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O menino da ferrovia

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O ano era 1946. Em 13 de junho ele nasceu. Fazia quase 20 (vinte) anos que a ferrovia São Luís/Teresina tinha começado a funcionar plenamente, haja vista que a ponte metálica sobre o estreito dos mosquitos, que liga a Ilha de São Luís ao continente, somente fora inaugurada no ano de 1928.

 

Assim como acontecera próximo aos acampamentos destinados à sua construção, surgiu um pequeno povoado em terras do Município de Rosário (MA), já uma cidade próspera em função da produção, na região, de algodão e cana de açúcar que eram trazidos para São Luís a partir do seu porto. Chamou-se Carema, distante cerca de 70 Km da Capital Maranhense. Foi lá que ele nasceu.

Seus pais, José Bonifácio e Hormígida Cabral tiveram 8 (oito) filhos, sendo 4 (quatro) homens e 4 (mulheres). Ele era o caçula dos homens. Se naquela época já existissem os bebês da Johnson, ele certamente seria um deles. Era lindo, segundo dizem. Um belo bebê de olhos verdes.

O bebê cresceu cercado de muito amor e carinho. Sempre muito curioso, era a companhia constante do pai, homem de grande respeitabilidade na região. Acompanhava de perto as conversas da época e ali, vendo o vai e volta do trem de passageiros, crescia em si o desejo de viajar e aprender. Na estação de Carema, ao lado dos paneiros de farinha JM (foi a responsável pela fama além fronteiras da farinha de puba de mandioca ali produzida que genericamente passou a ser conhecida como farinha de Carema), vendia os deliciosos bolos que sua mãe fazia para engordar o orçamento familiar. Entre uma venda e outra alimentava seus sonhos de estudar.

E assim ocorreu. Logo seus pais visualizaram sua inclinação pelos livros e seguindo orientação da professora local, levaram seu menino para estudar em Rosário. Foi uma sábia escolha. Ali se destacou de tal forma que Rosário também ficou pequena para aquela criança que teimava em aprender. Mesmo sem grande capacidade financeira, foi possível mandar o jovem para estudar na capital. Ele não desapontou. Prestou seleção para o Colégio Liceu Maranhense e foi aprovado. Novo destaque. Ali também continuou a ser um brilhante aluno, sempre tirando notas altíssimas até completar o segundo grau. Já naquela época voltava os olhos para o passado e via que seu esforço estava sendo recompensado.

O menino da ferrovia partia agora para novo desafio. Estava decidido a prestar o vestibular para a Faculdade de Direito do Maranhão. Fez e foi aprovado em primeiro lugar. Completou o curso brilhantemente, tendo permanecido por mais de 30 (trinta) anos como uma das 10 (dez) maiores médias de notas da história do Curso de Direito. Colou grau em 1972. Durante todo o curso se mantinha na capital como datilógrafo da extinta SUDEMA (Superintendência de Desenvolvimento do Maranhão). Nessa época já havia sucumbido aos encantos de uma bela baixinha funcionária do Instituto Nacional de Previdência Social-INPS. Com D. Níusmar Pestana de Paula Barros constituiu família e quando se formou já haviam gerado dois filhos.

Era a época do regime militar. O menino da ferrovia era um jovem e brilhante advogado que récem saído da Faculdade passara a integrar o prestigiado escritório de advocacia do Dr. José Bento Neves que, posteriormente, viria a se tornar um grande Deputado Estadual do Maranhão. Tornou-se, em seguida, advogado do extinto Escritório Técnico de Administração Municipal-ETAM, ali permanecendo até 1979 quando foi convidado a integrar a equipe do récem eleito Governador do Estado do Maranhão João Castelo Ribeiro Gonçalves, como sub-chefe da Casa Civil, por indicação do seu antigo professor José Maria de Jesus e Silva, com quem trabalhara na elaboração do plano de Governo. Seu professor passaria em seguida a ser o Chefe da Casa Civil em substituição a José Burnett que se tornara Deputado Federal. José Maria deixaria o cargo para se tornar membro do Tribunal de Contas dos Municípios, abrindo espaço para que o jovem técnico se tornasse Chefe da Casa Civil aos 35 (trinta e cinco) anos. O menino venceu na vida.

