta líquida, só conseguia pensar na minha família, no que o destino reservaria para os meus filhos ante minha eventual ausência, e os pensamentos eram embaladas pela música epitáfio que tanto sucesso fez quando gravada pela Banda Titãs. Quanta solidão nesse momento!

Ao afastar o intestino no local  em que eu sentia as dores encontraram uma região necrosada banhada em secreção purulenta, o que levou o cirurgião a retirar 20 cm do meu intestino delgado. Se eu demorasse mais um dia para procurar o hospital poderia ter entrado em quadro de sepse e ido a óbito.

Graças à perícia do Dr. Marcelo Lima Rocha e equipe estou me recuperando bem. Em que pese o desconforto que venho sentindo desde a última quinta-feira (já estou medicado) e os catorze quilos mais magro, clinicamente estou indo bem. Dia seis de maio terei minha última consulta de retorno para uma alta definitiva. Os exames de sangue mostram que estou no caminho certo.

Resolvi escrever esse texto para que todos os meus amigos que se surpreendem ao saber de tudo o que passei possam ter a certeza de que o melhor caminho para tratar uma dor ou mal estar é o hospital e não a automedicação. Mesmo sendo na mesma região, a dor que eu estava sentido tinha natureza completamente diversa da que eu imaginava. A decisão correta e tempestiva de procurar auxílio médico pode ser a diferença entre viver e passar para o outro lado do caminho.

Escolhi permanecer aqui e me foi permitido. Ainda não completei a minha missão neste plano. Ainda não chegou a minha vez de caminhar na direção da luz.

Enfim, sobrevivi.

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