No total ele foi 5 (cinco) vezes sub-chefe da Casa Civil nos Governos de João Castelo, Ivar Saldanha, Luis Rocha, Edison Lobão e no último Governo de Roseana Sarney; 2 (duas) vezes Chefe da Casa Civil, nos Governos de João Castelo e Luis Alves Coelho Rocha que o chamava carinhosamente de Moreno; Professor do Curso de Direito da Universidade Estadual do Maranhão; Consultor Jurídico da Federação das Indústrias do Maranhão-FIEMA; Advogado do Banco de Desenvolvimento do Estado do Maranhão-BDM e do Banco do Estado do Maranhão-BEM, onde foi Chefe de Gabinete da Presidência no Governo de Epitácio Cafeteira e Diretor Administrativo durante o Governo de João Alberto; Foi Presidente do Serviço de Imprensa e Obras Gráficas do Estado do Maranhão-SIOGE no Governo de Edison Lobão e hoje é Procurador do Estado do Maranhão aposentado, tendo sido aprovado em concurso público de provas e títulos em terceiro lugar.

Tal qual o General Romano, o menino da ferrovia veio, viu e venceu.

O menino que só queria estudar se tornou o jovem brilhante de ontem e este senhor de cabelos brancos de hoje (nem tantos cabelos brancos assim), na foto que ilustra este texto. Aos 71 (setenta e um) anos que completa hoje ele tem muito do que se orgulhar. Constituiu uma bela família juntamente com sua esposa e sempre companheira Níusmar. Tiveram três filhos que lhes renderam 9 netos, e estes até agora dois bisnetos e o terceiro não tarda a chegar.

Da ferrovia ficou a saudade que mata sempre que às sextas-feiras retorna para sua querida Carema e para sua Fazenda Recreio, aonde costuma reunir os amigos de infância e aqueles que conquistou ao longo da vida, além dos parentes com quem recorda os momentos felizes em que brincavam soltos sonhando com o futuro que estava por vir, no vai e volta do trem da estrada de ferro São Luís/Teresina.

O menino da ferrovia é meu pai tão amado, Antonio José Muniz, por quem nutro um invulgar orgulho.

Feliz aniversário meu pai.

 

 

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Equilíbrio hormonal: o X da questão na guerra dos sexos

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Carnaval carioca de 2026. Segundo dia de apresentação das escolas de samba do grupo principal. Ligo a TV e vejo os primeiros acordes do aquecimento da Mocidade Independente de Padre Miguel. Lindos sambas vitoriosos de outros carnavais. Curioso, permaneço atento até que inicia o samba deste ano, Rita Lee: a padroeira da liberdade. Um desfile pela trajetória musical da rainha do rock brasileiro. Viajei no tempo e na discografia desse ícone da música nacional. Lembrei da abertura do programa TV Mulher, o qual entrou no ar em 07 de abril de 1980 com apresentação da grande Marília Gabriela. Perto de completar quarenta e seis anos do início do programa, tinha ele como tema de abertura a música “Cor de Rosa Choque”, de Rita Lee e Roberto de Carvalho. TV Mulher foi um marco na TV brasileira que tinha ainda Ney Gonçalves Dias como co-apresentador, Clodovil tratando sobre moda, Ala Szerman sobre Educação física e Marta Suplicy sobre sexologia e comportamento. Inesquecível.

Menino de 9 anos, perto de completar os 10, não perdia o quadro. Afinal, não se falava sobre sexo nessa época, o que se aprendia raramente em casa, nas ruas e, a partir de então, na TV.

É dessa época um tema que me acompanhou por muito tempo: a crise dos 40 anos.

Cunhou-se, tempos atrás, atribuir à crise dos 40 anos o término dos casamentos. Se dizia que o homem, ao atingir os quarenta anos, entrava numa crise existencial, por atingir a metade da vida, que o levava, já resolvido financeiramente, a uma busca por reconhecimento, novos relacionamentos e por um aproveitamento diferente da vida, normalmente tendo ao seu lado uma mulher mais nova.

Durante muito tempo me perguntei a razão real disso tudo, vez que nunca acreditei que fosse sem-vergonhice, como tantas vezes escutei. Hoje sei que tudo é puramente hormonal, podendo até mesmo começar antes dos quarenta anos. Para ficar mais didático, fui buscar na inteligência artificial os esclarecimentos mais acessíveis. Segundo ela, a crise dos 40 anos nos homens é um período de reavaliação da vida, frequentemente marcado por sentimentos de insatisfação, ansiedade e medo do envelhecimento. Pode levar a mudanças drásticas (carreira, estilo de vida) motivadas pela consciência da finitude e desejo de recuperar a juventude ou propósito, exigindo autoconhecimento e, por vezes, apoio profissional. As principais características são a percepção de que há menos tempo para viver do que o já vivido, o que gera ansiedade; avaliação sobre as conquistas alcançadas em função do que imaginou aos 20 anos, resultando em tédio e sensação de que ficou faltando algo; redução da libido, possíveis disfunções sexuais e diminuição da energia física (andropausa); menor demanda dos seus próprios filhos e envelhecimento dos seus pais.

Com tudo isso acontecendo, o homem passava a adotar comportamentos padrões, como por exemplo a impulsividade e mudanças drásticas como a troca de emprego, divórcio ou compra de bens materiais para compensar o envelhecimento; alterações no estilo de vestir e tentativa de se conectar com públicos mais jovens; mudanças de humor, maior impaciência e cansaço da rotina.

Da parte da sexualidade, afetada pela andropausa, trocando em miúdos, o homem, ante a baixa hormonal, entendia que o problema estava em sua companheira de caminhada que não lhe apetecia mais. Assim, na busca da virilidade perdida, buscava em outros braços mais jovens a satisfação que já não tinha. Por pura ignorância ou falta de conhecimento, deixava de buscar na medicina a resolução do seu problema. O que mudou? Das próteses penianas às injeções no pênis, a modernidade trouxe o viagra, o cialis e muitos outros tratamentos contra a disfunção erétil, sendo hoje a tadalafila e a sildenafila as queridinhas do público masculino (perdão aos leitores se outra substância já tiver galgado o primeiro lugar na preferência).

Toda essa evolução científica se refletiu na disposição do homem de continuar com sua companheira. Afinal, estiveram ombreados sob o manto do compromisso assumido perante Deus de amar e respeitar na alegria ou na tristeza, na saúde ou na doença, até que a morte os separasse.

Com a mulher, na origem, não era diferente. A menopausa era determinante para a mudança comportamental, contudo, não se tinha, tempos atrás, chips ou outros mecanismos para uma adequada reposição hormonal. Muitas vezes havia ainda a acomodação ou mesmo o achar que o errado era o homem pelo seu comportamento. Em termos técnicos (conteúdo também gerado com o auxílio da IA), a conhecida síndrome dos 40 ou crise da meia-idade é um período de intensas transformações físicas, emocionais e comportamentais que muitas mulheres enfrentam por volta dos 40 a 50 anos, frequentemente associado ao início do climatério e à perimenopausa. Suas principais características são, por volta dos 40 anos, a mulher poder entrar no climatério (nada mais é que uma transição hormonal marcada pela queda de progesterona e estrogênio). Climatério/Perimenopausa gera ondas de calor (fogachos), suores noturnos e palpitações; aumento de peso, especialmente na região abdominal, e metabolismo mais lento; pele mais seca, menos elástica e cabelos mais finos; ciclo menstrual irregular, com fluxo mais intenso ou mais curto; a queda do estrogênio retira proteção natural, exigindo monitoramento de pressão cardiovascular, colesterol e densidade óssea; esgotamento (Burnout), caracterizado por fadiga crônica, perda de prazer e aumento do estresse; instabilidade emocional, irritabilidade, ansiedade e sintomas depressivos, muitas vezes confundidos com outros quadros; sensação de desvalorização social ou perda de relevância após certas etapas da vida (síndrome da mulher invisível); maior autoconhecimento e definição de novos propósitos com desejo de realizações pessoais superando a rotina profissional/familiar anterior; foco em exercícios, alimentação saudável e, muitas vezes, terapia para lidar com o processo de envelhecimento e a “sensação agridoce” da maturidade.

Infelizmente, por diversos fatores clínicos ou comportamentais, as mulheres têm optado pelo caminho inverso do homem moderno. Enquanto este se resolve com os tratamentos modernos e tentam manter os casamentos, elas, repondo hormônios ou não, continuam a manter a rotina da falta de sexo e optam pelo final da relação, gerando uma estatística alarmante de casamentos rompidos (segundo dados do IBGE, 70% dos divórcios são iniciados por mulheres), muitas vezes sem motivo aparente, mas apenas decorrente da questão hormonal.

No centro da discussão, palpiteiros, coachs de relacionamento, psicólogos, terapeutas sexuais, médicos e sexólogos procuram apontar o caminho para a saúde física, sexual e familiar que, entendo, continua a ter, no cerne, o equilíbrio hormonal, vez que ele é o X da questão na guerra dos sexos, pelo menos sob o nosso ponto de vista.

Que entre mortos e feridos, doentes e sãos, prevaleça a consciência de procurar acompanhamento técnico ou médico para frutificar a semente plantada no Programa TV Mulher, ao som de Cor de Rosa Choque, da inesquecível Rita Lee, a padroeira da liberdade.

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Homenagem

Ninho da Serpente

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Ninho da serpente foi uma grande telenovela brasileira, produzida e exibida pela Rede Bandeirantes no ano de 1982 e que tinha no elenco grandes nomes da nossa teledramaturgia como Cleide Yacones, Eliane Giardini, Laura Cardoso, Beatriz Segall, Kito Junqueira, Juca de Oliveira, Othon Bastos, dentre outros.

A novela trazia como enredo a morte do empresário Cândido Penteado e uma verdadeira guerra pela sua enorme herança, a qual tem como atores principais a irmã do falecido, Guilhermina Penteado, personagem de Cleide Yacones, seus filhos e netos, e Mateus, filho do falecido, o qual só encontra apoio em sua tia Maria Clara e em Lídia (Eliane Giardini), neta de Guilhermina e seu grande amor. A trama conta ainda com a paixão de Mariana por Mateus (ela é sua obcecada prima e a personagem é vivida por Julia Lemmertz – um colosso de mulher quando a conheci no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, quando alcançava meus doze anos) e de Karl (Paulo César Grande) por Marinalda (Mayara Magri), estes em início de carreira. Lembro que Kito Junqueira e Eliane Giardini estiveram em nossa casa no bairro do Ipase, em São Luís do Maranhão, levados por Joaquim Haickel, então assessor da Casa Civil do Governo do Estado, os quais buscavam um avião que os levasse para conhecer os lençóis maranhenses, isso ainda em 1982, no final do Governo de João Castelo.

Como o próprio nome da novela aponta, ninho da serpente se refere à mansão aonde morava a megera Guilhermina e onde vai morar Mateus, o herdeiro real da fortuna (a casa existe realmente no bairro Jardins, em São Paulo e conserva sua majestosa escadaria tão destacada nas cenas da novela).

Essa obra, registre-se, não se destacou apenas pela envolvente trama que a levou a ameaçar a hegemonia da Globo, mas também pela sua excepcional trilha sonora, notadamente a internacional, que contou com músicas da envergadura de Perhapes Love, interpretada Por John Denver e Plácido Domingo e Memory, interpretada por Barbra Streisand.

Vocês certamente devem estar se perguntando a razão destas lembranças em novembro de 2025. Respondo: minha mãe amava essa novela e eu aprendi, com ela, a ter o mesmo sentimento.

Perhaps Love, espetacularmente interpretada na novela pelo seu autor, John Denver, e pelo fantástico tenor argentino Plácido Domingo (disponibilizo o link, mas este pode ser retirado pelo YouTube, porém pode ser acessado digitando o nome da música e pedindo para ser a traduzida), traz uma mensagem linda de amor e saudade. Segundo a inteligência artificial, “A letra de “Perhaps Love” fala sobre as várias facetas do amor, descrevendo-o como um “abrigo” e um “lugar de descanso” em tempos difíceis, mas também como um “oceano repleto de conflitos e dor”. A canção reflete sobre os dilemas do amor, com algumas pessoas dizendo que é preciso “segurar firme” e outras que é preciso “deixar ir”. A memória do amor, no entanto, é descrita como algo que traz conforto e persistência”. Senão vejamos:

“Talvez o amor seja como um local de descanso,um abrigo da tempestade
Ele existe para te oferecer conforto, Ele está lá para te manter aquecido
E naqueles tempos de dificuldade quando você está sozinho,
A lembrança do amor vai te trazer para casa

Talvez o amor seja como uma janela,Talvez uma porta aberta,
Ele te convida para chegar mais perto, Ele quer te mostrar mais
E mesmo se você perder a si mesmo e não souber o que fazer,
A lembrança do amor vai te acompanhar
O amor para alguns é como uma nuvem, Para alguns tão forte como o aço
Para alguns um modo de vida, para alguns um modo de sentir.
E alguns dizem que o amor está persistindo E alguns dizem que está desistindo
E alguns dizem que o amor é tudo E alguns dizem que não sabem…

Talvez o amor seja como o oceano, Repleto de conflito, repleto de dor
Como uma chama quando está frio lá fora, Um trovão quando chove.
Se eu viver eternamente E todos os meus sonhos tornarem-se realidade,
Minhas lembranças do amor serão sobre você…

E alguns dizem que o amor está persistindo E alguns dizem que está desistindo
E alguns dizem que o amor é tudo E alguns dizem que não sabem

Talvez o amor seja como o oceano, Repleto de conflito, repleto de dor
Como uma chama quando está frio lá fora, Um trovão quando chove.
Se eu viver eternamente E todos os meus sonhos tornarem-se realidade,
Minhas lembranças do amor serão sobre você…”

https://youtu.be/D9gf6cUuB54?si=3H5WWfRvdPenvCaD

Por sua vez, Memory, uma das mais premiadas interpretações de Barbra Streisand, nos remete para um outro tipo de sentimento. Profundo, é verdade, mas de contexto diferenciado. Diz a letra:

Meia-noite
Nenhum som da calçada
A Lua perdeu a memória?
Ela está sorrindo sozinha
Na luz do lâmpada
As folhas secas
Juntam-se aos meus pés
E o vento começa a gemer

Lembrança
Totalmente sozinha ao luar
Eu posso sonhar com os velhos dias
Em que a vida era linda

Eu lembro da época em que
Eu sabia o que era a felicidade
Deixe a lembrança viver novamente
Cada lâmpada da rua
Parece palpitar
Um aviso fatalista
Alguém murmura
E a lâmpada da rua crepita
E logo será manhã

Luz do dia
Eu devo esperar pelo nascer do Sol
Eu devo pensar sobre uma nova vida
E eu não devo ceder
Quando a aurora chegar
Esta noite será uma lembrança também
E um novo dia começará

Finais desgastados de dias esfumaçados
O cheiro frio e passado da manhã
Uma lâmpada da rua se apaga
Outra noite terminou
Mais um dia está amanhecendo

Toque-me
É tão fácil me abandonar
Totalmente sozinha com a lembrança
Dos meus dias ao Sol
Se você me tocar
Você compreenderá o que é a felicidade
Olhe, um novo dia começou!”

https://youtu.be/sLxSFi5Fq0o?si=MnvvO5pN5qk6nHlq

Depois de um dia desgastante de trabalho, voltei pra casa vendo no céu a lua cheia de outono. Ela já não tem mais o mesmo brilho para mim e os velhos dias em que a vida era linda já não existem mais.

Em seu lugar ficou apenas uma eloquente saudade.

O dia não tarda a amanhecer e eu devo ceder. Preciso acreditar em um novo amanhã. Preciso viver, ainda que a solidão tente forçar ao contrário, diz a música com pertinência.

Dos meus cinquenta e cinco anos convivi cinquenta contigo. Não tenho como acostumar com tua ausência em cinco anos. Tua partida dói a cada minuto, um interminável lapso temporal que se renova.

Volto para perhaps Love.

“Talvez o amor seja como um local de descanso,um abrigo da tempestade
Ele existe para te oferecer conforto, Ele está lá para te manter aquecido
E naqueles tempos de dificuldade quando você está sozinho,
A lembrança do amor vai te trazer para casa

Talvez o amor seja como uma janela,Talvez uma porta aberta,
Ele te convida para chegar mais perto, Ele quer te mostrar mais
E mesmo se você perder a si mesmo e não souber o que fazer,
A lembrança do amor vai te acompanhar”.

Boa parte das lembranças que tenho de um amor verdadeiro me transportam para as nossas casas. Tua presença firme nos fazia acreditar que nosso lar fora edificado sobre a rocha. Foste a mulher virtuosa da Bíblia que edificou sua casa, não a mulher que rasga os ensinamentos e os juramentos assumidos perante Deus. Amaste nosso pai e teus filhos mais até do que amaste a ti mesma. Compreendeste o ensinamento bíblico que diz que o homem e a mulher deixarão a casa de seus pais, formarão uma família e serão uma só carne. Tudo o que somos devemos a vocês, mas muito a ti que, mesmo nas ausências de papai, causadas por suas inúmeras atribuições, soubeste nos conduzir no bom caminho.

Fiz questão de registrar tudo isso entre os dias quatro e cinco de novembro. Quatro por ser o teu aniversário, mas também o início do tempo mais longo da minha vida. Vivi, juntamente com Márcia, minuto a minuto da tua luta, da tua dor e tua partida, já no dia cinco. Em quatro de novembro de 2025 farias oitenta e três lindos anos. Em cinco de novembro faz cinco anos e cinco meses que foste ao encontro do pai.

É dificílimo viver sem tua presença física, mas estás em cada célula de cada um de nós.

Não viveste no ninho da serpente.

Viverás para sempre na nossa memória, mas a cada dia em que eu olhar uma lua cheia de outono, saberei que o meu futuro é de dor, saudade e lágrimas, caídas dos meus olhos em forma de gotas, como as chuvas do inverno.


Te amarei para sempre minha mãe. Até quando o sol não mais brilhar para mim, viverás eternamente no meu coração.

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SONHOS DE UM PALHAÇO

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Certas coisas nos fazem encontrar a ficção numa proporção em que fica difícil distinguir o real do imaginário. Nesta última semana foi assim e até agora não consegui distinguir um do outro.

Não é novidade para ninguém que sou professor universitário. Talvez seja uma das maiores alegrias que já tive, a qual me foi proporcionada pelo meu amigo/irmão Clóvis Fecury. Foi ele quem falou para o então Reitor da nossa Universidade Ceuma que a instituição gostaria de ter uma pessoa com o meu perfil como professor. Para quem são sabe, a minha trajetória profissional caminha lado a lado com essa Instituição de Ensino Superior que, se não trabalhei desde o dia em que nasceu, pude lhe auxiliar nos primeiros passos. Acho que quando cheguei tínhamos pouco mais que cinco anos de fundação. Fui seu primeiro Assessor Jurídico e hoje, trinta e um anos após a minha formatura, completo mais um ano como professor do Curso de Direito. Entreguei meu nome e toda a minha vitoriosa carreira à Instituição que, fundada por Mauro de Alencar Fecury, me recebeu como professor. Na Universidade Ceuma cheguei especialista em Direito Processual Civil e me tornei Mestre.

Na Universidade Ceuma me descobri muito mais que um simples professor. Aqui me tornei um agente do futuro, mais um a construir o amanhã. Me tornei um construtor de futuro, um transformador de sonhos, do universitário e de toda uma família.

Vivi e vivo seus sonhos. Suas dificuldades e suas superações.

Nesta semana tivemos mais uma formatura. Vários ex-alunos colaram grau. Não pude comparecer por medidas de segurança, mas fiquei feliz em saber que novamente cumprimos com nossa missão. Entregamos para o mercado de trabalho profissionais gabaritados, fruto de uma formação de extrema qualificação, pautada nos mais modernos conceitos e metodologias pedagógicas.

O professor é o cidadão que sai de casa para construir o amanhã. Se depara com os mais variados perfis. Apresenta um conteúdo definido, cria outros ou ainda constrói momentos que somente serão compreendidos no futuro, mas planta a semente, igual àquele lavrador que a coloca no chão para amanhã colher. O professor é igual ao palhaço: oculta o seu sentimento atual para fomentar o propósito de tantos. É aquele que faz rir mesmo estando dilacerado por dentro. Esse é o seu papel. Instruir, construir o amanhã mesmo que, para ele, até mesmo o hoje esteja em risco.

Ao refletir sobre tudo isso, não tive como não me lembrar de um dos maiores nomes da nossa música popular brasileira. Na década de 70, Antonio Marcos gravou uma de suas mais icônicas músicas. Sonhos de um palhaço reflete um momento,  a perda de um amor, um instante de dor e reflexão. Um espaço temporal em que, espelho da vida docente, o sorriso e a maquiagem ocultam uma dor presente. Ninguém sabe o que o palhaço está vivendo, mas ele precisa seguir em frente com a sua missão, seja ela divertir ou construir o amanhã.

Lembrei de Elimar Santos retirando a maquiagem do palhaço enquanto interpretava essa belíssima música. Infelizmente não localizei as imagens. Se algum leitor as tiver, por favor me envie no Instagram. Farei questão de integrar o texto com ela.

Disponibilizo vídeo e letra para vocês:

Seja na vida pessoal ou profissional, essa música reflete a realidade de quem precisa sorrir, ainda que o seu desejo seja apenas chorar.

Antonio Marcos faleceu aos quarenta e seis anos, consumido por uma depressão aguda, vítima de insuficiência hepática causada pelo consumo excessivo de álcool e drogas. Mesmo com uma carreira recheada de grandes sucessos como “Se eu pudesse conversar com Deus”, “O homem de Nazareth ” e “Como vai você “, ele sucumbiu às oscilações do mercado fonográfico e desilusões amorosas.

 

 

Ninguém sabe o que se passa com um professor. O aluno quer a aula. Ele precisa estar apto a ministrá-la. Estando triste ou não.

No final, resta o sonho de que a lágrima, muitas vezes presente na maquiagem, se transforme num sorriso ou num glorioso amanhã.

Continuarei sorrindo e sonhando.

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